“Lula pode virar e Flávio já atingiu seu teto”, diz Mascaro

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 — A ressaca eleitoral que sucedeu o primeiro turno das eleições presidenciais trouxe à tona análises superficiais e diagnósticos apressados. No entanto, para o professor, jurista e filósofo do Direito Alysson Leandro Mascaro, a disputa pelo Palácio do Planalto segue inteiramente aberta. Em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, na TV 247, Mascaro defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem espaço real para buscar a virada nas urnas, enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro parece ter esgotado sua capacidade de atração eleitoral.

“É possível sim lutar por essa virada por razões de ordem subjetiva e de ordem objetiva”, avaliou Mascaro. “No elemento objetivo, é possível compreendermos que o bolsonarismo chegou antes ao seu teto, restando pouco para expandir. Já as forças progressistas ainda não extraíram até o limite todo o seu potencial de votos.”

Tática, estratégia e o “bloco histórico” da reação

Para Mascaro, o debate público muitas vezes naufraga por confundir movimentos táticos (respostas de curto prazo a polêmicas imediatas ou pesquisas pontuais) com movimentos estratégicos (mudanças estruturais que exigem anos de disputa ideológica e cultural).

Ao analisar o avanço da bancada conservadora no Congresso e nos governos estaduais, o professor recorreu ao conceito de bloco histórico, formulado pelo pensador marxista Antonio Gramsci. Segundo ele, a direita brasileira não é homogênea em sua gênese, mas construiu uma coesão poderosa que amalgama setores muito distintos:

  1. O pânico moral: eleitores movidos pelo receio cultural em torno de valores familiares e religiosos;
  2. O controle territorial: o poder de currais eleitorais, lideranças locais, milícias e clientelismo que comandam bairros inteiros;
  3. O poder econômico tradicional: o latifúndio e o empresariado que recusam avanços trabalhistas e redistributivos.

Essa articulação, pondera o professor, gera uma militância que vota com o “peito inflado” e projeta um crescimento da extrema-direita na reta final de cada eleição.

O erro da esquerda liberal e a demanda por ordem

A grande trava para a expansão do campo progressista, segundo o jurista, tem sido o predomínio da chamada esquerda liberal. Mascaro foi enfático ao apontar que o foco excessivo em pautas individuais de costumes e disputas de linguagem — muitas vezes pautadas por modelos importados dos Estados Unidos e financiados por ONGs internacionais — afastou o povão trabalhador, que vive nas periferias sob a angústia da insegurança cotidiana.

“O afeto do povo que tem o celular roubado ou que não pode andar na rua às 20h30 não é discutir desconstrução estética. Esse povo quer ordem. E ordem, na esquerda, é a firmeza do velho Lula sindicalista e a seriedade de figuras como Geraldo Alckmin”, pontuou.

Para Mascaro, o campo progressista não deve abandonar a defesa das populações vulneráveis, mas precisa subordinar a retórica identitária a um programa universal e de ampla maioria. Em vez de cair nas armadilhas morais armadas pelo bolsonarismo, a campanha deve responder às aflições da classe trabalhadora com foco na segurança pública, nos direitos materiais e na estabilidade social.

Erros na condução econômica e o fator Alckmin

Ao tratar da economia real, Mascaro não poupou críticas à política monetária e ao arrocho orçamentário praticados ao longo do ano. Para o jurista, a desaceleração no ritmo de crescimento econômico no momento mais decisivo do calendário eleitoral gerou uma perda sensível de entusiasmo na base da sociedade.

“Ano de eleição é ano de destravar a economia, de colocar o país para crescer a passos largos. Manter uma agenda excessivamente subordinada à Faria Lima e a juros extorsivos custa caro em termos de votos. O povo decide no caixa do supermercado, não em editoriais de jornais de negócios.”

Questionado sobre as especulações de bastidor em torno de Geraldo Alckmin para a condução da economia em um novo mandato, Mascaro avaliou que a sensibilidade de um político de carreira pode ser mais benéfica do que o dogmatismo de tecnocratas formados em gabinetes:

“Alckmin é um político que passou a vida precisando de votos e ouvindo o cidadão comum na padaria. Às vezes, um político tradicional tem muito mais noção de que a taxa de juros e o arrocho estão sufocando a vida da população do que economistas que só olham planilhas para atender aos bancos.”

A virada exige “esperança concreta”

Concluindo sua intervenção, Mascaro recorreu ao filósofo marxista Ernst Bloch para diferenciar a “esperança abstrata” da “esperança concreta”. Para o jurista, a tática eleitoral baseada puramente na rejeição e no medo da volta do autoritarismo tem limites claros e não mobiliza as grandes massas.

“Esperança concreta é dizer ao povo onde estarão os empregos, quais estradas serão rasgadas ligando as regiões do Brasil, como vamos reindustrializar e defender nossa soberania contra os interesses estrangeiros. O patriota de verdade é quem ama e constrói o próprio país, e não quem bate continência para bandeiras externas. A virada se faz oferecendo futuro, trabalho e grandeza à maioria trabalhadora”, finalizou Mascaro.

Confira a íntegra da entrevista de Alysson Mascaro na TV 247:

Fonte: Brasil 247

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