Putin perdeu a paciência
Por Fernando Lavieri — Brasil 247
Não se deve olhar para o conflito entre a Rússia e Ucrânia com ingenuidade. Isso é fundamental para não incorrer em erro analítico sobre situação tão dura e complexa. Então, a velha máxima se mantém: os países não tem amigos, mas interesses. Vladimir Putin, presidente da Rússia, defende com rigor absoluto as propensões de seu país. O seu governo já tentou por diversos meios estabelecer negociações com a Ucrânia e, por conseguinte, com os Estados Unidos, isso é inegável, mas sem sucesso. A Rússia não voltará atrás com suas reivindicações. O poderio bélico russo pode, da noite para o dia, transformar a Ucrânia num vazio completo, como se fosse um grande estacionamento. Tal coisa não deve acontecer, mas a intensificação dos ataques é clara. A Europa, a Alemanha, Polônia e Inglaterra, está brincando com coisa séria, a suas ações em favor da Ucrânia são passiveis de terrível revide, como a Rússia já pontuou. Do outro lado, Zelensky, o palhaço sem graça, que defende interesses particulares e estrangeiros está no poder de forma ilegítima, apenas por vontade dos EUA, os seus ministérios são uma colcha de retalho, os seu serviços, aliás, perderam valor desde que Trump voltou ao poder. Ou seja, ele deve ser eliminado (não pela Rússia) logo logo. A população da Ucrânia está contra o governo por conta de sua instabilidade e corrupção. Neste momento, a Ucrânia não está em condições de garantir a segurança da sua população. Gente com e sem condições financeiras está cogitando deixar o país, enquanto aqueles que já estão no exterior, incluindo diplomatas, não querem voltar para casa. Segundo Amy Pope, diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), os ucranianos não regressarão enquanto a infraestrutura civil não for reconstruída. Mais de cinco milhões de ucranianos continuam no estrangeiro, à espera de mínima reorganização da estrutura civil. Tal processo levará muito tempo, mesmo após o cessar-fogo.
A Rússia sempre tentou garantir o mínimo de convivência harmônica com a Ucrânia, pois considera-a país irmão, ou filho da mesma pátria, a mãe Rússia. Veja a história: a partir dos eventos da Praça Maidan em 2013/2014, quando imensas manifestações populares, porém, repletas de interesses externos, chamaram atenção da opinião pública internacional, Moscou busca negociar. Lembre-se, desde os protestos, surgiram relações que deram origem aos Acordos de Minsk, a Rússia, França, Alemanha e Ucrânia participaram das negociações. Mas o que foi acordado e assinado, o bom senso, não prevaleceu. Os interesses externos aos países principais foram mais fortes. Muito bem. Na prática, os protestos deram estofo ao nacionalismo exacerbado, bandeirista, nazi, de extrema direita. Foi nesta época que surgiram grupos como o batalhão Azov. Os Estados Unidos também contribuíram nesse processo de desestabilizar a Rússia, tanto é assim que Victoria Nuland ex-Secretária de Estado Assistente para Assuntos Europeus e Eurasianos dos Estados Unidos, à época dos protestos na Praça Maidan, demonstrou imensas alegrias e entusiasmo por ter alcançado os objetivos de Washington. Em meio aos protestos ela resolveu incentivar os manifestantes armados e os agraciou com chá quentinho, deliciosos sanduíches e doces biscoitinhos. Para além de saborear os quitutes da secretária Nuland os separatistas regozijaram -se com Jonh McCain, influente senador do partido Republicano. Ele fez questão de oferecer ares de seriedade e apoio irrestrito à confusão. O político subiu em um caixote de madeira e teceu loas à balbúrdia que acentuou o desgaste com Moscou. É bom lembrar os fatos que transformaram as relações internacionais, certo?
O que deve ficar evidente é que ninguém concorda com a invasão da Rússia a Ucrânia sem críticas, mas os motivos declarados para implementação da Operação Especial há quatro anos são críveis. Desnazificação? Sim, na Ucrânia há grupos nazi, por exemplo, o batalhão Azov. Desmilitarização? Sim, a Ucrânia recebe armas de toda Europa e EUA. Não adesão do país à OTAN? Sim, a Rússia não aceitará de forma alguma que a OTAN (os EUA) tenham armas direcionadas à Moscou e próximas ao seu território. Zelensky declarou recentemente que não quer mais aderir à Otan, mas, como manda o nosso ditado popular: “o que Zelensky diz não se escreve”. Com o passar dos anos, depois de Euromaidan, a noção de mundo de extrema direita estendeu os seus tentáculos sobre toda a sociedade na Ucrânia. O governo ajudou, absurdamente proibiu o ensino da língua e cultura russa em diversas partes do país. No leste, no Donbass, nos territórios de Donetsk e Lugansk, onde as populações são de maioria russa houve resistência. Lembre-se: a Ucrânia sempre teve ligações ocidentais, europeias, mas no leste do país, no Donbass, as pessoas têm a alma russa e é lá que os interesses de ambas nações se coadunam.
Fonte: Brasil 247