Em nova carta a Rubio, democratas acusam Trump de ação ‘sem precedentes’ contra Brasil
Por CartaCapital — Carta Capital
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Os parlamentares questionam a revogação do visto diplomático da embaixadora Maria Viotti e reforçam suspeita de interferência dos EUA nas eleições brasileiras
Um grupo de 12 congressistas dos Estados Unidos pediu explicações ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Em carta enviada nesta terça-feira 6, os parlamentares acusaram o governo Donald Trump de “aprofundar deliberadamente” a crise nas relações com o Brasil.
Os deputados classificaram a retirada do visto como uma medida “extraordinária e sem precedentes” contra uma representante de um país aliado. Para eles, a decisão representa uma nova etapa na deterioração das relações entre os dois países .
Entre os questionamentos encaminhados a Rubio estão quais fatos levaram o Departamento de Estado a considerar necessária a revogação, se a decisão foi coordenada com a Casa Branca e se Donald Trump foi informado antecipadamente.
A carta também solicita informações sobre a viagem ao Brasil de Riley M. Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário-assistente da mesma área. Os parlamentares querem saber qual era o objetivo da missão e quais encontros estavam previstos.
A revogação do visto da embaixadora teria ocorrido como retaliação à decisão brasileira de negar vistos aos dois funcionários americanos.
Segundo fontes do Itamaraty citadas na época, a missão deles incluía questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro. O caso havia sido revelado pelo Washington Post.
Esta é a terceira carta enviada por democratas do Congresso americano nas últimas duas semanas com cobranças ao governo Trump sobre a relação com o Brasil e possíveis tentativas de interferência nas eleições de 2026.
Entre os signatários estão Sydney Kamlager-Dove, Gregory Meeks, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, James McGovern e Pramila Jayapal.
Os deputados relacionam o episódio do visto a uma acusação mais ampla de tentativa de influência sobre a política interna brasileira e, especificamente, sobre a eleição presidencial de 2026.
Como exemplos, citam as sanções aplicadas em 2025 ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, contatos de autoridades americanas com o ex-presidente Jair Bolsonaro e questionamentos de integrantes do governo dos EUA sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Os parlamentares também perguntam por que funcionários do Departamento de Estado buscaram examinar o sistema eleitoral brasileiro durante uma campanha presidencial em andamento e cobram eventuais evidências de que as eleições no país não seriam confiáveis.
Uma das questões encaminhadas a Rubio é se o Departamento de Estado considera a eleição brasileira de 2022 livre e justa e se possui alguma evidência de que o mesmo não ocorrerá.
Outro ponto da carta é a existência de contatos autorizados por autoridades de alto escalão do Departamento de Estado com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou representantes da família sobre a revogação do visto da embaixadora.
Apesar da preocupação dos congressistas com a possibilidade de os Estados Unidos questionarem o sistema eleitoral brasileiro, Donald Trump elogiou, na noite do domingo 4, a rapidez da contagem dos votos no Brasil.
Os democratas também questionam se o governo Trump avaliou os possíveis efeitos da deterioração das relações com o Brasil para os interesses estratégicos americanos.
Entre os riscos apontados estão uma eventual aproximação do país com a China e prejuízos à cooperação bilateral em áreas como narcotráfico, segurança regional e comércio.
Na avaliação dos parlamentares, a relação entre os dois países deve se basear no respeito às escolhas democráticas dos brasileiros, e não estar condicionada à vitória do candidato apoiado por Trump.
A carta estabelece 20 de outubro como prazo para que o Departamento de Estado envie respostas formais aos questionamentos.
O questionamento dos parlamentares a Rubio ocorre em meio ao período que antecede as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Caso os democratas conquistem o controle do Congresso, poderão assumir o comando de comissões e audiências na Câmara e no Senado, além de ampliar sua influência sobre a agenda legislativa e a destinação de verbas federais, inclusive para programas americanos na América Latina.
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Fonte: Carta Capital