Lula admite campanha ‘desorganizada’ e confirma mudança de estratégia
Por Wendal Carmo — Carta Capital
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Lideranças do PT defenderam ajustes na comunicação e criticaram a condução da propaganda no primeiro turno
O presidente Lula (PT) afirmou a aliados nesta quarta-feira 7 que sua campanha à reeleição ficou “aquém do esperado” e foi a mais desorganizada desde sua primeira disputa pela Presidência, em 1989. “Acho que poderíamos ter feito mais”, reconheceu durante encontro com parlamentares eleitos, em Brasília, para traçar estratégias no ambiente digital.
“Eu disse para o Edinho (Silva, presidente do PT) que essa foi a campanha menos organizada de que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que planta. Eu tinha convicção de que ia ganhar no primeiro turno”, declarou o presidente.
Lula disse ainda que não projetava uma derrota porque, “do ponto de vista da entrega do governo e de coisas que a sociedade reivindicou a vida inteira, fizemos muito mais do que fizemos em 2007 e 2008”.
“Se a gente conseguiu se explicar corretamente, não sei”, prosseguiu. “O dado concreto é que isso não foi suficiente para que uma parcela da sociedade compreendesse o que fizemos e votasse em nós.”
A declaração expõe uma das principais discussões internas da campanha para a segunda etapa da disputa: como apresentar o governo e o candidato ao eleitorado.
Lideranças petistas e integrantes do governo defendem mudanças na estratégia de comunicação e criticam a condução da propaganda no primeiro turno. Um dos alvos das críticas é Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que participa das discussões sobre a estratégia eleitoral. Há cobranças no PT por uma mudança na abordagem, sobretudo na propaganda de televisão e nas redes sociais.
Os reparos à estratégia do primeiro turno se concentram no espaço a temas como soberania nacional e terras raras, enquanto assuntos que tocam o eleitorado de forma mais direta ficaram em segundo plano, na avaliação de petistas ouvidos pela reportagem.
Durante a reunião desta quarta, Lula admitiu também que precisa ampliar sua presença nas redes. Ele havia sido cobrado por aliados na segunda-feira, que sugeriram a produção de mais vídeos no formato selfie.
“Eu tenho que falar nas redes, no celular. Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas. Eu gosto de falar só o essencial. Mas o pessoal me enche o saco: ‘faz uma selfie’. Eu não gosto. Hoje, resolvi fazer”, declarou Lula.
A recomendação surtiu efeito, e o presidente publicou mais cedo um vídeo neste formato convocando apoiadores a conversar com eleitores que ainda não definiram o voto no segundo turno.
Integrantes da campanha petista também discutem a criação de uma espécie de força-tarefa digital, com a participação de jovens políticos eleitos, influenciadores e produtores de conteúdo alinhados ao campo de Lula.
A ideia é ampliar o alcance do candidato nas redes e disputar o ambiente digital com a direita. Entre os “escalados” estão Ana Elisa (PT-MG), Erika Hilton (PSOL-SP) e Jones Manoel (PSOL-PE), que estiveram na reunião desta quarta-feira.
Wendal Carmo
Repórter do site de CartaCapital no Nordeste
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Fonte: Carta Capital