Bancada do agro tem reeleição acima da média, mas perde nomes relevantes

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Por Daniel Marques Vieira — JOTA

A bancada ruralista na Câmara dos Deputados teve desempenho acima da média nas eleições 2026 e reelegeu quase 71% dos integrantes do grupo que tentavam permanecer na Casa. Dos 248 deputados ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) que disputaram a reeleição, 176 seguirão com mandato. Outros quatro eleitos — não contabilizados na taxa de 71% — são hoje suplentes que assinaram a ficha de filiação à FPA ao assumir a cadeira. Assim, o grupo, que reúne 299 deputados em exercício, inicia a próxima legislatura com 180 membros praticamente garantidos, mas precisará atrair novos nomes para manter a força atual.

A taxa de sucesso da FPA é superior à média da Câmara. Dos 439 deputados em exercício que disputaram a reeleição, 300 tiveram êxito — 68%. Ao JOTA , o presidente da frente, Pedro Lupion (Republicanos-PR), que foi reeleito, projetou um número ainda maior de membros da bancada.

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“Já temos reeleitos 180 deputados. E com a possibilidade de novas inscrições, vamos chegar a 312 membros. Essa é a nossa expectativa considerando parlamentares que foram eleitos e são ligados ao agro e ao setor produtivo, que tiveram o apoio do setor ou que são de centro e direita”, avalia.

Ainda que comece a nova legislatura em boa situação, a frente deve perder cerca de 17 deputados que optaram por não se candidatar à Câmara. Entre eles, técnicos e articuladores. É o caso de Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que atuou na articulação da bancada e foi relator de matérias como a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (Lei 15.506/2026), que incluiu as matérias-primas de fertilizantes entre os beneficiários, e o projeto do “Combustível do Futuro” (Lei 14.993/2024), que criou incentivos aos biocombustíveis. Jardim também era apontado como um dos principais negociadores de outros projetos de interesse do setor.

Também deixam a Câmara Zucco (PL-RS), eleito governador do Rio Grande do Sul, além de Sandro Alex (PSD-PR) e Patrus Ananias (PT-MG), derrotados nas disputas estaduais.

Senado

No Senado, a situação da FPA é mais confortável, ainda que mais da metade de seus membros em fim de mandato não tenha sido reeleita. A frente perderá 23 senadores: oito foram derrotados nas urnas, dois foram eleitos governadores e 13 não disputaram a reeleição, apesar de estarem em final de mandato.

A perda é compensada pela chegada de 18 deputados filiados à frente que se elegeram senadores. O saldo líquido é negativo em cinco nomes.

Foram reeleitos Marcio Bittar (PL-AC), Lucas Barreto (PSD-AP), Carlos Portinho (PL-RJ), Delegado Alessandro (MDB-SE), Rogerio Carvalho (PT-SE) e Eduardo Gomes (PL-TO).

Entre as baixas está Zequinha Marinho (Podemos-PA), ex-vice-presidente da frente e atual responsável pela comissão orçamentária da FPA. Saem também Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR), eleitos governadores. Outros três membros da FPA no Senado ainda podem deixar a Casa, por terem ido ao segundo turno em disputas estaduais: Alan Rick (Republicanos-AC), Wilder Morais (PL-GO) e Professora Dorinha Seabra (União-TO).

O cenário é mais favorável porque parte relevante dos senadores da frente não disputou estas eleições, por integrar o terço que só será renovado em 2030. É o caso de Tereza Cristina (PP-MS), Jaime Bagattoli (PL-RO), Alan Rick, Damares Alves (Republicanos-DF), Magno Malta (PL-ES), Wilder Morais, Wellington Fagundes (PL-MT), Jussara Lima (PSD-PI), Rogerio Marinho (PL-RN), Dr. Hiran (PP-RR), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Jorge Seif (PL-SC), Laércio Oliveira (PP-SE) e Marcos Pontes (PL-SP).

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Pauta prioritária

A FPA é, historicamente, o grupo parlamentar organizado com mais força dentro do Congresso Nacional. Levantamento do JOTA mostra que o setor saiu vitorioso em 19 projetos e sofreu uma única derrota em votações de propostas sobre as quais se posicionou. Entre as vitórias estão a inclusão de proteínas animais na cesta básica com alíquota zero na reforma tributária e a aprovação do marco do licenciamento ambiental.

Alguns temas seguem pendentes, como as dívidas rurais. O assunto era tratado no PL 5122/2023, aprovado no Senado sob pressão do setor, mas o posicionamento do Ministério da Fazenda pesou na decisão de Hugo Motta (Republicanos-PB) de não acelerar a tramitação — ele sequer despachou o projeto às comissões. Por ora, prevalece o texto do governo na MP 1376, que desagradou o agro e precisa ser votada até 11 de novembro. A bancada pressiona por alterações. Segundo Lupion, o tema precisa ser resolvido ainda neste ano.

“Vamos lembrar que o presidente da comissão da medida provisória [o senador Renan Calheiros (MDB-AL)] e o relator [o deputado Paulo Pimenta (PT-RS)] perderam as eleições. Então vamos entender como é que vai ficar esse jogo”, pondera o deputado.

Há uma série de projetos tratados como prioritários que podem voltar a tramitar na próxima legislatura. Pelo Regimento Interno da Câmara, proposições travadas são arquivadas ao fim da legislatura, com desarquivamento possível mediante requerimento.

Fonte: JOTA

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