Pedro Rousseff defende que Lula endureça discurso contra roubos e criminalidade

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Por Aquiles Lins — Brasil 247

247 – O deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG) defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote um discurso mais firme sobre segurança pública, com atenção especial a crimes que afetam o cotidiano da população, como roubos de celulares e assaltos no transporte coletivo. Segundo ele, o combate à criminalidade precisa ocupar uma posição central na campanha de Lula no segundo turno das eleições presidenciais.

Em entrevista ao programa Radar News, do SBT News, nesta quinta-feira (8), Rousseff afirmou ter apresentado ao presidente propostas para reformular a estratégia eleitoral. De acordo com o parlamentar, o PT precisa enfrentar a percepção de que é tolerante com criminosos e demonstrar maior compromisso com o policiamento ostensivo, a inteligência policial e o endurecimento das punições.

“Nós, do PT, e o próprio Lula ficamos com essa queixa de defensores de bandidos, de que nós passamos a mão na cabeça de bandidos e criminosos, coisa que nós não fazemos. Tanto que, hoje, o presidente Lula falou enfaticamente qual será o nosso novo lema: ‘Para o trabalhador, proteção; e para o bandido, a prisão’”, declarou.

O deputado reconheceu que o partido não deu a devida importância aos delitos que atingem diretamente os trabalhadores, embora tenha concentrado esforços no enfrentamento de organizações criminosas. Na avaliação dele, essa deficiência prejudicou tanto a atuação política quanto a comunicação do governo sobre segurança.

Roubos de celulares e policiamento nas ruas

Rousseff afirmou que a campanha precisa demonstrar preocupação concreta com a violência enfrentada diariamente pela população. Para ele, furtos, roubos e assaltos não podem receber tratamento secundário no debate sobre segurança pública.

“Ao longo dos últimos quatro anos deste mandato, a gente conseguiu, com muita qualidade, combater o crime organizado. Mas nós fizemos um péssimo trabalho não só no combate, mas também na forma de nos comunicarmos, de como a gente combate aquele vagabundo que rouba um telefone na rua, que assalta alguém no ônibus. Os chamados ‘pequenos crimes’, que não são pequenos crimes, porque são eles que atormentam a população brasileira todos os dias, nós não levamos a sério”, afirmou.

O parlamentar defendeu uma combinação de maior presença policial nas ruas, investimentos em inteligência e regras penais mais rigorosas. Segundo ele, o PT deve abandonar a postura defensiva diante das críticas dos adversários sobre sua atuação na área.

“Nós temos que aumentar para ontem a rigidez no sistema penal e colocar, sim, mais investimento no policiamento de rua, mais investimento na inteligência de rua.”

A proposta representa uma tentativa de reposicionar o discurso eleitoral de Lula em um tema frequentemente explorado pela oposição. Rousseff considera que o partido precisa responder às preocupações concretas dos eleitores, em vez de limitar sua comunicação à apresentação de resultados do governo no enfrentamento do crime organizado.

Deputado cobra renovação do discurso do PT

Além da segurança pública, Rousseff defendeu mudanças profundas na estratégia de comunicação da campanha presidencial. Segundo ele, a utilização de formatos mais informais nas redes sociais, incluindo vídeos gravados pelo próprio candidato, pode ajudar a alcançar novos públicos, mas não resolve o problema central.

O deputado argumentou que a campanha precisa modificar o conteúdo das mensagens e apresentar propostas capazes de dialogar com as transformações da sociedade brasileira.

“O PT é um partido que envelheceu, envelheceu e muito”, afirmou.

Na avaliação do parlamentar, a dificuldade de renovar lideranças e atualizar o discurso político afastou o partido de setores importantes do eleitorado, especialmente trabalhadores que não se identificam com as formas tradicionais de organização profissional.

Rousseff destacou a necessidade de ampliar o diálogo com profissionais autônomos, entregadores, motoboys e trabalhadores vinculados a plataformas digitais. Segundo ele, parte desse público valoriza a autonomia e não deseja necessariamente estabelecer relações de emprego regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“Nós vamos entender de forma prática como que a gente faz para poder ajudar os trabalhadores que são independentes, sem querer mostrar para eles e sem querer forçar para eles que nós queremos que o Estado fique em cima deles.”

O parlamentar defendeu que o governo desenvolva mecanismos de proteção social compatíveis com essas modalidades de trabalho, sem transmitir a ideia de que pretende restringir a independência profissional.

Campanha precisa apresentar propostas para o futuro

Outro ponto considerado decisivo por Rousseff é a necessidade de Lula concentrar sua comunicação nos projetos para um eventual novo mandato, em vez de priorizar as realizações de administrações anteriores.

O deputado reconheceu a importância de programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Programa Universidade para Todos (ProUni) e Farmácia Popular, mas avaliou que a divulgação dessas políticas, isoladamente, não será suficiente para conquistar os votos necessários à vitória.

“Nós vamos só ganhar as eleições quando a gente começar a falar sobre futuro.”

Para Rousseff, o segundo turno exige uma estratégia direcionada especialmente aos eleitores que não se identificam com nenhum dos candidatos, incluindo aqueles que votaram em branco ou anularam o voto.

O parlamentar defendeu que a campanha apresente compromissos concretos para os próximos quatro anos e amplie o debate sobre as propostas do adversário. Ele também incluiu o Supremo Tribunal Federal (STF) entre os assuntos que precisam ser abordados de maneira diferente pelo presidente.

“Se não houver uma mudança, um cavalo de pau, não só na forma de se comunicar, mas o que que a gente comunica falando sobre Supremo, segurança pública e plano pro futuro, não só sobre passado”, completou.

As declarações evidenciam uma cobrança interna por mudanças na campanha petista. Na avaliação de Rousseff, a vitória de Lula dependerá não apenas da capacidade de mobilizar seus apoiadores tradicionais, mas também de apresentar respostas às preocupações de eleitores que ainda não aderiram à sua candidatura.

Fonte: Brasil 247

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