Organizações cubanas apoiam Lula e denunciam interferência dos EUA nas eleições brasileiras

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A Casa de las Américas, a seção cubana da Rede em Defesa da Humanidade e o Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos divulgaram uma declaração conjunta de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual denunciam uma suposta campanha de interferência estrangeira nas eleições brasileiras. As organizações acusam setores ligados aos Estados Unidos e a Israel de financiar ações de comunicação destinadas a enfraquecer o presidente e favorecer seus adversários políticos.

Segundo o jornal mexicano La Jornada, que publicou o documento, as três entidades afirmam que a atuação de grupos econômicos internacionais, veículos de comunicação e lideranças religiosas teria contribuído para fortalecer a extrema direita no Brasil. A declaração, divulgada em Havana em 5 de outubro, também convoca movimentos sociais, intelectuais, artistas e lideranças comunitárias a se mobilizarem em defesa de Lula.

“Com uma campanha midiática feroz contra o líder dos trabalhadores, com um financiamento abundante do lobby estadunidense e israelense, com a mobilização de pregadores evangélicos para demonizar Lula e promover o voto no candidato fascista, conseguiram a pequena diferença de 1,87% que leva o Brasil ao segundo turno eleitoral”, afirmam as organizações.

O documento não apresenta provas específicas do suposto financiamento estrangeiro nem identifica os responsáveis pelos repasses mencionados. As acusações são feitas pelas entidades signatárias e não estão acompanhadas de documentação comprobatória no comunicado divulgado.

Na avaliação das organizações, a disputa presidencial brasileira está inserida em um cenário internacional de fortalecimento de movimentos de extrema direita. O texto sustenta que interesses estrangeiros procuram influenciar processos eleitorais na América Latina e apresenta a defesa de Lula como parte de uma mobilização política mais ampla.

“É uma vitória da máquina a serviço do imperialismo estadunidense, do sionismo e das extremas direitas locais, que tentará concluir sua ofensiva com uma vitória definitiva no próximo dia 25 de outubro”, diz outro trecho da declaração.

Entidades convocam mobilização internacional em defesa de Lula

As organizações defendem uma articulação entre diferentes setores da sociedade civil para apoiar o presidente brasileiro. O chamado é direcionado especialmente a militantes de movimentos sociais, profissionais da comunicação, representantes da cultura e lideranças populares.

“Convocamos à unidade todas e todos os ativistas e militantes dos movimentos sociais, comunicadoras e comunicadores, artistas, intelectuais, líderes comunitários e todas as pessoas dignas em torno da figura de Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 25 de outubro”, afirma o comunicado.

As entidades argumentam que a participação internacional em defesa de candidaturas progressistas não deve ser interpretada como uma interferência indevida em assuntos internos, mas como uma resposta política ao avanço de movimentos que classificam como neofascistas.

“O capitalismo contemporâneo, em sua deriva neofascista, tenta nos enganar com um de seus paradoxos: ao mesmo tempo que viola a soberania de nossos países com guerras, agressões militares, bloqueios e interferência eleitoral, tenta apresentar o avanço das extremas direitas locais como algo ‘estritamente nacional’ que devemos aceitar passivamente”, afirma o texto.

A declaração também rejeita a ideia de que os resultados eleitorais de outros países sejam questões sem consequências para a comunidade internacional.

“As eleições não são, nem no Brasil nem em nenhum de nossos países, um ‘assunto alheio’ quando nelas se enfrentam o Humanismo e a Barbárie”, acrescentam as organizações.

Declaração relaciona disputa brasileira ao avanço da extrema direita

O documento estabelece paralelos entre o cenário político contemporâneo e episódios históricos associados à ascensão do fascismo no século XX. As entidades mencionam a invasão italiana da Abissínia, a ocupação dos Sudetos, a Guerra Civil Espanhola e o Holocausto para sustentar que a omissão internacional diante de movimentos autoritários pode produzir consequências graves.

As organizações também relacionam essa interpretação aos conflitos atuais no Oriente Médio, especialmente às ações militares israelenses contra palestinos e no sul do Líbano.

Na avaliação dos signatários, a defesa de governos e lideranças progressistas exige uma resposta internacional coordenada.

“É urgente uma ação mundial para deter o avanço do neofascismo. A frente imediata que temos diante de nós é o confronto eleitoral no Brasil”, afirmam.

O comunicado sustenta ainda que as forças progressistas enfrentam uma disputa desigual diante do poder econômico e da influência de grandes grupos de comunicação e plataformas digitais.

“As forças progressistas não manipulam eleições, não são proprietárias de grandes meios de comunicação e plataformas digitais, não destinam somas milionárias de dinheiro para melhorar a imagem dos herdeiros das ditaduras nascidas do Plano Condor. Mas representam a esperança”, diz a declaração.

Ao encerrar o documento, as três entidades reafirmam seu apoio político ao presidente brasileiro e apresentam a mobilização em torno de sua candidatura como parte da resistência internacional à extrema direita.

“Em nome dessa esperança, tornamos pública esta declaração”, afirmam, antes de concluir com uma manifestação de solidariedade ao povo brasileiro.

Fonte: Brasil 247

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