Campanha de Lula vai criticar ligação de Flávio Bolsonaro com bancada dos bancos, bets e bilionários
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende expor a ligação do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos interesses de bancos, bets e bilionários na disputa do segundo turno. Segundo a coluna de Marcela Mattos, do UOL, a adesão do centrão ao adversário será usada para reforçar essa mensagem e apresentar Lula como defensor das camadas populares.
A estratégia foi formulada pela nova equipe de comunicação petista. Um integrante do grupo explicou à coluna que a intenção é vincular o candidato do PL e seus novos aliados ao “sistema”, em oposição à imagem de proximidade com o povo que a campanha busca construir para Lula.
Nesse esforço, os petistas devem retomar as críticas à chamada “bancada BBB”, expressão usada pelo partido para se referir a bancos, bets e bilionários. O apoio dos partidos de centro a Flávio será apresentado como parte desse alinhamento aos setores mais privilegiados da população.
A campanha também pretende explorar possíveis consequências dessa aliança para os programas sociais. De acordo com o UOL, a comunicação petista deve projetar um cenário de cortes em benefícios e de decisões favoráveis ao “andar de cima”. Trata-se da mensagem eleitoral planejada pela equipe, e não de medidas anunciadas pelo adversário no relato fornecido.
Para sustentar essa abordagem, os responsáveis pela comunicação querem recuperar o embate sobre uma medida provisória do governo que alterava a tributação de investimentos e aumentava a taxação das bets. Em outubro de 2025, uma articulação dos principais partidos de centro levou à retirada da proposta da pauta da Câmara, e o texto perdeu a validade.
O episódio desgastou a relação de Lula com o Congresso, mas também trouxe ganhos de popularidade ao presidente, segundo a coluna. Após a derrota da proposta, ele passou a incluir nos discursos críticas à atuação dos parlamentares, apresentada como contrária aos interesses populares.
A intenção agora é recuperar esse confronto na disputa presidencial, relacionando os aliados de Flávio à resistência à tributação dos setores atingidos pela medida. Assim, a campanha busca colocar a defesa dos interesses econômicos no centro da comparação entre os dois candidatos.
Ao mesmo tempo, Lula deve continuar a gravar vídeos em formato de selfie, uma das mudanças adotadas depois do primeiro turno. Nessas publicações, o presidente tem defendido propostas encampadas pelo governo, como o fim da escala de trabalho 6×1, e feito críticas ao senador do PL.
Interlocutores de Lula afirmam que os vídeos ampliaram o engajamento nas redes sociais e permitiram distribuir as mensagens da campanha em conteúdos mais segmentados. O formato deve continuar como uma das frentes de comunicação durante o segundo turno.
Fonte: Brasil 247