Renan quer apoiar Lula. Qual o problema em aceitar a oferta do candidato que teve 2.675.887 votos?

0

Por Marco Damiani — Brasil 247

‘Outsider’, arrivista, oportunista, classifique-se como se queira. O certo é que, em número de votos – a questão central deste momento -, o ex-candidato a presidente Renan Santos teve 2.675.887 no mesmo primeiro turno em que a diferença a favor de Flávio Bolsonaro sobre o presidente Lula foi de 2.224.965. O capital eleitoral do empresário de 40 anos, um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), tem uma sobra de 405.922 votos sobre o que teria sido necessário para empatar a disputa na primeira rodada da eleição. Em tese, Santos teve sobrando o que ficou faltando para o candidato à reeleição.

Nesta primeira semana de segundo turno, Renan trocou as cortinas de seu apartamento, renovando-as em vermelho. Foi um sinal claro e bem-humorado, admita-se, do desejo dele em anunciar o apoio ao líder popular. Para consumar o gesto, seria preciso apenas que algum representante do PT o procurasse, em nome da campanha, para discutir bases comuns e definir com ele um papel a cumprir no segundo turno.

Quem se habilita? Até agora, infelizmente, ninguém. O ex-candidato do Missão foi à janela se oferecer para apoiar Lula, mas a caravana do segundo turno está passando pela rua lá embaixo sem fazer qualquer gesto para que ele desça e reforce a marcha.

Está errado. Uma declaração formal de apoio de Renan Santos a Lula, neste momento, seria um fato político positivo e de ampliação da candidatura. Significa, na prática, a quebra do paradigma ‘nós conosco’, que em tese muito criticam, mas que na prática não tem rolado. Enquanto Flávio Bolsonaro vai amealhando apoios entre partidos que, inclusive, fazem parte do governo Lula, a campanha ainda não conseguiu anunciar nenhum ganho de peso para o lado do presidente e do vice Geraldo Alckmin. As manifestações individuais que têm sido feitas até aqui, como a festejada declaração favorável do jurista Miguel Reale Jr., têm sido pontuais e, reconheça-se, escassas.

Está na hora de o PT romper com antigos dogmas. Da cúpula à militância, o partido precisa entender, neste momento dramático e, de preferência, de uma vez por todas, que simplesmente não detém a hegemonia política sobre a sociedade brasileira. A importância de compor com quadros que, em tese, situam-se à direita da agremiação é vital.

O paradoxal é que, para abrir espaço à esquerda, a grupos de plataformas confusas, com discurso arcaico e excludente, as portas do partido já se escancaram. Mas quase toda vez que um sinal surge do outro lado da mesa, a postura é de desprezo, ironia e rechaço. A prolongar esse comportamento histórico no momento que é o mais decisivo da vida nacional, quando o pior do que já foi produzido pela política brasileira está a um passo de assaltar o poder, corremos o risco, facilmente perceptível, de perder.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *