Zarattini: “O governo deve dialogar e buscar a neutralidade do Centrão”

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 — Logo após garantir sua reeleição na Câmara dos Deputados, o parlamentar federal Carlos Zarattini (PT-SP) participou de transmissão ao vivo na TV 247 com Teresa Cruvinel, Ricardo Amaral, Joaquim Carvalho e Sara Goes. Em análise franca sobre a disputa presidencial e o novo desenho legislativo, Zarattini defendeu que a campanha precisa agir de imediato para neutralizar o avanço da extrema-direita sobre os partidos tradicionais e enfrentar temas centrais do cotidiano popular que pesaram nas urnas.

Sob a síntese de que “o governo deve dialogar e buscar a neutralidade do Centrão”, o parlamentar enfatizou que, diante do avanço de bancadas reacionárias no Senado e na Câmara, a estratégia passa por impedir uma migração em bloco desses partidos para o campo adversário e construir pontes em torno de uma pauta mínima de avanços sociais.

Diálogo tático com o Centrão e contenção da extrema-direita

Questionado sobre a governabilidade e as articulações para o segundo turno, Zarattini ressaltou que as legendas de centro têm razões concretas para frear a hegemonia da ultradireita:

“O Centrão também vive um problema sério com a expansão da ultradireita: eles estão perdendo espaço, estão diminuindo em cima do próprio Centrão. Então, eles têm um interesse real em não deixar a extrema-direita crescer mais. É preciso chamar esses partidos para uma conversa agora. Não digo nem exigir adesão imediata em segundo lugar, mas impedir a adesão ao outro lado e manter a neutralidade deles”, pontuou o parlamentar.

Zarattini rebateu ainda as cobranças de setores do mercado financeiro para uma guinada à cartilha liberal estrita, lembrando que a base de sustentação não pode significar a renúncia ao programa de distribuição de renda:

“Essa pressão é para aderir às teses da Faria Lima. Mas se for para fazer o que a Faria Lima quer — cortar investimentos sociais e fazer ajuste fiscal em cima dos mais pobres —, para que queremos ganhar o governo? Queremos ganhar para distribuir renda, garantir saúde, educação e obras de infraestrutura.”

Os três nós da disputa: alimentos, impostos e segurança pública

Ao diagnosticar os fatores que impulsionaram o bolsonarismo no primeiro turno, Zarattini listou três temas cruciais que a campanha petista precisa enfrentar com assertividade e clareza didática:

  1. Preço dos alimentos e custo de vida:O deputado admitiu que, embora a inflação tenha desacelerado, o patamar dos preços nos supermercados e o custo da moradia continuam sufocando o orçamento das famílias da classe trabalhadora. Defendeu divulgar massivamente medidas concretas, como a isenção de tributos sobre a cesta básica aprovada na reforma tributária.
  2. A farsa do “corte de impostos”:Zarattini alertou que o discurso adversário de desoneração esconde o corte de benefícios e o arrocho de direitos previdenciários.“O imposto que eles querem cortar é o dos ricos. Eles votaram contra a reforma tributária e esconderam de onde virá o corte de despesas: o plano deles passa por desvincular o salário mínimo do piso da Previdência, o que significa congelar o salário dos aposentados até a perda total do poder de compra.”
  3. Segurança pública com respostas diretas:Segundo ele, a esquerda precisa abandonar a linguagem excessivamente burocrática e conectar-se à angústia da população, que sofre com o crime organizado nas periferias e bairros populares, apontando também a omissão de governos estaduais de direita que terceirizam suas falhas para o governo federal.

Convocação de Lula: “20 dias para disputar os 30 milhões de ausentes”

A transmissão transmitiu trecho ao vivo de um pronunciamento enfático do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com governadores, parlamentares e coordenadores de campanha.

Lula cobrou engajamento imediato, rejeitou o comodismo e direcionou as atenções para os mais de 30 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas:

“São 20 dias em que a gente vai ter que colocar para fora aquilo que deveria estar colocando o ano inteiro, desnudando o que está por trás do herdeiro do fascismo. Temos que trabalhar para convencer esses 30 milhões que não foram votar. A responsabilidade é nossa de devolver a eles o interesse e a esperança de participar. Não adianta procurar defeito nos outros; temos que fazer mais rápido e mais bem-feito.”

Lula também reforçou compromissos com o orçamento da segurança pública via aprovação de proposta legislativa no Congresso, a defesa intransigente de reajustes reais para o salário mínimo e a urgência de uma ampla discussão institucional sobre critérios republicanos para a indicação e a transparência do Poder Judiciário.

Desgaste institucional e a batalha nas capitais

Ao comentar a fala presidencial, Zarattini avaliou que crises e ruídos externos envolvendo o Supremo Tribunal Federal nos últimos dias da reta final acabaram contaminando o ambiente político em desfavor da situação. Para ele, governos em disputa de reeleição necessitam de previsibilidade e capacidade de blindagem da agenda positiva.

Em contrapartida, o deputado destacou o desempenho de resistência nas regiões metropolitanas e capitais — como a vitória na cidade de São Paulo e em Porto Alegre —, além da força demonstrada pela nova geração de lideranças jovens e mulheres eleitas no Congresso, que agora devem ser a ponta de lança da militância nas ruas para reverter o quadro e garantir a vitória democrática nas urnas.

Fonte: Brasil 247

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