Lula reforça comando de campanha com líderes do Nordeste
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu ampliar o comando de sua campanha à reeleição com três lideranças petistas do Nordeste, após criticar a organização da disputa no primeiro turno. Segundo o g1, Camilo Santana, Rui Costa e Rafael Fonteles assumirão responsabilidades políticas, de agenda e de comunicação, respectivamente, em uma estratégia para aumentar a votação na região. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, seguirá como coordenador-geral.
A reorganização ocorre depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar a primeira etapa da eleição presidencial à frente de Lula, resultado que contrariou as expectativas do PT. De acordo com a reportagem, dirigentes da campanha avaliam que o Nordeste oferece o maior potencial para o presidente conquistar votos e superar a vantagem do adversário no segundo turno.
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, ficará responsável pela coordenação política. O senador eleito Rui Costa (PT-BA), que comandou a Casa Civil e o governo da Bahia, cuidará da agenda. Já o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), assumirá a coordenação da comunicação.
Integrantes da cúpula ouvidos pelo g1 afirmam que a entrada dos três não implicará a saída dos atuais coordenadores. Edinho permanecerá no posto, mas passará a compartilhar as decisões com as novas lideranças.
Lula critica organização da campanha
A avaliação do próprio presidente sobre o desempenho da campanha foi exposta durante uma plenária com parlamentares petistas. Lula afirmou que a estrutura poderia ter produzido resultados melhores e relatou ter levado sua insatisfação a Edinho.
“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, disse Lula.
Nos bastidores, a revisão da estratégia é acompanhada por acusações entre integrantes da campanha sobre a responsabilidade pelos erros do primeiro turno. Conforme o g1, Edinho enfrenta críticas por concentrar decisões e insistir na apresentação do legado de Lula em um cenário de avaliação negativa do governo.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, também é questionado. As críticas dirigidas a ele apontam a prioridade dada à defesa da soberania e às terras raras, em detrimento de assuntos com impacto mais imediato no cotidiano dos eleitores.
Embora não ocupe uma função formal na campanha, Sidônio participa do grupo que auxilia Lula na definição das principais estratégias eleitorais. Esse núcleo também reúne Edinho, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Sidônio é ainda sócio de Raul Rabello, responsável pelo marketing da campanha.
Aliados defendem maior participação de Alckmin
A composição do grupo dirigente também entrou no debate interno. Em reunião com integrantes do PT, a ex-senadora Kátia Abreu criticou o protagonismo da primeira-dama, Janja da Silva, que considerou excessivo, e defendeu a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na cúpula da campanha.
As cobranças alcançam o próprio Lula. Segundo a reportagem, aliados avaliam que o presidente tem se mostrado pouco aberto a sugestões, dificultando a incorporação de propostas à estratégia eleitoral.
Campanha reorganiza atuação nas redes sociais
A mudança de rumo inclui a comunicação digital. Na quarta-feira (7), Lula se reuniu com influenciadores e parlamentares recém-eleitos que têm experiência no uso das redes sociais. Eles passarão a trabalhar em uma sala instalada no quartel-general da campanha, no Lago Sul, em Brasília.
O presidente também começou a adotar formatos que antes dizia evitar. Apesar de afirmar que não gosta de usar celular nem de fazer selfies, passou a gravar vídeos nesse estilo e a enviar mensagens de voz a apoiadores em grupos de aplicativos de mensagens.
O conteúdo das manifestações acompanha a revisão da campanha. Lula tem dado mais espaço aos problemas de segurança pública e à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), com um tom mais duro do que o utilizado no primeiro turno.
Fonte: Brasil 247