Câmara terá predominância de homens brancos, média de 50 anos e 60% de milionários em 2027
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A nova composição da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura, definida nas eleições de domingo (4), será majoritariamente masculina, branca e concentrada na faixa etária entre 40 e 49 anos, além de contar com 60% dos parlamentares na condição de milionários. O PL conquistou a maior bancada da Casa, garantindo 121 cadeiras. A legenda ficou à frente do PT, que elegeu 70 deputados, do União Brasil, com 46, do PSD, com 43, e do PP e Republicanos, que obtiveram 41 vagas cada. O levantamento do G1 foi feito a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em relação ao pleito de 2022, o PL registrou um crescimento de 23 cadeiras, saltando de 98 para 121 parlamentares. O PT variou de 69 para 70 deputados, enquanto o União Brasil teve redução de 57 para 46 assentos. Os 513 deputados federais eleitos assumirão o mandato a partir de 2027 para representar os estados e o Distrito Federal.
Na divisão por gênero, o número de parlamentares mulheres subiu de 90 em 2022 para 109 eleitas em 2026, passando a ocupar 21,2% das vagas na Câmara, contra 17,5% na eleição anterior. Entre as eleitas, Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, destaca-se como a mulher mais jovem a conquistar uma vaga, somando 524.219 votos. Em São Paulo, Erika Hilton (PSOL) foi a candidata mais votada do país para o cargo entre as mulheres, obtendo 1.596.472 votos.
Os homens seguem como ampla maioria, ocupando 404 cadeiras, o equivalente a 78,8% do total de eleitos. Os dois candidatos mais votados em todo o Brasil para a Câmara Federal foram Nikolas Ferreira (PL-MG), com 3.119.318 votos, e Lucas Pavanato (PL-SP), com 3.038.438 votos.
No quesito cor ou raça, 374 parlamentares se declararam brancos, 135 se identificaram como negros (pretos e pardos), três como indígenas e um como amarelo. Na legislatura anterior, a composição registrava 366 brancos, 139 negros, quatro indígenas, três amarelos e um parlamentar sem informação. Percentualmente, a representação negra recuou de 27,1% para 26,3%, enquanto a participação de parlamentares brancos subiu de 71,3% para 72,9%. A bancada indígena será formada por Juliana Cardoso (PT-SP), Sônia Guajajara (PSOL-SP) e Paulo Guedes (PT-MG).
A faixa etária predominante na nova Câmara está entre 40 e 49 anos, reunindo 162 deputados (ante 154 em 2022), seguida pelo grupo de 50 a 59 anos, que passou de 118 para 126 eleitos. A presença de jovens com menos de 30 anos cresceu de 20 para 23 eleitos, ao passo que o grupo com 70 anos ou mais aumentou de 26 para 30 parlamentares. O deputado mais jovem da próxima legislatura é Alvinho Lira (PP-AL), com 20 anos. No grupo de maior idade, com 77 anos no dia da votação, estão Magda Mofatto (PL-GO), Busato (União-RS) e Sergio Zambiasi (Podemos-RS).
No aspecto financeiro, 309 dos 513 deputados eleitos declararam patrimônio individual superior a R$ 1 milhão. Dentro deste grupo, 234 informaram bens entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões; 44 possuem de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões; e 31 declararam bens acima de R$ 10 milhões. Entre os demais eleitos, dois possuem até R$ 10 mil; 27 declararam entre R$ 10 mil e R$ 100 mil; 84 têm entre R$ 100 mil e R$ 500 mil; outros 84 possuem entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão; e sete informaram não possuir bens patrimoniais. O maior patrimônio declarado pertence a Jadyel Alencar (Republicanos-PI), com R$ 107,1 milhões, seguido por Duda Ramos (Podemos-RR), com R$ 78,5 milhões, e Newton Bonin (Republicanos-PR), com R$ 75,7 milhões.
A taxa de renovação da Casa registrou a reeleição de 296 deputados, alcançando um índice de recondução de 57,7%. O PL lidera o número de parlamentares reeleitos, com 63 nomes mantidos nas bancadas, seguido pelo PT, que reelegeu 41 deputados para o próximo período legislativo.
Fonte: Brasil 247