Lula torna a criticar as bets: “virou uma desgraça para o povo pobre”
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8/10/2026 20:51
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar as casas de apostas nesta quinta-feira (8). O chefe do Executivo responsabilizou o setor pelo comprometimento da renda das famílias de baixa renda e rebateu as reclamações dos clubes de futebol sobre a perda de contratos de patrocínio após a proibição das plataformas.
Lula reconheceu que a decisão provocou insatisfação entre setores beneficiados pelas apostas, mas descartou recuar diante da pressão. “E, enquanto eu for presidente, nós não vamos permitir que o leite, o pão, o feijão, sabe, da família, seja utilizado para enriquecer e para dar mais dinheiro nesse país”, declarou.
Críticas aos clubes de futebol
O presidente também direcionou suas críticas aos dirigentes esportivos, que manifestaram preocupação com os efeitos da proibição sobre as receitas das equipes. “Os times de futebol não têm nenhuma razão quando falam que o futebol vai morrer”, declarou.
Lula lembrou que a seleção brasileira conquistou seus cinco títulos mundiais antes da expansão das casas de apostas e mencionou conquistas internacionais de clubes como Flamengo, São Paulo, Grêmio, Internacional e Corinthians. Para o presidente, esses resultados demonstram que o futebol brasileiro não depende do setor para manter suas atividades.
O chefe do Executivo também questionou a relação financeira dos clubes com seus torcedores. “Os times também não têm o direito de extorquir os torcedores que já gastam dinheiro para ir no estádio”, criticou.
Como alternativa aos patrocínios das casas de apostas, Lula defendeu a adoção de modelos empresariais de gestão, com a possibilidade de transformação dos clubes em sociedades anônimas do futebol (SAFs). O presidente lembrou que a profissionalização das equipes é discutida há décadas. “Por que não estão virando? Porque encontraram a facilidade no cassino”, apontou.
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Proibição das bets
Em 25 de setembro, Lula editou a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional. A decisão atingiu tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, incluindo plataformas anteriormente autorizadas pelo Ministério da Fazenda.
As empresas tiveram até 5 de outubro para retirar suas campanhas publicitárias e encerrar as operações, com a suspensão das plataformas a partir do dia 6. A MP também determinou a devolução dos valores mantidos nas contas dos apostadores.
A proibição provocou resistência de empresas do setor e de clubes de futebol, que alegam prejuízos financeiros e insegurança jurídica. Entidades representativas recorreram ao STF para tentar suspender os efeitos da MP, em processos sob relatoria do ministro Luiz Fux.
A norma permanece em vigor, mas ainda depende de aprovação do Congresso Nacional para continuar valendo definitivamente. Durante a tramitação, deputados e senadores poderão modificar o texto ou rejeitar a proibição.
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Fonte: Congresso em Foco