Deputados eleitos chegam à Câmara com propostas para regular trabalho por aplicativos
Por Edoardo Ghirotto — JOTA
Ao menos dez deputados federais que tiveram votações expressivas para um primeiro mandato na Câmara dos Deputados chegarão a Brasília com ideias formadas sobre os trabalhos prestados por meio de aplicativos.
Assim como o restante da pauta digital, a proteção aos direitos trabalhistas de entregadores e motoristas teve papel nulo durante a eleição. Mas este será um assunto que deve voltar a ganhar tração em 2027, devido à importância que a questão previdenciária tende a adquirir no debate público.
A regulação tem maior papel entre os neófitos da esquerda. Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, foi a segunda deputada mais votada de Minas Gerais, com mais 500 mil votos. Foi uma das poucas candidatas que gravou mídias durante a campanha defendendo mais obrigações para as plataformas digitais.
Elisa ilustra um fenômeno que merece atenção após a eleição. Apesar de ter sido eleita para o primeiro mandato, a petista tem 2,4 milhões de seguidores somente no Instagram, o que poderá influenciar as discussões sobre pautas sensíveis no Congresso.
A título de comparação, Erika Hilton (PSOL-SP) atingiu a marca de 3 milhões de seguidores em novembro de 2024, quando passou a defender com mais afinco o fim da escala 6×1. Hoje, Hilton tem pouco mais de 5 milhões de seguidores e tornou-se a mulher mais votada da história, com mais de 1,5 milhão de votos.
Em termos de influência, Jones Manoel (PSOL-PE) exerce papel semelhante ao de Ana Elisa na rede, com 2,1 milhões de seguidores. O deputado, contudo, tem visão mais à esquerda sobre a regulação, com o reconhecimento de vínculos e a criação de um aplicativo “nacional e soberano” para rivalizar com empresas.
Ainda à esquerda, Rick Azevedo (PSOL-RJ), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Fábio Félix (PSOL-DF) despontam como nomes que mantêm graus de afinidade com grupos de entregadores que fazem cobranças mais rígidas às plataformas.
Luna Zarattini (PT-SP) e Bella Gonçalves (PT-MG) são outras deputadas que chegam à Câmara após terem apresentado projetos para regular aplicativos nas instâncias municipal e estadual, respectivamente.
Direita
Já à direita, o destaque vai para Jessé Sangalli (PL-RS), que foi o vereador mais votado de Porto Alegre em 2024 e fez campanha ativa na capital gaúcha contra o PLP 12/2024, de autoria do governo federal e que regulava as plataformas de mobilidade.
Em São Paulo, Lucas Pavanato (PL), eleito com mais de 3 milhões de votos, foi o único vereador a votar contra o projeto de lei que regulamentou o transporte de moto por aplicativo, por entender que o texto criava excesso de burocracias.
O Sargento Nantes (PP-SP), outro vereador paulista que irá para a Câmara, foi a favor do projeto sobre motos por aplicativo. E, além disso, protocolou um texto que permitiria às mulheres escolherem apenas motoristas do sexo feminino em aplicativos de mobilidade.
Fonte: JOTA