Da ansiedade aos 16 km: como cooperativa do ES mudou a vida de funcionários

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A Gazeta

Corridas no ES: como incentivo de cooperativa mudou a vida de três funcionários

Corridas no ES: como incentivo de cooperativa mudou a vida de três funcionários
Ricardo Medeiros | A Gazeta

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Perder peso, dormir melhor, ter mais disposição e encontrar na
atividade física uma forma de cuidar também da saúde emocional.
Para três moradores da Grande Vitória, no Espírito Santo, colocar um tênis e começar a correr acabou
provocando mudanças que foram muito além do exercício.

Francielly Figueira Penitente, de 32 anos, coordenadora comercial,
Victor Costa Luz, de 32 anos, líder administrativo, e Luana Nass
Folador, de 31 anos, começaram a correr em momentos diferentes e por
motivos diferentes. Um começou depois de enfrentar períodos de
ansiedade. Outro buscava mais qualidade de vida. A terceira, que
desde criança não gostava de fazer exercícios, começou quase por
acaso.

Em comum, os três são funcionários do Grupo Águia Branca e cooperados da  Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empregados do Grupo Águia Branca (Cooperáguia).

Depois que a corrida entrou na rotina, eles passaram a contar
também com um incentivo para participar de provas: a cooperativa
reembolsa 50% do valor da inscrição, limitado a R$ 200.

Da ansiedade aos 16 quilômetros

Corridas no ES: como incentivo de cooperativa mudou a vida de três funcionários

Francielly Figueira Penitente conta como superou a ansiedade
Ricardo Medeiros | A Gazeta

Francielly lembra que a relação com a corrida começou bem distante das distâncias que consegue percorrer atualmente. Quando começou, não conseguia correr nem 100 metros sem parar.

Ela já havia tentado outras atividades físicas, mas não conseguia manter uma rotina. A corrida começou depois de um convite do namorado. Vieram primeiro os 100 metros, depois um quilômetro, cinco quilômetros e, finalmente, os 16 quilômetros da Corrida Garoto.

Nesse período, perdeu cerca de sete quilos e percebeu mudanças no sono, na alimentação e na disposição. Mas foi na saúde emocional que encontrou uma das principais razões para continuar.

Francielly já havia passado por períodos de ansiedade, feito acompanhamento terapêutico e usado medicação. Hoje, não toma mais remédios e diz que a atividade física teve papel importante no processo de recuperação.

A corrida não substitui um tratamento médico. Mas a atividade física foi fundamental no meu processo de recuperação

Francielly Figueira Penitente

Correr também virou um momento para organizar os pensamentos e aliviar as tensões. “Eu acho que a corrida reorganizou muito a minha mente. É um momento em que eu consigo colocar as coisas no lugar, pensar, aliviar a tensão. Às vezes você está com um problema e vai correr. Quando volta, parece que conseguiu enxergar aquilo de uma outra forma”, contou.

Oito quilos a menos e mais disposição

Corridas no ES: como incentivo de cooperativa mudou a vida de três funcionários

Victor conta como a corrida mudou a vida dele
Ricardo Medeiros | A Gazeta

Victor começou a correr há pouco mais de um ano em busca de qualidade de vida. Já havia tentado academia, mas não gostava de ficar em um ambiente fechado repetindo exercícios.  Na corrida, encontrou liberdade, música e a possibilidade de fazer a atividade no próprio ritmo.

“Eu precisava de uma atividade que me desse mais prazer. A academia, para mim, era muito repetitiva. Na corrida eu posso colocar meu fone, sair, escolher o caminho e ficar comigo mesmo. Isso fez muita diferença”, disse.

Com a corrida, a musculação e o vôlei de praia, Victor perdeu cerca de oito quilos. Também passou a dormir melhor e percebeu mais disposição e melhora na ansiedade.

Comecei a dormir melhor, ter mais disposição durante o dia e perceber que meu corpo estava respondendo. E emocionalmente também fez diferença. Quando estou mais ansioso, correr ajuda a colocar a cabeça no lugar

Victor Costa Luz

Victor nunca precisou usar medicação para ansiedade. Para ele, o benefício da cooperativa apareceu depois que a corrida já fazia parte da rotina.

“Eu não comecei a correr por causa do benefício. O benefício acabou sendo mais um incentivo para a participação das provas. Se eu não tivesse esse apoio, eu continuaria correndo, mas provavelmente escolheria menos provas para participar”, contou.

De quem não gostava de exercício à meia maratona

Corridas no ES: como incentivo de cooperativa mudou a vida de três funcionários

Luana conta como deixou de encarar exercício como obrigação
Ricardo Medeiros | A Gazeta

Luana demorou mais para se render à atividade física. Desde criança, não gostava de exercícios. Tentou academia e CrossFit, mas continuava encarando o exercício como uma obrigação.

A mudança aconteceu quando o Grupo Águia Branca patrocinou uma corrida e sorteou inscrições entre funcionários. Luana ganhou uma vaga e decidiu participar.

“Eu não tinha ideia de que aquela inscrição acabaria mudando tanto a minha vida. Eu fui sem expectativa alguma. Depois da prova, pensei: eu quero fazer isso de novo. Eu quero treinar, quero melhorar, quero correr mais”, contou.

A partir daí, passou a correr três vezes por semana, começou a fazer musculação nos outros dias e mudou a alimentação. Perdeu mais de 12 quilos.  Atualmente, já participou de 18 corridas e completou uma meia maratona de 21 quilômetros.

Mas a maior mudança, segundo ela, não aparece na balança.

Houve momentos em que eu estava muito mal emocionalmente, e a corrida foi meu refúgio. S aía para correr chorando e voltava diferente. A corrida me salvou em muitos momentos

Luana Nass Folador

Um incentivo para continuar

Os três começaram a correr por motivos diferentes. O benefício da Cooperáguia não foi responsável pelo início da atividade para nenhum deles, mas passou a fazer diferença depois que o hábito foi criado.

Além do reembolso de 50% das inscrições, limitado a R$ 200, a cooperativa oferece 50 cotas por mês. Cada cooperado pode solicitar o benefício para uma prova por mês, desde que esteja em situação regular e haja disponibilidade.

Francielly descobriu o benefício por meio de um colega e passou a utilizá-lo para participar de pelo menos uma prova por mês.  “Eu acho que, sem esse reembolso, eu não teria participado de tantas provas. Às vezes você quer correr, mas tem a inscrição, tem deslocamento, tem toda uma estrutura. Saber que uma parte daquele valor vai voltar acaba sendo um incentivo”, explicou.

Luana também passou a utilizar o benefício depois da primeira corrida.  “Eu comecei a planejar as provas já sabendo que poderia contar com esse reembolso. É um incentivo muito grande, porque você sabe que tem alguém apoiando aquilo que você está fazendo”, disse.

Benefício cresce entre cooperados

O incentivo existe desde 2012 e vem sendo cada vez mais utilizado.  Em 2025, foram 246 reembolsos para 120 cooperados. Em 2026, até a data da apuração, já eram 432 reembolsos para 206 cooperados.

O número de reembolsos aumentou cerca de 76%, enquanto a quantidade de cooperados beneficiados cresceu aproximadamente 72% em relação a todo o ano anterior.

Segundo o gerente executivo da Cooperáguia, Nilton Monteiro, o incentivo ao esporte é uma das formas de ampliar a relação da cooperativa com os associados.

“Quando a Cooperáguia destina recursos a uma iniciativa que promove saúde, bem-estar, convivência e superação, ela gera valor para o cooperado de uma forma que vai além do crédito e das soluções financeiras”, explicou.

Para Nilton, o benefício também reforça uma característica da relação entre a cooperativa e seus associados.

“O cooperado não é simplesmente um cliente. Ele participa da cooperativa, tem uma relação diferente com a instituição. Então, quando conseguimos oferecer benefícios que melhoram a qualidade de vida, isso também fortalece essa relação”, afirmou.

Corrida é uma pessoa com ela mesma

Educador físico Bernardo Ramos

Educador físico Bernardo Ramos
Rede social

Para o educador físico Bernardo Ramos, uma das características que tornam a corrida acessível é justamente a possibilidade de cada pessoa construir a própria evolução.

“Na corrida, é muito a pessoa com a pessoa. Você não precisa correr contra quem está do seu lado. Você pode correr contra você mesmo, melhorar o seu tempo, aumentar a distância, conseguir correr sem parar. É você percebendo a sua própria evolução”, explicou.

Segundo Bernardo, os primeiros resultados podem aparecer antes mesmo de grandes mudanças físicas, como melhora do sono, do descanso e da disposição.

Às vezes a pessoa acha que precisa começar correndo cinco quilômetros. Não precisa! Comece caminhando, comece devagar, respeite o seu limite. O importante é sair do sofá e criar esse primeiro compromisso

Educador físico Bernardo Ramos

Reflexos também no trabalho

Para a especialista em RH Katia Vasconcelos, iniciativas como o reembolso ajudam a empresa a criar condições para que os funcionários cuidem da saúde e do bem-estar.

Uma pessoa que dorme melhor, tem mais disposição e se sente melhor física e emocionalmente pode levar esses ganhos também para a rotina profissional.

“Quando a empresa cria condições para que o funcionário cuide da saúde, ela está investindo também em qualidade de vida. E uma pessoa que está bem, que dorme melhor e tem mais disposição pode chegar ao trabalho com outra energia, com mais concentração e mais capacidade de entregar”, explicou.

Segundo Katia, o incentivo também pode fortalecer a percepção de que a empresa se preocupa com as pessoas.  “Quando o funcionário percebe que existe uma preocupação verdadeira com o bem-estar dele, isso gera pertencimento, fortalece o vínculo e mostra que ele é importante para aquela organização”, afirmou.

Três histórias, três motivos para continuar

Francielly encontrou na corrida uma forma de reorganizar a mente. Victor descobriu uma atividade que combina com seu jeito e ajuda a controlar a ansiedade. Luana saiu de uma relação de rejeição ao exercício para completar uma meia maratona.

Os três perderam peso, passaram a dormir melhor, ganharam disposição e encontraram uma atividade que passou a fazer parte da vida.

E cada um resume a transformação de uma maneira.

“Hoje eu não faço uso de medicação mais. E tenho uma qualidade de vida muito melhor do que eu tinha antes”, disse Francielly.

“Eu acho que o mais importante foi descobrir uma atividade que eu realmente gosto de fazer. Quando você gosta, fica muito mais fácil manter”, contou Victor.

E Luana, que um dia precisou de uma inscrição sorteada para dar o primeiro passo, deixa um conselho para quem ainda está parado.  “Só começa. Você ainda não faz ideia de onde isso vai te levar”, afirmou.

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Fonte: A Gazeta

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