Advogados acionam PF para investigar suspeita de articulação entre Vorcaro e campanha de Flávio Bolsonaro

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Por CartaCapital — Carta Capital

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Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida pedem apuração sobre a origem de um depoimento atribuído ao dono do Banco Master, com acusações contra Lula e integrantes do governo

Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida , do grupo Prerrogativas, acionaram a Polícia Federal para investigar uma possível articulação entre Daniel Vorcaro , ex-dono do Banco Master , e a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à presidência. Em notícia de fato apresentada na noite de quinta-feira 8, eles pedem providências urgentes para apurar se a circulação de um depoimento atribuído ao banqueiro tem o objetivo de interferir no segundo turno da eleição presidencial , marcado para 25 de outubro, e dificultar as investigações sobre o escândalo financeiro.

A iniciativa foi motivada por notícias de que interlocutores de Vorcaro procuraram emissoras de televisão para negociar uma entrevista exclusiva sobre o caso Master. Segundo a Folha de S.Paulo , a TV Globo foi procurada e a Record também demonstrou interesse. A realização da entrevista dependeria de autorização judicial, já que o banqueiro está preso preventivamente.

Além disso, os advogados afirmam ter recebido informações de que um HD com a gravação de um depoimento atribuído a Vorcaro teria sido entregue a terceiros, fora dos canais formais de colaboração com a Justiça. O material conteria acusações contra adversários políticos de Flávio Bolsonaro e integrantes do governo federal, incluindo ministros .

O advogado Marco Aurélio Carvalho disse que, segundo informações recebidas pelo grupo, Vorcaro teria a promessa de benefícios judiciais caso Flávio Bolsonaro vença a eleição . A suposta contrapartida incluiria a libertação imediata do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, e a saída do próprio Daniel Vorcaro da prisão em 2027, com tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar.

“Se o Flávio ganhar, o Vorcaro vai ser solto. Esse é o acordo”, declarou o advogado. A notícia de fato pede que a Polícia Federal investigue a origem e a circulação do suposto depoimento, além de eventuais vínculos entre os responsáveis pelo material e a campanha do senador.

Os autores da representação ressaltam, porém, que não tiveram acesso à gravação e pedem que a própria existência do material, seu conteúdo e sua procedência sejam verificados. Segundo a notícia de fato, as imputações descritas nas informações recebidas não teriam respaldo em provas e poderiam ter sido concebidas para produzir efeitos políticos.

Na representação, os advogados relacionam a suspeita à negociação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para financiar Dark Horse , filme-propaganda sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador negociou um repasse de 24 milhões de dólares, equivalente a cerca de 134 milhões de reais à época. O próprio Flávio admitiu publicamente ter pedido os recursos.

Os repasses são objeto de investigação da Polícia Federal , autorizada em julho pelo ministro André Mendonça , do Supremo Tribunal Federal. Para os advogados, a relação financeira entre o candidato e o banqueiro é um dos elementos que justificam apurar se há coordenação entre Vorcaro, seus interlocutores e pessoas vinculadas à campanha do senador.

A hipótese apresentada é que a divulgação de acusações contra Lula e integrantes de seu governo, às vésperas do segundo turno, possa desviar a atenção das investigações sobre o Banco Master e produzir efeitos eleitorais antes que as informações sejam verificadas ou contestadas pelos citados.

Os advogados também levantam a possibilidade de que a movimentação favoreça os interesses de Vorcaro nas negociações para uma eventual colaboração premiada. As duas propostas de delação apresentadas anteriormente pelo banqueiro foram rejeitadas em junho. Em setembro, ele voltou a prestar depoimento e manifestou interesse em colaborar, mas ainda não havia acordo firmado.

A iniciativa dos advogados ocorre no mesmo dia em que a revista Veja publicou reportagem de capa sobre relatos atribuídos a Vorcaro envolvendo supostos pagamentos ligados ao documentário Lula , do cineasta Oliver Stone, lançado em 2024. Segundo a revista, o banqueiro teria relatado pagamentos ao Instituto Lula e recursos destinados à produção do filme.

A revista afirma que as informações teriam sido apresentadas à Procuradoria-Geral da República, mas que o caso não avançou por falta de provas .


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Fonte: Carta Capital

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