Flávio Bolsonaro diz que não vai congelar aposentadorias, se eleito

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira (8) que pretende conceder reajustes de aposentadorias acima da inflação caso seja eleito para o Palácio do Planalto. A promessa do senador ocorre mesmo diante da defesa de um rigoroso ajuste nas contas públicas por parte de sua campanha, na ordem de R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhões, gerando um impasse orçamentário considerável, uma vez que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) responde por metade de todos os gastos do governo federal.

Questionado sobre a possibilidade de desvincular os benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, o parlamentar descartou medidas de contenção de despesas voltadas aos aposentados, embora não tenha detalhado de que maneira pretende conciliar o aumento real com a meta fiscal. “Aposentado, fique tranquilo”, declarou o candidato.

Impacto fiscal desafia plano de corte de gastos

A promessa de valorização real dos benefícios amplia substancialmente os desafios para o programa de ajuste fiscal defendido pelo candidato liberal, cuja equipe econômica projeta uma economia da ordem de 1,5% do Produto Interno Bruto, o equivalente a cerca de R$ 200 bilhões. As despesas obrigatórias com a Previdência Social representam metade do orçamento federal, absorvendo montantes expressivos projetados em R$ 1,2 trilhão para o custeio dos benefícios previdenciários no próximo ano. Concessões de reajustes acima da inflação elevam essas despesas de forma permanente.

Atualmente, as aposentadorias que correspondem ao piso previdenciário acompanham a política de valorização do salário mínimo, que assegura ganhos reais automáticos. Em contrapartida, os pagamentos superiores ao piso são reajustados anualmente de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, sem previsão legal de aumento real automático. Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), a política salarial seguiu estritamente a reposição inflacionária.

Justificativa baseada na vivência familiar e promessas de combate a desvios

Para fundamentar sua posição contrária a cortes nos benefícios, o senador citou supostas dificuldades financeiras enfrentadas por seus próprios familiares, mencionando a situação de sua avó. “Minha avó é professora aposentada do estado. Eu sei a dificuldade que ela tem de fazer compra no final do mês. Meus irmãos têm que ajudar a minha avó e meu avô de vez em quando, porque os dois são aposentados. O Brasil é riquíssimo e tem muito de onde tirar, argumentou o parlamentar ao defender a viabilidade de suas propostas sociais”.

Para compensar o impacto financeiro de eventuais aumentos reais nas aposentadorias, o candidato indicou que pretende buscar recursos no combate à corrupção e ao desperdício de verbas públicas.

Fonte: Brasil 247

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