BNDES negocia financiamento para projeto de R$ 2,6 bilhões de terras raras em Minas

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negocia a concessão de financiamento para o Projeto Caldeira, empreendimento de terras raras previsto para o sul de Minas Gerais e estimado em US$ 498 milhões, aproximadamente R$ 2,6 bilhões. O banco também discute a possibilidade de ingressar no negócio por meio do BNDESPar, seu braço de participações societárias.

A concessão de crédito é atualmente a frente mais avançada das conversas, enquanto uma eventual participação acionária do banco ainda está em estágio de discussão.

O projeto prevê não apenas a extração de terras raras, mas também a instalação, no Brasil, de etapas industriais de processamento dos minerais. A estratégia atende ao interesse do governo federal em ampliar a participação brasileira nas fases de maior valor agregado da cadeia produtiva, evitando que o país se limite à exportação do minério concentrado.

O Projeto Caldeira era desenvolvido pela australiana Meteoric Resources, adquirida recentemente pela também australiana Lynas em uma operação avaliada em cerca de R$ 3,5 bilhões. O BNDES já mantinha tratativas com a Meteoric antes da mudança de controle.

Segundo a Folha, representantes da Meteoric e da Lynas se reuniram com diretores do BNDES no Rio de Janeiro em 17 de setembro. A aquisição foi anunciada oficialmente em 30 de setembro na Bolsa de Valores da Austrália.

Procurado pela reportagem, o BNDES afirmou que “não comenta operações não aprovadas”, em referência a projetos que ainda estão sendo analisados.

As negociações estão inseridas em uma iniciativa conjunta do BNDES e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), lançada em janeiro de 2025 para estimular a industrialização de minerais estratégicos no país. O Projeto Caldeira está entre os dez empreendimentos mais avançados da carteira.

Em junho de 2025, o programa selecionou 56 planos de negócios, que juntos representavam R$ 45,8 bilhões em investimentos previstos.

Ainda não há definição sobre o montante que poderá ser financiado pelo BNDES. O estudo de viabilidade do Projeto Caldeira estima investimento total de US$ 498 milhões para a implantação da planta.

Dentro do banco, de acordo com a reportagem, o empreendimento é considerado um dos projetos com maior potencial para impulsionar a formação de uma cadeia brasileira de beneficiamento de terras raras e minerais críticos. A intenção é ampliar a capacidade nacional de processamento e reduzir a dependência de uma cadeia global fortemente concentrada na China.

Em nota, a Meteoric afirmou que “mantém, desde o início do Projeto Caldeira, diálogo institucional com as diferentes partes interessadas, pautado pela transparência e pelo compromisso com o desenvolvimento do projeto”.

A companhia acrescentou que, “após o anúncio, em 30 de setembro, da intenção de aquisição da Meteoric pela Lynas, a Lynas informou que pretende avaliar diferentes alternativas de financiamento para apoiar o futuro desenvolvimento do Projeto Caldeira, incluindo financiamento estratégico, financiamento de projetos e recursos próprios”.

A entrada da Lynas é considerada um fator que pode favorecer a análise de crédito, devido à maior capacidade financeira do grupo e à possibilidade de apresentação de garantias mais robustas. Ao mesmo tempo, a mudança de controle exige uma nova avaliação da estrutura societária e das condições apresentadas inicialmente ao BNDES.

Ainda não existe prazo para a conclusão dessa análise.

A aquisição prevê uma operação integralmente realizada por meio de ações. Com a conclusão da transação, os atuais acionistas da Meteoric deverão deter 5,9% da companhia resultante da combinação dos negócios.

A Meteoric é sediada em Perth, na Austrália, e tem ações negociadas na bolsa australiana. No Brasil, opera por meio da Meteoric Caldeira Mineração, instalada em Poços de Caldas e com atuação também em áreas de Andradas e Caldas, no sul de Minas Gerais.

Os direitos de exploração do projeto foram adquiridos pela companhia em dezembro de 2022, por meio de um acordo com a brasileira Togni Materiais Refratários. O empreendimento ainda precisa cumprir etapas de licenciamento antes da implantação e do início da operação comercial.

A Lynas já possui experiência na extração e no processamento de terras raras, com operações na Austrália e na Malásia. Ao anunciar a compra da Meteoric, a companhia indicou que poderá avaliar a instalação de etapas adicionais de processamento no Brasil.

Uma eventual participação do BNDES em uma empresa brasileira controlada pela Lynas não significaria, automaticamente, que o banco se tornaria acionista da matriz australiana. Tanto o formato quanto o alcance de uma possível entrada do BNDESPar permanecem em negociação.

As terras raras formam um conjunto de elementos utilizados em setores considerados estratégicos, como veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Alguns desses minerais são fundamentais para a produção de ímãs permanentes de alto desempenho, usados em equipamentos que exigem grande capacidade magnética com tamanho e peso reduzidos.

A cadeia produtiva envolve diferentes etapas. Após a extração, o minério pode passar por tratamento para a produção de um concentrado que reúne diversos elementos. Em seguida, unidades especializadas realizam a separação desses materiais, produzindo compostos com níveis específicos de pureza para diferentes aplicações industriais. A fabricação de ímãs constitui uma etapa posterior.

O objetivo do governo é estimular justamente a instalação dessas fases industriais no país. Elas agregam valor ao minério e podem multiplicar significativamente a receita obtida com a matéria-prima, em comparação com a simples exportação do concentrado para processamento no exterior

Fonte: Brasil 247

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