Deputadas acionam Procuradoria Eleitoral contra site que oferece criptomoedas por apoio a Flávio Bolsonaro
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A deputada estadual reeleita Ediane Maria (PSOL) e a deputada federal eleita Natália Boulos (PSOL) apresentaram, nesta quinta-feira (8), uma notícia-crime à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para solicitar a investigação dos responsáveis pelo site Brasil 22 Token, que oferece criptomoedas a usuários em troca da divulgação de conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, a representação foi apresentada após a revelação de que a plataforma passou a distribuir ativos digitais, conhecidos como tokens, como recompensa pela publicação de mensagens e vídeos de apoio eleitoral ao candidato. As parlamentares querem que a Justiça Eleitoral apure possíveis irregularidades, identifique os responsáveis pela iniciativa e determine a retirada das páginas relacionadas ao projeto.
O mecanismo começou a funcionar na terça-feira (6) e prevê a distribuição de tokens a usuários que compartilharem a mensagem B22 e conteúdos que incentivem o voto em Flávio Bolsonaro. Entre as ações mencionadas está a divulgação, nas redes sociais, da participação no projeto.
A denúncia também chama a atenção para uma publicação que associa a possível valorização da criptomoeda à vitória eleitoral do candidato. Para as parlamentares, as circunstâncias justificam uma investigação sobre a utilização de ativos digitais como incentivo à propaganda política.
Deputadas pedem rastreamento de transações e apuração de possível vínculo com campanha
Na notícia-crime, Ediane Maria e Natália Boulos solicitam que as autoridades identifiquem as pessoas responsáveis pela criação e operação do Brasil 22 Token, além de rastrear as transações realizadas por meio da plataforma.
Outro ponto considerado relevante pelas parlamentares é a necessidade de esclarecer se integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro participaram da iniciativa ou tinham conhecimento de seu funcionamento.
A representação, entretanto, não apresenta provas de ligação entre o projeto e o candidato. A existência de eventual participação da campanha é justamente uma das questões que as deputadas pretendem esclarecer com a investigação.
As parlamentares também pedem a retirada das páginas do ar e a abertura de uma apuração sobre possíveis crimes eleitorais relacionados ao funcionamento da plataforma e à distribuição das recompensas digitais.
Vídeo com crianças pedindo votos integra representação
Entre os materiais apresentados pelas deputadas está um vídeo publicado por um perfil associado à entidade HypersKids, no qual crianças aparecem solicitando votos para Flávio Bolsonaro.
O conteúdo foi incluído na representação como um dos exemplos de propaganda eleitoral divulgada no contexto do projeto. A participação de crianças em uma peça de incentivo ao voto é, portanto, mais um elemento levado ao conhecimento da Procuradoria-Geral Eleitoral.
As autoras também destacam uma publicação que promete valorização do token caso Flávio Bolsonaro vença a eleição. A associação entre o resultado eleitoral e a expectativa de ganho financeiro é outro aspecto que deverá ser examinado pelas autoridades, caso a investigação seja instaurada.
Plataforma nega ligação oficial com políticos e campanhas
O Brasil 22 Token afirma que sua iniciativa é independente e não possui vínculo oficial com candidatos, partidos políticos ou campanhas eleitorais.
Em manifestação reproduzida pela Folha, os responsáveis pelo projeto apresentaram a iniciativa como “um movimento que une apoio ao voto 22 e a proposta de ajudar as HypersKids a concluir sua casa em Kampala”.
A plataforma também declarou: “O Brasil 22 Token defende o voto 22 por acreditar nessa proposta para um Brasil melhor. Essa é a posição do movimento, apresentada ao público geral.”
As manifestações deixam explícito o posicionamento eleitoral dos responsáveis pelo projeto, embora eles neguem qualquer relação institucional com a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A investigação solicitada pelas deputadas busca esclarecer, entre outros pontos, quem administra a plataforma, como funciona a distribuição dos tokens e qual a origem dos recursos envolvidos nas operações.
Campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos
A campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou na reportagem original da Folha que revelou o funcionamento da plataforma e serviu de base para a representação eleitoral.
Posteriormente, a coluna de Mônica Bergamo voltou a procurar a campanha para obter um posicionamento sobre a notícia-crime apresentada pelas parlamentares, mas não recebeu resposta até a publicação.
A reportagem também encaminhou questionamentos à Spaceship, Inc., empresa identificada como registradora do domínio utilizado pelo Brasil 22 Token. A companhia igualmente não respondeu dentro do prazo informado pelo jornal.
A notícia-crime representa um pedido formal de apuração, e não uma conclusão sobre a existência de delitos. Caberá às autoridades eleitorais avaliar os elementos apresentados e decidir sobre a adoção de medidas investigativas.
O caso coloca sob análise o uso de criptomoedas como possível instrumento de incentivo à divulgação de propaganda eleitoral nas redes sociais, especialmente diante da promessa de recompensas financeiras associadas à promoção de uma candidatura.
Fonte: Brasil 247