Se cairmos no abismo, não foi por falta de aviso…
Por Tereza Cruvinel — Brasil 247
247 – O jogo é assim: Flávio Bolsonaro diz uma coisa para os eleitores, em entrevistas, discursos ou redes sociais, e sua equipe diz outra para os agentes do mercado financeiro que apostam alto em sua eleição para presidente. Apesar das negaças do candidato, o aviso está dado. Se cairmos novamente no precipício, desta vez ninguém poderá dizer que foi enganado.
Quando Bolsonaro tomou posse em 2019 e começou a mostrar as garras e a implantar seu programa de desmonte das políticas, muitos dos que votaram nele diziam que foram enganados, que não esperavam nada daquilo: suspensão ou debilitação dos programas sociais, liberação para o desmatamento, militarização da administração pública e rebaixamento da política externa, sem falar no que fez na pandemia, negando-se a comprar vacina em tempo hábil, debochando dos doentes que morriam asfixiados, negando a necessidade do afastamento social e tudo o mais.
Agora vem o filho com o claríssimo propósito de implantar o programa neoliberal que os tubarões do mercado financeiro perseguem desde que derrubaram Dilma. De seu lado, o candidato fala que vai cortar “excessos” e combater a corrupção para conseguir uma redução do gasto público da ordem de R$ 250 bilhões. Mas seus porta-vozes para o mundo dos ricos não deixam dúvidas. O que eles planejam (e não é de hoje) é a desvinculação das aposentadorias dos que ganham o equivalente a um salário mínimo (e eles são mais de 60% do total de aposentados), estendendo esta regra também aos que recebem o BPC (idosos e deficientes de baixíssima renda) e outros benefícios baseados no salário mínimo, como o seguro-desemprego das domésticas e o seguro-defeso.
Flávio nega também que pretenda mexer nos pisos constitucionais que garantem os orçamentos da Saúde e da Educação. Mentira. Seus técnicos sabem que não é possível economizar R$ 250 bilhões cortando penduricalhos. Que seria preciso avançar sobre as maiores despesas do orçamento: previdência, educação e saúde.
Lula reagiu no ato, dizendo que o adversário pretende mesmo é cortar no sangue do povo. Será preciso dizer isso todos os dias desta curta campanha, buscando sensibilizar aqueles que não votaram no primeiro turno e agora podem ser a salvação de sua reeleição.
Flávio negaceia também quando diz que vai retomar o PND – Plano Nacional de Desestatização do governo de seu pai, mas com muita cautela. Mentira. Ele pretende usar uma motosserra como a de Milei para privatizar e cortar gastos.
Fonte: Brasil 247