A Sabedoria do Casal diante do Conflito
Por Margareth Signorelli — ICL Notícias
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Há alguns dias, conversava com uma amiga sobre relacionamentos quando comentei o quanto considero importantes os conflitos dentro de uma relação.
Ela imediatamente respondeu:
– Conflito, não. Diálogo.
Talvez estivéssemos falando da mesma coisa, mas atribuindo significados diferentes à palavra conflito.
Porque ainda confundimos conflito com briga.
Briga pressupõe, muitas vezes, disputa. Cada um defende a própria posição, procura provar que está certo e, pouco a pouco, o outro deixa de ser parceiro para se tornar adversário.
Conflito é diferente.
Conflito é o encontro de duas diferenças.
Duas pessoas podem se amar e, ainda assim, pensar de maneira diferente, ter necessidades distintas, expectativas que não coincidem e histórias que as fizeram enxergar a vida por lentes próprias.
E seria estranho esperar que fosse diferente. Estamos falando de dois indivíduos.
O problema, portanto, não está na existência do conflito, mas na maneira como lidamos com ele.
Podemos entrar em um conflito tentando descobrir quem tem razão. Ou podemos tentar compreender o que está acontecendo entre os dois.
São movimentos completamente diferentes.
No primeiro, eu defendo o meu ponto de vista. No segundo, considero que existe algo maior do que o meu ponto de vista: a relação que estamos construindo.
É aí que entra a sabedoria.
Sabedoria, dentro de um relacionamento, não significa saber sempre o que fazer, muito menos ceder constantemente. Talvez signifique saber distinguir aquilo que precisa ser defendido daquilo que precisa ser compreendido.
Saber quando falar, quando ouvir, quando insistir, quando recuar e, principalmente, quando reconhecer que podemos estar equivocados.
Um casal que amadurece junto percebe que relacionamento também é construção. E toda construção exige ferramentas: comunicação, escuta, empatia, negociação, autoconhecimento.
A sabedoria talvez seja aquilo que permite utilizar essas ferramentas no momento adequado.
Porque não adianta saber conversar se usamos a conversa apenas para convencer. Não adianta saber ouvir se estamos apenas esperando o outro terminar para responder.
E talvez seja justamente por isso que os conflitos possam ser importantes para um casal.
Não porque devamos procurá-los, mas porque eles inevitavelmente aparecem quando duas pessoas estão realmente construindo uma vida em comum.
Durante muito tempo, os relacionamentos foram sustentados por estruturas sociais mais rígidas. Família, religião, casamento e papéis de gênero estabeleciam grande parte das expectativas sobre a vida a dois.
Hoje temos muito mais liberdade para escolher. Conhecemos pessoas por aplicativos, redes sociais, viagens, trabalho, cursos e tantos outros espaços. Podemos escolher casar ou não, morar juntos ou não, ter filhos ou não, permanecer solteiros ou terminar uma relação.
Ganhamos liberdade.
Mas essa liberdade também trouxe uma responsabilidade: já não existe um roteiro tão definido para ensinar duas pessoas a construir uma relação.
Precisamos construir nossos próprios acordos.
E onde existem acordos, existem diferenças. Onde existem diferenças, existem conflitos.
Por isso, talvez seja um equívoco imaginar que um bom relacionamento é aquele que não tem conflitos.
Um relacionamento pode não ter grandes brigas porque encontrou uma maneira madura de lidar com as diferenças. Mas também pode não ter conflitos porque alguém deixou de falar, porque um dos dois sempre cede ou porque o silêncio parece mais seguro do que a conversa.
A ausência de conflito não é necessariamente harmonia.
Assim como a existência de conflito não é necessariamente fracasso.
O que importa é o que o casal consegue fazer com aquilo que surge entre os dois.
Casais que desejam amadurecer juntos e construir uma relação cada vez melhor podem buscar conhecimento e ferramentas para administrar suas desavenças. Comunicação, escuta, autoconhecimento e negociação são algumas delas.
E a sabedoria talvez seja uma das mais importantes.
A sabedoria de compreender que ganhar uma discussão pode ser muito menos importante do que preservar aquilo que levou duas pessoas a escolherem uma à outra.
A sabedoria de escutar sem necessariamente concordar.
De discordar sem transformar o outro em inimigo.
De reconhecer que uma relação não é formada por duas pessoas que deixaram de ser indivíduos para se tornarem uma só, mas por dois indivíduos que escolheram construir alguma coisa em comum.
Talvez seja esse o verdadeiro desafio de um casal:
preservar o “eu” sem destruir o “nós”.
Porque amadurecer juntos não significa deixar de discordar.
Significa aprender a discordar sem destruir a relação.
E talvez essa seja uma das formas mais sofisticadas de intimidade:
saber que o outro é diferente de nós e ainda assim ter sabedoria suficiente para continuar construindo a relação juntos.
Grande abraço,
Informações em primeira mão! Siga o canal do ICL Notícias no WhatsApp
Acesso total a mais de 300 cursos, materiais e séries! Seja Membro ICL
Siga e acompanhe as atualizações do ICL Notícias também pelo Google News
brigasRelação a doisConflitosrelacionamentosMargarethAmor
Relacionados
A Soma dos Pequenos Detalhes
Quando o quase imperceptível se torna decisivo
Incompatibilidade de contratos
Quando aquilo que se vive em uma relação entra em conflito com aquilo que se decide colocar no papel
Quando um Pensamento se Transforma em Verdade?
A neurociência e a psicologia estudam esse fenômeno como viés de negatividade
Carregar Comentários
Fonte: ICL Notícias




