Hezbollah condiciona entrega de armas à retirada de Israel do Líbano
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – 247 – O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que a retirada das forças israelenses do sul do Líbano é condição para que a organização entregue suas armas. Segundo a agência Prensa Latina, ele rejeitou concessões em troca da saída das tropas e declarou disposição para negociar questões internas com as instituições libanesas, enquanto o governo defende que o armamento fique sob controle exclusivo do Estado.
As declarações foram feitas em Beirute, durante a cerimônia de lançamento da Fundação para a Preservação e Publicação do Legado de Sayyed Hassan Nasrallah, ex-líder do Hezbollah. Conforme o relato da Prensa Latina, Qassem sustentou que Israel descumpriu acordos e apresentou a retirada como o ponto de partida para uma solução.
“Se nos disserem: ‘Deem-nos alguma coisa para que o inimigo vá embora’, não daremos nada, porque somos nós que estamos sendo atacados e existem acordos que o inimigo não respeitou”, declarou.
Ao tratar da presença militar israelense, Qassem disse que “a solução começa com a retirada”. O dirigente afirmou que o Hezbollah não considera outras soluções enquanto forças de Israel permanecerem em território libanês e criticou o apoio dos Estados Unidos ao país.
O líder também declarou que a organização permaneceu ao lado de seus combatentes e seguidores durante o atual período de confronto, descrito por ele como uma agressão contínua.
Negociação interna e controle das armas
Na política interna, Qassem manifestou disposição para cooperar com as instituições constitucionais do Líbano. Segundo ele, o Hezbollah aceita buscar acordos sobre o controle estatal das armas, a economia, o emprego, a convivência e os depósitos bancários, desde que as negociações tenham como base a Constituição e as leis do país.
Essa abertura veio acompanhada da rejeição a imposições dos Estados Unidos ou de outras potências estrangeiras. A posição mantém a divergência com o governo libanês sobre as condições para o desarmamento: as autoridades defendem o controle exclusivo do Estado sobre as armas e a extensão de sua autoridade a todo o território nacional; o Hezbollah exige primeiro a retirada completa das forças israelenses do sul.
Acordo prevê retirada gradual
Em 26 de junho, representantes de Beirute e Tel Aviv assinaram um acordo-quadro em Washington, sob os auspícios dos Estados Unidos. O documento prevê a saída gradual das tropas israelenses do território libanês e o envio do Exército do Líbano às áreas desocupadas.
Apesar desse compromisso, fontes libanesas citadas pela Prensa Latina relatam a continuidade de ataques israelenses contra setores do sul do país. Israel também mantém posições em algumas áreas da região.
Fonte: Brasil 247