Eugênio Aragão: Veja reincidiu em crime eleitoral de graves proporções para tentar eleger Flávio Bolsonaro a partir de uma fake news
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 — Em um contundente pronunciamento em suas redes sociais, o jurista, ex-ministro da Justiça e ex-vice-procurador-geral eleitoral Eugênio Aragão denunciou o que qualificou como um “crime eleitoral de graves proporções” cometido pela revista Veja. Para o jurista, o veículo da Editora Abril reeditou em plena reta final de campanha o mesmo roteiro sórdido utilizado há doze anos, quando tentou interferir diretamente no resultado das urnas com uma capa que entrou para os anais do jornalismo de manipulação política.
O roteiro de 2014: panfletagem e condenação no TSE
O paralelo histórico traçado por Aragão remonta às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2014. Naquela ocasião, a revista antecipou sua edição de fim de semana para estampar os rostos de Luiz Inácio Lula da Silva e da então presidenta Dilma Rousseff sob a manchete sensacionalista “Eles sabiam de tudo”, alegando envolvimento de ambos nos desvios investigados na Petrobras com base em supostas delações vazadas.
Mais do que publicar a reportagem, a publicação operou como panfleto de comitê partidário: exemplares foram impressos e distribuídos gratuitamente nas ruas antes da votação para causar impacto direto no eleitorado.
Na época atuando como vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão deu parecer favorável ao pedido de direito de resposta ajuizado pela campanha petista. A decisão inicial do ministro Admar Gonzaga foi confirmada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que obrigou a revista a publicar a retratação em seu portal na internet em pleno domingo de votação. A manobra editorial ficou registrada como um dos momentos mais degradantes da imprensa corporativa brasileira.

O golpe de 2026: a nova fake news
Doze anos depois, segundo Aragão, a engrenagem do “terrorismo de campanha” voltou a ser acionada com a mesma desfaçatez. Desta vez, a revista requentou acusações frágeis e desprovidas de qualquer lastro comprobatório, sustentadas unicamente em supostas declarações de Daniel Vorcaro.
A narrativa fabricada pela publicação tenta vincular o presidente Lula e o Instituto Lula a um suposto repasse de R$ 30 milhões destinado ao financiamento de um documentário, tentando transferir artificialmente para o campo progressista o escândalo ligado à Operação Dark Horse – e foi justamente Flávio Bolsonaro quem pediu e recebeu mais de R$ 60 milhões de Daniel Vorcaro.
Aragão enfatizou que a própria Polícia Federal e o Ministério Público já haviam descartado a fidedignidade dessas afirmações, rejeitando categoricamente eventuais tentativas de delação premiada do empresário por falta de credibilidade. “Trata-se de um mentiroso sistemático cujo material não tem o menor interesse processual”, frisou o ex-ministro. A gravação usada pela revista, apontou Aragão, foi articulada diretamente por integrantes ligados à campanha adversária com o objetivo deliberado de contaminar o debate democrático.
Inquietação no Tribunal Superior Eleitoral
Ao analisar a resposta das instituições diante do caso, o ex-ministro fez um alerta severo quanto à inércia do atual comando da Justiça Eleitoral. Aragão apontou uma quebra de tradição regimental no TSE: historicamente, os processos e liminares relativos à propaganda e à fiscalização eleitoral ficavam sob a responsabilidade de ministros juristas substitutos — modelo adotado para resguardar a cúpula do tribunal e garantir celeridade técnica.
No pleito atual, contudo, a relatoria das ações de propaganda foi assumida pela própria presidência e vice-presidência da corte, ambos magistrados alçados ao Supremo Tribunal Federal por indicação do governo Bolsonaro. De acordo com o jurista, essa concentração tem gerado uma omissão preocupante diante do fluxo de desinformação industrializada, permitindo que conteúdos de flagrante ilicitude eleitoral circulem sem a devida contenção emergencial.
Métodos sórdidos que a democracia não pode tolerar
Para Aragão, a divulgação da matéria transcende a disputa política legítima e adentra o terreno da sabotagem eleitoral:
“Isso não são métodos de campanha. Isso é terrorismo de campanha, métodos sórdidos e sujos que uma democracia não pode tolerar.”
O jurista concluiu seu chamado convocando a sociedade civil, os movimentos populares e a militância a desmentirem amplamente a farsa nas redes sociais e nas ruas. O enfrentamento à guerra de informação, segundo ele, é imperativo para evitar que mais uma armação midiática comprometa a soberania do voto popular.
Fonte: Brasil 247