O plano econômico de Flávio Bolsonaro: cortar R$ 200 bilhões de áreas sociais para enriquecer banqueiros

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Por Redação — Esquerda Diário

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Flávio Bolsonaro e seus assessores têm evitado fazer discussões mais concretas de seu plano econômico, certamente preocupados pelos impactos eleitorais que teriam caso fossem honestos sobre o que planejam fazer. Mas os cortes de R$ 200 bilhões no orçamento tem um alvo bem definido: os pisos da saúde e da educação e as aposentadorias do INSS.

Flávio Bolsonaro e seus assessores têm evitado fazer discussões mais concretas de seu plano econômico, certamente preocupados pelos impactos eleitorais que teriam caso fossem honestos sobre o que planejam fazer.

Sua principal assessora econômica, Daniella Marques, em entrevista a um podcast da Folha de São Paulo, em agosto, falou sobre uma suposta gastança do governo federal e falou de fazer um ajuste de 1,5% do PIB, o que representaria cerca de R$ 190 bilhões, e que seria feito a partir de uma PEC.

Ela, no entanto, se irritou e não respondeu uma pergunta simples: quais gastos seriam cortados. Falou de imóveis União, supersalários e penduricalhos, mas não disse de onde viriam as outras dezenas de milhões de reais que está prometendo cortar. O governo de Jair Bolsonaro deixou claro de onde ele cortava gastos: da educação, da saúde, de bolsas de pesquisa, dos aposentados e pensionistas do INSS, que ficaram 4 anos sem reajuste real no salário mínimo.

Daniella declarou também que o governo de Milei era um exemplo em seu manejo das contas públicas. Mais uma indicação de onde serão cortados os R$ 200 bilhões prometidos. O brutal ajuste fiscal de Milei tem sido uma catástrofe para os trabalhadores e aposentados argentinos. Os salários reais caíram 8% desde o início do governo de Milei, a informalidade chega a 45% e a pobreza a 32%. A situação dos aposentados é ainda pior: uma queda de 23% na renda desde o início do governo, com uma aposentadoria mínima que não cobre nem um quarto da cesta de bens necessária para um aposentado.

Reportagem, também da Folha de São Paulo, mostra quais foram as promessas de Flávio e membros de sua campanha para empresários em relação aos cortes de gastos. Um tesouraço de R$ 250 bilhões, começando uma medida que tem sido propagada há anos pelo mercado financeiro: desvincular o piso dos benefícios do INSS do salário mínimo. Isso significa diminuir a renda de aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC, que passariam a receber menos de um salário mínimo, sendo empurrados para níveis mais profundos de pobreza e também de endividamento.

A outra grande medida seria o fim do piso constitucional da saúde e da educação, representando uma precarização ainda maior de serviços essenciais para a população. Outro assessor de Flávio, Luiz Felipe Trevisan, afirmou que a ideia seria promover uma Super PEC da Transição antes mesmo do início do mandato com tais medidas. Propostas que constam em um documento feito por Adolfo Sachsida, também da equipe de campanha de Bolsonaro, falam de acelerar privatizações, redução de carga tributária para empresas, flexibilização nas regras de licenciamento ambiental para empresas, exploração de petróleo na Margem Equatorial e ampliação da mineração.

A ideia é muito clara. Mais extrativismo, inclusive com entrega das terras raras para o imperialismo americano, e menos impostos para empresas. Ao mesmo tempo, menos recursos para serviços básicos e menos renda para aposentados. Não surpreende que a campanha de Flávio seja tão vaga em suas propostas econômicas, afinal nenhum candidato iria dizer ao longo da campanha que pretende aumentar a pobreza, as filas nos hospitais e expulsar estudantes pobres das universidades federais, mesmo que seja a isso que indica o programa que ele apresenta em reuniões privadas.

Não surpreende, também, a reação positiva do mercado financeiro à vitória da extrema-direita no último domingo. A bolsa saltou quase 8%, ao seu maior nível histórico, o dólar caiu e os juros futuros da dívida pública, formados a partir da expectativa do próprio mercado, tiveram uma queda acentuada. Afinal, o dinheiro poupado em outras áreas seria direcionado exatamente ao próprio mercado financeiro, na forma de pagamento dos juros da fraudulenta dívida pública.

Apenas em 2025 foram mais de R$ 900 bilhões pagos apenas em juros pelo governo federal. O crescimento da dívida pública, tão falado na mídia, é causado pelos juros dela própria, não pelos investimentos em saúde e educação. A dívida pública se tornou o elemento central do orçamento público, sendo paga religiosamente por todos os governos. As regras fiscais, como o Teto de Gastos de Temer ou o Novo Arcabouço de Lula e Haddad, estão a serviço de garantir melhores condições para este pagamento, as custas dos serviços e dos funcionários públicos. Se hoje em dia a austeridade já cria uma precariedade já é visível em muitos serviços, e o salário mínimo segue muito abaixo do necessário para viver, os cortes de Flávio Bolsonaro viriam para piorar muito mais a situação.

Flávio Bolsonaro e Daniella Marques. (Foto: Reprodução)

Fonte: Esquerda Diário

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