Encontro Plurinacional na Argentina terá jornada feminista sobre inteligência artificial, soberania digital e violência nas redes

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Por Planeta Ella — Mídia NINJA

Encontro Plurinacional na Argentina terá jornada feminista sobre inteligência artificial, soberania digital e violência nas redes

Iniciativa reúne organizações transfeministas em Córdoba para os impactos da inteligência artificial em um cenário de avanço da extrema direita e disputas eleitorais na América Latina.


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ELLA é uma articulação internacional que parte da cultura e da comunicação para pensar, fortalecer e coletivizar os feminismos.

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8 de outubro de 2026

21:03

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ELLA é uma articulação internacional que parte da cultura e da comunicação para pensar, fortalecer e coletivizar os feminismos.

A inteligência artificial, a vigilância digital e o controle das tecnologias se tornaram questões centrais para os movimentos feministas e transfeministas da América Latina. Quem controla os dados? Quem desenvolve os algoritmos? Como as plataformas digitais interferem na circulação de informações, na organização política e na reprodução das desigualdades?

Essas perguntas estarão no centro do Labirinto TecnoTransFeminista, iniciativa que acontece nesta sexta-feira, 9 de outubro, na Faculdade de Matemática, Astronomia, Física e Computação (FAMAF), da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), na Argentina.

A atividade será realizada como o Dia Zero do 39º Encontro Plurinacional de Mulheres, Lésbicas, Trans, Travestis, Bissexuais, Intersexuais e Pessoas Não Binárias, marcado para os dias 10 a 12 de outubro de 2026, na cidade de Córdoba, explicam as organizadoras.

O encontro é uma das principais articulações históricas dos feminismos argentinos e volta a acontecer em um contexto de políticas negacionistas, ataques às políticas de gênero e questionamento de direitos durante o governo de Javier Milei.

A tecnologia como campo de disputa feminista

O Labirinto parte de uma premissa: a tecnologia não é neutra. Sua produção, seu funcionamento e seus impactos estão atravessados por relações econômicas, políticas, territoriais e de gênero.

Para as organizadoras, “incorporar a inteligência artificial à agenda transfeminista significa ir além da discussão sobre representatividade feminina nas empresas de tecnologia.”

A proposta é questionar quem desenvolve essas ferramentas, quais interesses orientam seu funcionamento, quem controla a infraestrutura e quais populações são excluídas das decisões.

A programação reúne oficinas, investigação colaborativa, documentação de violências, migração para software livre, cuidados digitais, prevenção da exposição de dados pessoais , conhecida como doxing, e construção de servidores e infraestruturas transfeministas.

Também estão previstas uma visita ao centro de supercomputação da Universidade Nacional de Córdoba, atividades artísticas, serigrafia, uma assembleia aberta e um festival de encerramento.

A participação não exige conhecimentos técnicos prévios.

Soberania digital, inteligência artificial e eleições na América Latina

O debate ganha relevância diante da expansão da inteligência artificial generativa, da circulação de notícias falsas, da manipulação de imagens e vídeos e da distorção de dados nas plataformas digitais.

Essas ferramentas podem ser utilizadas para produzir desinformação, amplificar discursos discriminatórios e dificultar a identificação de conteúdos manipulados. Em períodos eleitorais, seus efeitos colocam novos desafios para o acesso à informação e para o debate democrático.

Na América Latina, a discussão se intensifica diante do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para 25 de outubro, e das eleições argentinas previstas para 2027.

Nesse cenário, a soberania digital deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a integrar o debate sobre democracia, direitos e autonomia política.

“Quem controla os sistemas de inteligência artificial e as plataformas por onde circulam as informações também exerce influência sobre as condições em que o debate público acontece”, afirmam os coletivos.

Para os movimentos transfeministas, enfrentar esse cenário exige fortalecer capacidades próprias de comunicação, proteção de dados, verificação de informações e desenvolvimento tecnológico.

Os riscos da desregulamentação sob o governo Milei

Na Argentina, a discussão acontece em meio à orientação do governo de Javier Milei de favorecer o desenvolvimento da inteligência artificial com intervenção regulatória mínima.

Na avaliação das organizadoras, essa perspectiva pode aprofundar desigualdades já existentes e ampliar a exposição de grupos historicamente vulnerabilizados.

Os vieses algorítmicos, por exemplo, podem reproduzir discriminações de gênero, raça e classe presentes nas bases de dados utilizadas para desenvolver sistemas de inteligência artificial.

A ausência de mecanismos de responsabilização também preocupa diante de práticas como assédio organizado, divulgação não consentida de imagens íntimas, vigilância e exposição de informações pessoais.

Outro ponto central é a concentração da infraestrutura tecnológica em grandes corporações, majoritariamente estrangeiras.

O funcionamento dos sistemas de inteligência artificial depende de centros de dados, capacidade computacional, energia, água e territórios. Por isso, as organizadoras defendem que discutir tecnologia também significa discutir colonialismo, extrativismo e desigualdade global.

Construir tecnologias próprias também é construir autonomia

A proposta do Labirinto não se limita à denúncia dos problemas associados às novas tecnologias.

As atividades buscam compartilhar experiências concretas de autonomia digital, desde a adoção de programas de código aberto até a construção de servidores próprios e estratégias coletivas de proteção contra a violência online.

Essas práticas partem do entendimento de que organizações e movimentos sociais não precisam depender exclusivamente de plataformas comerciais para desenvolver suas atividades, preservar informações e sustentar suas redes.

A iniciativa também pretende aproximar conhecimentos técnicos de experiências territoriais e políticas, ampliando o acesso às ferramentas digitais.

Um debate que chega ao Encontro Plurinacional

A realização do Labirinto como Dia Zero busca inserir a soberania tecnológica nas discussões que historicamente atravessam o Encontro Plurinacional: autonomia dos corpos, violência de gênero, trabalho, cuidados, território e direitos humanos.

Ao longo de quase quatro décadas, o encontro se consolidou como um espaço de articulação de mulheres e diversidades de diferentes regiões da Argentina.

Em 2026, sua realização em Córdoba ocorre em um contexto de disputas sobre o papel do Estado, a garantia de direitos e a participação dos movimentos feministas na vida pública.

A proposta do Labirinto TecnoTransFeminista é ampliar essa agenda para um território cada vez mais decisivo: o digital.

Em um cenário de concentração tecnológica, desinformação e disputas eleitorais, as organizadoras defendem que os feminismos precisam participar não apenas das discussões sobre os impactos da inteligência artificial, mas também das decisões sobre como essas tecnologias são desenvolvidas, utilizadas e controladas.

O desafio é transformar a tecnologia de uma estrutura aparentemente distante e inevitável em um campo de construção coletiva, autonomia e disputa política.

Fonte: Mídia NINJA

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