Senador aliado de Flávio Bolsonaro propõe jornada de 16h e aval para trabalho escravo contra o fim da 6×1

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Por Redação — Esquerda Diário

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O ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) saiu em defesa de jornadas de trabalho de até 16 horas diárias e atacou a proposta de fim da escala 6×1, que começou a ser discutida no plenário do Senado nesta terça-feira (6). Para ele, o trabalhador que quer receber mais, tem que aceitar jornadas extenuantes e não reclamar de perder sua vida no trabalho. Um escravista nojento, que além de tudo defendeu flexibilizar o que a legislação trabalhista considera trabalho análogo a escravidão.

Aliado de Flávio Bolsonaro, empresário e representante direto dos interesses patronais, Mendes defendeu o aprofundamento da exploração dos trabalhadores brasileiros, tomando como exemplo os Estados Unidos, onde, segundo ele, trabalhar mais significaria ganhar mais.

“Defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos Estados Unidos. Porque lá nos Estados Unidos nós temos aí milhares e milhares e centenas de milhares de brasileiros que fogem daqui. Entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia. E ganham por isso, e ganham muito mais por isso, e têm uma qualidade de vida melhor”, declarou. Para Mendes, a saída para os baixos salários não é garantir melhores condições de trabalho e reajuste que atenda de fato às necessidades básicas do trabalhador, mas permitir que os trabalhadores entreguem ainda mais as suas vidas aos patrões.

Não satisfeito em defender jornadas ainda mais extenuantes que a da escala 6×1 e a flexibilização total do que resta de direitos trabalhistas, Mauro Mendes também criticou as punições contra condições análogas à escravidão. “No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11h por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo. E nós temos centenas de milhares de brasileiros fugindo do país, entrando clandestinamente, repetindo novamente, porque é muito grave isso, gente. Então, nós temos que reformar numa amplitude de um mundo moderno, onde as pessoas não são mais imbecis ou desinformadas, como eram antigamente”, afirmou.

A declaração distorce a própria legislação brasileira, já que uma jornada de 11 horas, isoladamente, não caracteriza trabalho análogo à escravidão, cuja definição envolve condições degradantes, jornadas exaustivas, trabalho forçado ou restrição de liberdade. O que por si só já é uma mostra de como a legislação trabalhista permite jornadas extenuantes, sendo bastante flexível no que considera condições escravistas de trabalho.

O que Mendes considera um “absurdo” é justamente a existência de alguns limites à exploração patronal. Limites esses que foram muito relativizados já nos governos Temer e Bolsonaro, com a aprovação da reforma trabalhista, da terceirização irrestrita (com ajuda do STF), que são responsáveis pela por ampliar os empregos informais, intermitentes, pejotizados, uberizados, que já permitem jornadas de 16h. A proposta de Mendes é generalizar ainda mais e expressa a defesa de aprofundar a herança escravista do capitalismo brasileiro para ampliar ainda mais os lucros dos capitalistas.

A proposta defendida por Mendes enfrenta as dezenas de milhões de trabalhadores que não aguentam mais não ter tempo para lazer, para a família e saúde, ao mesmo tempo que não aceitam mais a miséria e a precarização como modo de vida. 70% da população quer o fim da escala 6×1, o que os empresários e seus representantes querem é frear esse anseio e ir até o final nos planos de flexibilização total das condições de exploração.

As declarações de Mauro Mendes demonstram que a disputa em torno do fim da escala 6×1 coloca em confronto interesses profundamente antagônicos: de um lado, empresários e seus representantes políticos, interessados em ampliar a exploração para garantir seus lucros; de outro, milhões de trabalhadores que reivindicam o direito de descansar, conviver com suas famílias, estudar e ter uma vida para além do emprego.

O fim da escala 6×1, junto à redução da jornada, sem redução dos salários, é uma reivindicação que só pode ser arrancada com a força da mobilização. Uma mobilização que está na raiz do combate a essa extrema direita de Mauro Mendes, mas também de Flávio Bolsonaro, que propõe a escala 7×0. E que supere a estratégia de moderação da Frente Ampla, que manteve o programa da direita golpista e exija a imediata revogação da reforma trabalhista, da previdência e da terceirização irrestrita.

Fonte: Esquerda Diário

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