Aliança de Caiado, Daniel e Flávio Bolsonaro reconfigura direita em Goiás
Por Ton Paulo — Jornal Opção

A nova aliança selada nesta terça-feira, 6, entre o governador reeleito Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) redesenha o espectro da direita em Goiás e coloca oficialmente no mesmo campo caiadismo e bolsonarismo, duas forças que até então mantinham atritos públicos em razão do pleito eleitoral, mas que já davam sinais de afinidade.
Em um palanque montado no local usado como comitê eleitoral de Daniel Vilela, reeleito com mais de 2,1 milhões de votos, Caiado, Daniel, Flávio, Gracinha Caiado, Gustavo Gayer, Fred Rodrigues e até Wilder Morais ficaram lado a lado e selaram um acordo que pode resvalar em vários âmbitos da política nacional e local.
Em sua fala, Caiado, que disputou a Presidência da República, mas acabou ficando em quinto lugar, disse que entraria de “corpo inteiro” na campanha de Flávio Bolsonaro e minimizou as críticas feitas ao filho “01” de Bolsonaro ao longo da campanha que antecedeu o 1º turno.
“As pessoas vão colocar na mídia: ah, o Caiado foi duro com o Flávio. Minha gente, eu sou duro com todos. Eu não entro na campanha mole. Eu, se excedi nas minhas críticas, você sabe que eu queria ser presidente. Você foi eleito, acabou. Você está no segundo turno e tem o meu respeito. Agora eu vou entrar com você de corpo inteiro”, disse, diante de algumas centenas de pessoas que gritavam “ministro!”, em alusão à possibilidade de o ex-governador ser indicado para algum ministério do governo federal caso Flávio vença o 2º turno contra Lula da Silva.

Já Flávio lembrou o alinhamento político entre seu pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe, e Caiado e sinalizou que as divergências foram superadas. “Caiado, você falou do meu pai, que é um dos maiores injustiçados desse país hoje. E eu sei, todos são testemunhas, tiveram alguns momentos de atrito. Mas também são testemunhas que em 99 por cento das vezes vocês estavam alinhados, unidos, combatendo a esquerda”.
Mesmo com candidatos em campos opostos nas eleições deste ano, o caiadismo, com Daniel Vilela, e o bolsonarismo, com Wilder Morais, já davam sinais de que poderiam caminhar juntos. O acordo inicial para o pleito, inclusive, passava por uma aliança entre a base governista e o PL, que teria o partido de Bolsonaro apoiando Daniel em troca do apoio do governador e de Caiado à candidatura de Gustavo Gayer ao Senado.
O acordo não prosperou após Wilder conseguir confirmar sua candidatura. Contudo, o próprio movimento bolsonarista parece não ter recebido bem a decisão, o que ajuda a explicar, por exemplo, Gayer ter sido eleito senador com mais de 1,6 milhão de votos, enquanto Wilder obteve menos de 800 mil votos na disputa pelo governo.
Agora, o alinhamento anteriormente planejado parece ter voltado à configuração inicial, com Gayer, Flávio e até Wilder ao lado do governo do Estado.
Mais cedo, o Jornal Opção noticiou que a nova aliança pode ter diversos desdobramentos, que vão desde a possibilidade de Caiado ser, de fato, ministro de Flávio em uma eventual vitória do bolsonarista até a adesão dos parlamentares do PL ao projeto de Daniel Vilela em Goiás, o que criaria uma espécie de “caiado-bolsonarismo”.
Vale destacar que, na nova composição da Assembleia Legislativa de Goiás, o PL terá a segunda maior bancada, com cinco deputados estaduais, atrás apenas da bancada do MDB, partido de Daniel, que elegeu sete parlamentares. Os bolsonaristas serão essenciais, portanto, para a aprovação de projetos importantes para o Palácio das Esmeraldas e para o Estado.
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Fonte: Jornal Opção