Lindbergh compara Flávio Bolsonaro a Collor e aposta em levante estudantil (vídeo)

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) comparou o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Fernando Collor de Mello e manifestou confiança na capacidade das mobilizações estudantis de influenciar os rumos políticos do Brasil. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar recordou a própria participação no movimento dos caras-pintadas, em 1992, e associou as manifestações atuais à defesa da educação pública, dos direitos sociais e à oposição às propostas econômicas discutidas pela equipe do senador.

A manifestação de Lindbergh ocorre após reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta quinta-feira (8), revelar que integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro estudam mudanças nas regras de reajuste da Previdência Social e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de alterações nos pisos constitucionais de saúde e educação. O pacote em análise busca viabilizar um ajuste fiscal de aproximadamente R$ 250 bilhões. O candidato nega que pretenda reduzir os reajustes das aposentadorias e afirma que as medidas divulgadas não integram seu programa oficial de governo.

Ao comentar a mobilização dos estudantes, Lindbergh destacou o sentimento de esperança que as manifestações despertam e estabeleceu uma ligação entre o cenário político atual e sua experiência na liderança do movimento estudantil durante a crise que culminou no impeachment de Collor.

“Meu coração tá batendo com muita esperança com esse levante dos estudantes brasileiros”, afirmou o deputado, ao destacar que a mobilização ocorre em diferentes regiões do país.

O parlamentar recordou que participou das manifestações de 1992, quando estudantes organizaram protestos contra o governo Collor. Na avaliação dele, a nova geração demonstra disposição para participar das decisões políticas nacionais e defender seus interesses.

O deputado também traçou um paralelo entre Flávio Bolsonaro e o ex-presidente, especialmente em relação às propostas econômicas e ao uso dos símbolos nacionais nas disputas políticas. “Flávio Bolsonaro é a cara do Fernando Collor de Mello”, pontuou.

O petista lembrou que a pintura dos rostos com as cores verde e amarelo se tornou uma das marcas dos protestos estudantis de 1992. Segundo ele, a adoção desses símbolos representou uma resposta à tentativa de Collor de associar sua imagem política à bandeira brasileira.

Na interpretação de Lindbergh, as semelhanças também alcançam a orientação econômica dos dois projetos políticos. O deputado classificou o programa de Collor como uma tentativa de aplicar reformas neoliberais e relacionou essa experiência às medidas fiscais discutidas por integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro.

“O projeto do Collo era um projeto de implantação de um modelo neoliberal radical, que não sustentou”, disse.

Previdência, saúde e educação

O principal alvo das críticas do parlamentar foi a possibilidade de alterar a vinculação dos reajustes previdenciários e assistenciais à valorização do salário mínimo.

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro considera medidas capazes de reduzir despesas obrigatórias da União em cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Entre as alternativas discutidas está a possibilidade de limitar à inflação os reajustes de aposentadorias e do BPC, mesmo quando o salário mínimo registrar aumento real.

O BPC garante um salário mínimo mensal a idosos com pelo menos 65 anos e pessoas com deficiência que atendam aos critérios de renda estabelecidos pela legislação. O benefício integra a política de assistência social e não exige contribuições anteriores à Previdência.

Lindbergh afirmou que as mudanças poderiam comprometer a renda de aposentados, pensionistas e famílias que dependem da assistência social. “Eles querem fazer um corte de R$ 250 bilhões”, declarou.

O parlamentar também criticou a possibilidade de alterar os mecanismos constitucionais que determinam os investimentos mínimos em saúde e educação. Na avaliação dele, a combinação dessas medidas comprometeria o financiamento de serviços públicos e a proteção social das famílias de menor renda. “Eles, na verdade, têm um plano. O plano é atacar violentamente a educação, a saúde pública. É um arrocho em cima dos mais pobres”, afirmou.

Deputado relembra caras-pintadas e destaca manifestações no Rio

Ao recuperar a experiência dos caras-pintadas, Lindbergh procurou destacar o papel dos estudantes na participação política brasileira. Em 1992, o movimento estudantil ganhou projeção nacional com manifestações que exigiam a saída de Fernando Collor da Presidência, em meio à crise provocada por denúncias de corrupção.

As mobilizações daquele período reuniram estudantes secundaristas, universitários e entidades representativas em atos realizados em diversas capitais. Os protestos integraram o processo de pressão popular que acompanhou a tramitação do impeachment no Congresso Nacional.

O deputado Lindbergh Farias, que participou daquele movimento, afirmou enxergar na atual mobilização estudantil a possibilidade de uma nova geração exercer influência sobre o debate nacional.

O deputado mencionou atos realizados no Rio de Janeiro e anunciou outra manifestação estudantil na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), reforçando a importância que atribui à participação dos jovens na discussão sobre políticas públicas.

Na parte final de seu pronunciamento, o parlamentar voltou a relacionar a mobilização à defesa dos serviços públicos e da população de menor renda. “Mas eu confio nessa juventude. Essa juventude que vai continuar indo para as ruas”, declarou.

Votação

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) registrou 47% (56 milhões dos votos válidos) e o presidente Lula, 45,16% (53 milhões), no primeiro turno da eleição, que ocorreu no último domingo (4). O segundo turno foi marcado para acontecer no próximo dia 25 de outubro.

A JUVENTUDE VAI FAZER HISTÓRIA DE NOVO!

Em 1992, fui às ruas com os caras-pintadas. Hoje, vejo essa nova geração se levantar e meu coração se enche de esperança.

É a juventude tomando as ruas para defender a educação pública, os direitos do povo e decidir os rumos do Brasil.… pic.twitter.com/TlAOb4vnL1

— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) October 8, 2026

Fonte: Brasil 247

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