Endividamento das famílias cai pela primeira vez no ano

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Por Emanuela Godoy — TVT News

O endividamento das famílias brasileiras caiu pela primeira vez desde dezem bro de 2025, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Leia em TVT News.

O percentual de famílias com dívidas passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro. Apesar da redução, os dados mostram que o orçamento doméstico continua comprometido e que muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para quitar suas contas.

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A pesquisa também identificou uma redução da inadimplência, que passou de 29,9% para 29,6% entre agosto e setembro. O resultado ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando 30,5% das famílias tinham dívidas em atraso. A melhora, porém, não ocorreu de maneira uniforme entre as faixas de renda.

Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, a inadimplência caiu de 38,8% para 38,5%. Já no grupo com renda superior a dez salários mínimos, o indicador subiu de 14,9% para 15%. Essa foi a única das quatro faixas de renda analisadas pela pesquisa em que houve aumento no período.

O levantamento mostra, portanto, um cenário de melhora moderada, sem que isso represente o fim das dificuldades financeiras enfrentadas pelos consumidores. O percentual de famílias muito endividadas diminuiu de 17,9% para 17,3%, mas o tempo médio de atraso das contas aumentou pelo segundo mês consecutivo.

Endividamento recua após meses de alta

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Presidente Lula cria novo programa de negociação de dívidas – Foto: Ricardo Stuckert

A redução registrada em setembro interrompe uma sequência de crescimento que começou em dezembro de 2025, quando o endividamento atingia 80,9% das famílias brasileiras. O indicador chegou a 82,2% em abril e maio, os maiores patamares da série apresentada no levantamento.

Com a queda observada em setembro, a CNC projeta que o endividamento termine 2026 relativamente estável, próximo de 81,5%.

É importante diferenciar endividamento de inadimplência. O primeiro indicador considera famílias que possuem compromissos financeiros a vencer, como parcelas de cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas. Ter uma dívida, portanto, não significa necessariamente estar com dificuldades para pagá-la.

A inadimplência, por sua vez, corresponde às dívidas que não foram quitadas dentro do prazo acordado. Uma família pode estar endividada e manter seus pagamentos em dia. Quando deixa uma conta vencer, passa a integrar o grupo de consumidores inadimplentes.

Essa distinção ajuda a compreender os resultados de setembro: embora a proporção de famílias com compromissos financeiros tenha diminuído, uma parcela significativa dos consumidores continua enfrentando atrasos e restrições no orçamento.

Famílias de menor renda registram redução da inadimplência

A queda da inadimplência entre as famílias que recebem até três salários mínimos foi de 0,3 ponto percentual, passando de 38,8% em agosto para 38,5% em setembro.

Mesmo com a melhora, o indicador permanece elevado nessa faixa de renda, demonstrando que os consumidores com menor capacidade financeira continuam mais expostos às dificuldades para pagar suas contas.

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Na faixa de renda superior a dez salários mínimos, o movimento foi contrário. A inadimplência aumentou de 14,9% para 15% no período.

A pesquisa também identificou estabilidade na parcela de famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas atrasadas. O indicador permaneceu em 12,5% em setembro, abaixo dos 13% registrados no mesmo mês de 2025.

Outro dado positivo foi a redução da proporção de famílias que se consideram muito endividadas, de 17,9% para 17,3%.

Apesar disso, a melhora dos indicadores precisa ser observada em conjunto com o tempo necessário para quitar os compromissos financeiros. Em setembro, as dívidas estavam atrasadas, em média, havia 65,3 dias, o maior período desde novembro de 2024, quando a média chegou a 65,5 dias.

Além disso, 48,9% das dívidas em atraso acumulavam vencimentos superiores a 90 dias. O dado indica que uma parcela expressiva dos consumidores permanece com débitos pendentes por períodos prolongados.

Comprometimento da renda mantém pressão sobre o orçamento

A pesquisa da CNC também aponta crescimento da parcela de famílias sem dívidas a vencer. O percentual passou de 17,4% em agosto para 18,1% em setembro.

Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas continua elevado. Em média, as famílias destinam 29,6% dos rendimentos mensais a esses compromissos.

Para 19,4% dos consumidores, mais da metade da renda está comprometida com dívidas. Esse é o maior percentual desde fevereiro, quando o indicador havia atingido 19,5%.

O levantamento ainda identificou aumento na participação das dívidas com vencimento superior a um ano, que passaram a representar 33,8% do total em setembro.

Prazos mais longos podem reduzir o valor das parcelas mensais e dar algum fôlego ao orçamento doméstico. Por outro lado, prolongam o período em que os rendimentos ficam comprometidos com pagamentos, o que pode limitar a capacidade das famílias de lidar com despesas inesperadas ou realizar novas compras.

Assim, a renegociação pode aliviar a pressão imediata sobre o orçamento sem necessariamente reduzir o valor total devido. A diminuição da parcela mensal não significa, por si só, que a dívida foi resolvida.

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Fonte: TVT News

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