José Genoíno: “Não é hora de avaliar, é hora de ganhar votos”

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 — Diante de um dos cenários políticos mais decisivos e polarizados da história recente do país, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) e histórica liderança da esquerda brasileira, José Genoíno, fez uma conclamação contundente à militância e às forças democráticas durante participação ao vivo na TV 247: o momento não comporta autocrítica paralisante ou pessimismo, mas sim ação enérgica e ocupação massiva das ruas para buscar cada voto.

Sob o lema sintetizado na frase “Não é hora de avaliar, é hora de ganhar votos”, Genoíno enfatizou que qualquer balanço analítico aprofundado deve ser realizado após as urnas consagrarem a vitória, evitando dispersões desnecessárias na reta final do segundo turno.

“Nós temos que chamar a militância a substituir o luto pela luta, a depressão pela indignação, o mal-estar pela luta combativa. Guardemos o pessimismo para tempos piores. Hoje, é hora de ganhar eleição, avaliação nós fazemos depois — e prefiro fazer comemorando a vitória do que lambendo feridas”, cravou.

Os dois pilares do segundo turno: desconstruir a barbárie e pautar o futuro

Para Genoíno, uma campanha curta e vertiginosa de segundo turno depende da execução combinada de dois pilares táticos inegociáveis:

  1. A desconstrução política do adversário:Não se trata, segundo ele, de mero ataque pessoal ou adjetivação vazia, mas de expor os riscos concretos que o projeto da extrema-direita representa para a soberania nacional, os direitos sociais, as estatais e as instituições republicanas. Genoíno alertou para o perigo de concentração de poder no Parlamento e no Judiciário caso as forças reacionárias avancem, traçando paralelos com o desastre social visto em países vizinhos e governos ultraliberais.
  2. A sinalização clara de esperança e compromissos concretos:Genoíno advertiu que a campanha progressista não pode ficar presa unicamente à defesa do passado ou à comparação biográfica. O coração da disputa está no horizonte de amanhã.“Nós temos que falar do futuro, daquilo que vamos fazer. Falar de aumento real do salário mínimo, de fortalecimento do SUS, de educação em tempo integral, de soberania digital e de proteção aos direitos dos trabalhadores, das mulheres, da população negra e dos povos originários. Tem que ser um decálogo didático de compromissos que o militante consiga explicar na porta do metrô, no trem e no ponto de ônibus”, defendeu.

Ocupar os territórios: a força do corpo a corpo e das redes

Durante a conversa com a bancada — que contou com Florestan Fernandes Jr., Jeferson Miola e Sara Vivacqua —, Genoíno sustentou que a militância precisa atuar em ritmo ininterrupto: “24 horas por dia, 7 dias por semana”.

Ao analisar o mapa eleitoral traçado pelos debatedores, destacando o papel estratégico dos grandes centros urbanos e das capitais, o dirigente reforçou a diretriz de ocupar os territórios. Ele salientou que a presença física nos bairros, a distribuição de materiais e a conversa franca com o povo são insubstituíveis, devendo caminhar lado a lado com a guerrilha de comunicação nas redes digitais.

Entre os contingentes estratégicos a serem disputados, Genoíno apontou:

  • Os eleitores que se abstiveram no primeiro turno, que precisam de um motivo mobilizador e de esperança para comparecer às urnas;
  • Os votos brancos e nulos, sensíveis à denúncia da carestia, do desemprego e da destruição dos serviços públicos;
  • As parcelas descontentes do eleitorado moderado, que rejeitam o extremismo, o autoritarismo e a instabilidade institucional.

A força da nova geração e o “otimismo da vontade”

Outro ponto alto da manifestação de Genoíno foi a saudação à nova geração de parlamentares e lideranças jovens, negras e periféricas que emergiram com votações expressivas e forte domínio da linguagem digital. O ex-deputado insistiu que a coordenação de campanha deve abrir espaço e absorver a energia desses novos quadros para renovar a linha de frente.

Citando Antonio Gramsci e Félix Guattari, Genoíno concluiu seu chamamento reafirmando a dimensão coletiva e transformadora da luta política:

“A felicidade coletiva é subversiva porque mexe com as multidões, com os corações e com as mentes. Nós temos a causa justa, temos liderança e temos a militância de base. O que nós precisamos agora é de fé política, de crença na vitória e de coragem para ir para cima. É virar voto até o último minuto.”

Fonte: Brasil 247

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