Oposição ainda não definiu posição sobre fim da escala 6×1, diz Rogério Marinho
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – A oposição ainda não chegou a uma posição conjunta sobre o fim da escala de trabalho 6×1, segundo o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Apesar de atacar a estratégia adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marinho afirmou que seu grupo político não se recusa a discutir mudanças na jornada de trabalho.
Em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (7), segundo o UOL, Marinho classificou como “oportunista” a discussão da proposta neste momento e disse esperar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), respeite o rito regimental de tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
“A discussão agora é oportunista. Nós não nos negamos a discutir a jornada. Não nos negamos a discutir este ou qualquer outro assunto. Mas agora, claramente, Lula, que passou 18 anos no poder, está desesperado por encontrar alguma forma de se reconectar com o eleitorado”, afirmou Rogério Marinho.
PEC avança no Senado
A proposta sobre o fim da escala 6×1 começou a ser discutida no plenário do Senado na terça-feira (6). Antes de ser submetido à votação em primeiro turno, o texto precisa passar por cinco sessões de discussão.
Se aprovada nessa etapa, a PEC terá de cumprir outras três sessões de discussão antes da votação em segundo turno.
Alcolumbre afirmou que pretende pautar a proposta depois do cumprimento das sessões previstas. Em entrevista coletiva, o presidente do Senado disse que os parlamentares terão “livre-arbítrio” para votar de acordo com suas convicções.
A tramitação ocorre em meio à entrada definitiva do tema na campanha presidencial. O fim da escala 6×1 tornou-se uma das apostas do governo Lula para tentar reverter o resultado do primeiro turno das eleições, enquanto cresce a cobrança por uma definição de Flávio Bolsonaro e do PL.
Lula desafia Flávio Bolsonaro
Lula intensificou nesta quarta-feira a pressão sobre o adversário e o desafiou publicamente a apoiar a proposta que reduz a jornada para cinco dias de trabalho e dois de descanso.
“Quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Desafio a votar favorável e desafio ele a pedir para o PL votar favorável. Porque eles estão inventando uma história: ‘não, é melhor negociar com o patrão’. Como se no acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem. Nada de aceitar barganha, é reduzir a jornada de trabalho para 5 dias de trabalho e dois de descanso”, declarou Lula durante um evento de campanha em Brasília.
Marinho acusa governo de oportunismo
Marinho, por sua vez, procurou separar a disposição da oposição para discutir a jornada de trabalho da estratégia eleitoral adotada pelo governo. Ao dizer que seu grupo não se nega a debater o assunto, o senador evitou fechar posição contra o mérito da proposta.
O chefe da campanha de Flávio Bolsonaro concentrou suas críticas no momento escolhido pelo governo para impulsionar a pauta, acusando Lula de utilizar a discussão como instrumento para tentar recuperar apoio eleitoral.
A indefinição tende a ampliar a pressão sobre a oposição à medida que a PEC avançar no Senado. Com Alcolumbre sinalizando que levará a matéria à votação depois do cumprimento das etapas regimentais, senadores e partidos terão de explicitar suas posições sobre uma proposta que passou a ocupar espaço central na reta final da campanha presidencial.
Fonte: Brasil 247