Empresa de Brasília leva chocolate do Cerrado a Portugal e amplia exportações
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A Labarr Chocolate de Origem, empresa de Brasília especializada na produção de chocolates artesanais, avançou no mercado internacional depois de concretizar duas exportações e agora busca ampliar a presença de seus produtos fora do Brasil. A marca aposta no cacau nacional e em ingredientes associados à biodiversidade do Cerrado como diferenciais para conquistar compradores estrangeiros.
As informações são da Agência Sebrae de Notícias. Fundada em 2016 pela empresária Adriana Labarrere e pelo marido, a Labarr iniciou a produção de forma doméstica, na casa da mãe da empreendedora, e cresceu gradualmente com vendas para familiares, amigos e participação em feiras.
A primeira operação internacional teve Portugal como destino. A venda foi fechada depois que a empresa apresentou embalagens com rotulagem bilíngue durante a FICOMEX, em Goiânia. A Labarr também participou da Expoalimentária, no Peru, e de rodadas de negócios voltadas ao comércio exterior.
A empresa contabiliza duas exportações realizadas a partir de contatos construídos nesse processo e pretende transformar as vendas internacionais em uma frente permanente do negócio.
Preparação para vender no exterior
Antes de exportar, a Labarr precisou adaptar produtos e processos às exigências do comércio internacional. Entre as principais mudanças estavam a revisão das embalagens, a elaboração de rótulos bilíngues e uma nova metodologia para calcular preços destinados ao mercado externo.
A preparação ocorreu durante a participação da empresa no Exporta DF, iniciativa da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) e do Sebrae/DF desenvolvida no âmbito do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), parceria nacional entre Sebrae e Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O programa ofereceu capacitações e mentorias para que a empresa pudesse enfrentar etapas relacionadas à logística, tributação, formação de preços, negociação e requisitos para exportação.
“Para quem vê de fora, exportar parece um bicho de sete cabeças. Ter um programa apoiando, dando a mão e mostrando que nosso produto tem valor fora é maravilhoso. Todo esse braço de exportação que a gente tem na empresa foi graças ao programa”, afirmou Adriana.
Um dos principais efeitos da preparação, segundo a empresária, foi a mudança no cálculo do preço internacional dos produtos, que passou a incorporar despesas logísticas e tributárias específicas das operações de exportação.
A equipe comercial também recebeu treinamento para conduzir de forma mais autônoma contatos com compradores estrangeiros, negociações e procedimentos necessários para enviar produtos a outros países.
Cerrado vira diferencial no exterior
A estratégia de internacionalização também levou a empresa a reforçar elementos brasileiros na apresentação dos chocolates. Ingredientes nacionais e referências ao Cerrado ganharam mais espaço no posicionamento da marca para consumidores estrangeiros.
“O programa abriu a nossa cabeça para levar o Brasil, a cultura do Brasil e as nossas histórias para fora”, disse Adriana.
A Labarr trabalha no modelo conhecido como bean to bar, no qual o produtor acompanha diferentes etapas da fabricação do chocolate a partir do grão de cacau. A proposta da empresa inclui valorizar a origem da matéria-prima e combinar o chocolate com ingredientes ligados à biodiversidade brasileira.
A aposta é que essa identidade própria ajude a marca a disputar espaço em mercados onde produtos artesanais e de origem definida têm maior valor agregado.
De produção doméstica ao mercado internacional
A trajetória da empresa começou depois de uma viagem de Adriana à Bahia, quando ela se aproximou do universo do cacau. Os primeiros testes de produção foram realizados de maneira doméstica, antes de o negócio ganhar escala e chegar a eventos e feiras.
Dez anos depois da criação da marca, Adriana também recebeu o segundo lugar na categoria Pequenos Negócios do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios no Distrito Federal.
“São dez anos e, quando comecei, não tinha experiência com negócio nem com gestão de uma empresa. Receber um reconhecimento de um prêmio tão importante do Sebrae é muito gratificante. É uma validação do nosso trabalho e mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.
O próximo objetivo é ampliar a frequência das operações internacionais e alcançar novos compradores. A experiência das primeiras exportações também deve orientar ajustes na produção, no posicionamento da marca e na estratégia comercial voltada ao exterior.
Programa atende pequenas indústrias
O Procompi reúne ações destinadas à produtividade, inovação, transformação digital, sustentabilidade e acesso a mercados por micro e pequenas indústrias. O programa integra o Movimento Juntos pela Indústria, iniciativa do Sebrae e do Sistema Indústria.
Segundo Taís Tessari, gestora nacional do Procompi, o objetivo é aumentar a capacidade de pequenos negócios industriais de competir e alcançar novos mercados.
“O Procompi é uma iniciativa estratégica do Sebrae e da CNI que fortalece a competitividade das micro e pequenas indústrias por meio de ações voltadas à produtividade, inovação, transformação digital, sustentabilidade e acesso a mercados. Ao estimular a cooperação e o desenvolvimento empresarial, o programa contribui para que os pequenos negócios industriais estejam mais preparados para crescer, inovar e gerar impacto nos territórios onde atuam”, afirmou.
Fonte: Brasil 247