Bolsonaristas-raiz queimam Kayath por críticas a Paulo Guedes e a Jair Bolsonaro
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Marcelo Kayath, apontado como possível ministro da Fazenda de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), enfrenta resistência entre apoiadores do candidato por seu histórico de críticas a Jair Bolsonaro e a Paulo Guedes. Segundo a Folha de S.Paulo, pessoas próximas à campanha relatam desconforto com a aproximação do ex-banqueiro e com sua exposição pública sobre propostas econômicas.
Ex-executivo do Credit Suisse e atual sócio da gestora QMS Capital, Kayath se aproximou de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e passou a apoiar Flávio nesta eleição. Também organizou encontros do candidato com banqueiros, investidores e empresários, incluindo um jantar em sua residência, em São Paulo.
Críticas a Guedes incomodam bolsonaristas
Parte da resistência decorre das avaliações feitas por Kayath sobre a gestão econômica do governo Bolsonaro. Em entrevista ao Valor Econômico, em julho de 2021, ele afirmou que “a Faria Lima gosta de se iludir” ao analisar a condução da economia.
“Guedes criou uma percepção a curto prazo e todo mundo ficou animado, mas a realidade chegou depois de um tempo”, declarou na ocasião.
Durante a pandemia, Kayath também questionou a capacidade do governo de enfrentar os problemas estruturais do país.
“A recuperação vai demorar. A gente vai ter um alívio, mas logo voltam os mesmos problemas estruturais de sempre, que não foram resolvidos. Esse governo não tem mais tempo nem condições de dar respostas estruturantes. Vejo a situação com bastante preocupação. Só vai se resolver nas eleições, com um novo governo.”
Apoio a Lula e rejeição a Bolsonaro
Em 2022, Kayath declarou voto no presidente Lula e participou de encontros empresariais em apoio à candidatura do petista. Naquele ano, também afirmou ao Valor Econômico que Bolsonaro representava um risco maior para as contas públicas.
“O problema é fiscal e, nesse ponto, Bolsonaro oferece muito mais riscos do que Lula”, disse.
Kayath avaliou que Lula teria mais condições de promover um ajuste fiscal que contribuísse para a redução dos juros. Na mesma entrevista, afirmou que a direita não tinha “monopólio do bem” e fez uma crítica direta a Bolsonaro: “Ele não é de direita, é maluco.”
Entrevista sobre economia amplia resistência
Segundo a Folha, entrevistas recentes de Kayath aumentaram a insatisfação entre aliados de Flávio. Em participação na CNN Brasil na quarta-feira (7), ele abordou possíveis medidas de um eventual governo, como um choque de gestão, a redução do número de ministérios e a reestruturação do Orçamento.
Também se posicionou contra o modelo de ministro “Posto Ipiranga”, expressão usada por Jair Bolsonaro para apresentar Paulo Guedes na campanha de 2018. Embora tenha afirmado respeitar o ex-ministro, defendeu uma gestão econômica menos concentrada em uma única pessoa.
Kayath disse que não conversou com Flávio sobre uma eventual indicação para a Fazenda. Ainda assim, alguns interlocutores interpretaram sua entrevista como uma apresentação de propostas para assumir o cargo.
Campanha tenta adiar debate sobre ministérios
Pessoas próximas a Flávio criticam a antecipação das discussões sobre a equipe econômica e avaliam que a exposição de nomes e planos pode produzir desgaste durante a campanha.
De acordo com os relatos publicados pela Folha, o candidato não pretende discutir a composição de um eventual governo antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A orientação é concentrar os esforços na disputa eleitoral.
Procurado para comentar a resistência entre os bolsonaristas, Kayath não se manifestou até a publicação da reportagem.
Fonte: Brasil 247