Trump diz que EUA não atacarão o Irã antes das eleições de novembro

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (8) que o país não atacará o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Segundo a Reuters, o anúncio ocorreu em meio às negociações para encerrar a guerra, que seguem marcadas por divergências sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump classificou o diálogo com Teerã como positivo. “Estamos tendo discussões produtivas com a República Islâmica do Irã”, escreveu. Na mesma mensagem, estabeleceu o prazo para a suspensão dos ataques: “Não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato que serão realizadas nos Estados Unidos em 3 de novembro”.

A declaração não veio acompanhada de um plano detalhado para encerrar o conflito. Embora tenha anunciado que os Estados Unidos não realizarão ataques antes da votação, Trump não esclareceu quais medidas pretende adotar para alcançar um acordo definitivo com o governo iraniano.

O compromisso também foi apresentado como uma decisão americana. A declaração reproduzida pela Reuters não menciona uma suspensão de operações militares por parte de Israel, que participou dos ataques contra o Irã no início da guerra, em fevereiro.

Guerra pesa sobre Trump e os republicanos

O conflito se tornou um fator de desgaste político para o presidente americano e seu partido. Os republicanos disputarão as eleições de novembro com o objetivo de preservar as estreitas maiorias que mantêm no Congresso, em um cenário de insatisfação com a condução da guerra e com o custo de vida.

Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos apontou que cerca de 60% dos americanos desaprovam a maneira como Trump administra a situação no Irã. A rejeição inclui aproximadamente um em cada quatro eleitores republicanos, sinal de que o descontentamento também alcança a base política do presidente.

A guerra provocou uma forte alta nos preços da gasolina, ampliando a pressão econômica sobre os consumidores. O encarecimento dos combustíveis ocorre em um momento em que os eleitores apontam o custo de vida como sua principal preocupação.

Trump tem afirmado repetidamente que espera uma queda nos preços do petróleo depois das eleições. Até agora, segundo a Reuters, não apresentou um plano detalhado para pôr fim à guerra que sustente essa expectativa.

Negociações esbarram no enriquecimento de urânio

Nas últimas semanas, Washington e Teerã trocaram propostas para encerrar as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte mundial de energia. Trump rejeitou a oferta mais recente apresentada pelo governo iraniano, apesar de descrever as conversas como produtivas.

O programa nuclear continua entre os principais pontos de divergência. A mídia estatal iraniana informou nesta quinta-feira, citando o chefe da Organização de Energia Atômica do país, que Teerã não abandonará o enriquecimento de urânio nem entregará seu estoque do material.

A posição foi divulgada dias depois de o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmar à Reuters que o Irã precisa realizar reduções “significativas” em sua capacidade de enriquecimento.

Estados Unidos, Israel e aliados ocidentais acusam há anos o Irã de buscar o desenvolvimento de armas nucleares. O governo iraniano nega essa intenção. A manutenção do enriquecimento e o destino dos estoques de urânio permanecem no centro do impasse diplomático, enquanto os dois países discutem as condições para encerrar a guerra.

Fonte: Brasil 247

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