Oposição bolsonarista atua no Senado para adiar votação do fim da escala 6×1

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – Apesar de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ter reiterado que vai colocar em votação na próxima semana a proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais, os riscos de a análise não se concretizar no prazo previsto são considerados elevados, informa Fabio Graner, do jornal O Globo.

A oposição, politicamente fortalecida pelo resultado das urnas no Congresso Nacional e na disputa presidencial, atua nos bastidores com o objetivo de empurrar a pauta para frente. Em contrapartida, a base aliada e a campanha à reeleição do presidente Lula (PT) tentam subir a temperatura política em torno do tema não apenas para assegurar a votação na semana que vem, mas também para obter dividendos eleitorais.

O fato de as eleições parlamentares já terem sido realizadas favorece a articulação do grupo que busca protelar a tramitação ou, no limite, aprovar emendas que devolvam a matéria à Câmara dos Deputados, evitando o encerramento do assunto antes do fim do primeiro turno. Além disso, com os partidos do centrão abandonando a neutralidade do primeiro turno para declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), o interesse dessas legendas em entregar uma medida que possa favorecer o presidente Lula diminuiu sensivelmente.

Nesse cenário, a campanha bolsonarista tem mantido a posição de apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) elaborada pelo líder da oposição e coordenador-geral da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN). O texto alternativo defendido pela oposição prevê a implantação de uma jornada flexível e abre a possibilidade de pagamento por hora.

Embora esse movimento seja avaliado como arriscado do ponto de vista político, considerando o amplo apoio popular ao fim da jornada 6×1, o campo de Flávio Bolsonaro sustenta a oposição à proposta aprovada na Câmara e mantém a defesa do texto de Marinho. A lógica do grupo é marcar uma diferença de posicionamento e reforçar o discurso de que a medida enviada pela Câmara dos Deputados foi votada de forma apressada e visando interesses eleitorais.

Por outro lado, no campo governista, o presidente Lula adotou uma postura de ataque em sua nova estratégia de atuação nas redes sociais. “Flávio Bolsonaro é contra. Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos. Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel? Quem vive de salário sabe que isso não é escolha”, afirmou o presidente.

Fonte: Brasil 247

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