Com mobilização das centrais sindicais, debate pelo fim da escala 6×1 avança no Senado

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

Representantes das centrais sindicais estiveram em Brasília, nesta semana, para acompanhar no Senado os debates sobre a PEC 221/2019, que garante a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. As entidades defendem a jornada semanal de 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial.

Na terça-feira (6), o Senado iniciou a discussão da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados, que prevê uma redução gradual da jornada semanal dos trabalhadores brasileiros. De acordo com o texto, o limite passaria inicialmente de 44 para 42 horas semanais e, posteriormente, seria reduzido para 40 horas, mantendo integralmente os salários.

Dirigentes sindicais acompanham a tramitação e pressionam por avanços na proposta, considerada pelas entidades uma medida essencial para melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida da população. “As centrais estão unidas e vamos continuar mobilizados para que o Congresso transforme essa reivindicação histórica em direito”, afirmou o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.

Durante os debates, o senador Paulo Paim reafirmou seu apoio à redução da jornada de trabalho e destacou os impactos sociais, econômicos e trabalhistas da medida.

“Reduzir a jornada não é trabalhar menos para produzir menos; é trabalhar melhor, é modernizar a economia e produzir mais. Se a tecnologia aumentou tanto a capacidade de produzir, por que o trabalhador continua preso a uma jornada da época ainda de décadas e décadas atrás? Se tudo está mudando, por que a jornada do operário, do trabalhador, deveria permanecer congelada como no passado?”, questionou.

Paim também rebateu críticas de que a redução da jornada poderia prejudicar a economia: “A redução da jornada não pode ser tratada como sinônimo de desemprego; pelo contrário, ela tem que ser tratada como exemplo de mais emprego. Ela pode distribuir horas de trabalho; estimular novas contratações; aumentar o tempo disponível para consumo, lazer, educação, serviços; e pode movimentar a economia. Uma pessoa descansada trabalha com mais concentração, mais segurança e mais capacidade de aprendizado”, declarou.

O senador Confúcio Moura (MDB-RO) também se manifestou em apoio à PEC. “Em São Paulo e outras capitais e regiões metropolitanas, um trabalhador de periferia distante consome 14 horas. Levanta às 4h da manhã para pegar seu ônibus, e o retorno é a mesma coisa”, disse.

Antes de ser votada em 1º turno, a PEC precisa passar obrigatoriamente por cinco sessões de discussão em Plenário. A primeira sessão ocorreu na terça-feira (6), a segunda ontem (7) e, hoje (8), acontece a terceira sessão. Conforme o calendário, a votação fica agendada para próxima semana.

SENADORES DO PL TENTA ADIAR VOTAÇÃO

Em contraponto à mobilização de diversos setores do país, senadores bolsonaristas tentam adiar a votação para depois do segundo turno. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), disse que a discussão seria “oportunista”.

O argumento foi rebatido por Confúcio Moura: “Há muita gente falando que é casuísmo votar a escala 5×2 agora. Não tem nada a ver. Ela estava na agulha para ser votada, e, no Congresso, praticamente de julho para cá, nós não trabalhamos, voltamos agora. Este é o momento intensivo de a gente pegar essas pautas que estavam acumuladas, engavetadas e dar provimento a elas”, argumentou.

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Fonte: Hora do Povo

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