“É fundamental que a campanha de Lula esteja colada naquilo que é anseio da classe trabalhadora”, diz Sérgio Nobre

0

Por Leonardo Sobreira — Brasil 247

247 – Sérgio Nobre, presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), defendeu, em entrevista ao Brasil 247, que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dê maior atenção às demandas da classe trabalhadora, como o fim da escala 6×1, em uma estratégia que, segundo ele, pode ampliar o apoio eleitoral. Nobre também acusou o PL, partido do candidato Flávio Bolsonaro, de articular no Congresso Nacional, nesta terça-feira (6), para impedir o avanço da proposta.

Na entrevista no Senado, Nobre também afirmou estar confiante que o debate sobre o fim da escala 6×1 avançar, mas alertou que, mesmo após a eventual aprovação, agora não é hora de “baixar a guarda”. “Temos que ter muita pressão, muita mobilização”, afirmou.

Leonardo Sobreira (LS): São muitos os debates sobre os rumos que a campanha do presidente Lula deve tomar agora após o revés no primeiro turno. Quais os rumos principais que a campanha deve adotar agora?

Sérgio Nobre (SN): É fundamental que a campanha esteja colada naquilo que é anseio da classe trabalhadora. Um dos grandes anseios é ter dois dias para folgar, o fim da escala 6×1, e isso só é possível com o presidente Lula. É muito importante que o movimento sindical cole a pauta do fim da escala 6×1 à eleição do presidente Lula porque está claro.

A 6×1 ainda não saiu no Senado porque o Flávio Bolsonaro e os bolsonaristas trabalharam para impedir a votação e estão trabalhando para que não seja votada nessa legislatura ainda. Isso tem que ser denunciado para a classe trabalhadora. Nós temos que dizer para esse povo: se você quer o fim da escala 6×1, é votando no presidente Lula, e denunciar o PL no que eles querem fazer. O PL não esconde que é contra a CLT, que quer desmontar a CLT, eles não escondem que eles querem entregar a Petrobras, que eles querem vender o Banco do Brasil, a Caixa Econômica. Isso é o que nós temos que dizer para o povo. E também, se você quer ter um país com soberania, com desenvolvimento, que não é quintal dos Estados Unidos, um país que gere emprego, que combata as desigualdades, é com o presidente Lula. Esse é o rumo da campanha.

Agora é outra campanha. Então não tem mais Renan (Santos), não tem mais um monte de gente que estava aí. Agora é o presidente Lula e o Flávio, então agora é hora de comparar, debater projeto e que modelo de país que a gente quer. E dizer para o povo, você tem que votar no Brasil que você quer. Se você quer um Brasil com dignidade e soberania, é votando no presidente Lula.

LS: É hora para mobilizar nas ruas? E atrair esse segmento da população mais à esquerda que já votou no presidente Lula para as ruas?

SN: Acredito ser a hora de dialogar com quem não foi votar, porque a diferença foi baixa. É muita coisa que está em jogo. Temos que conversar com essa população que não votou, aliás saber o por quê. Há indícios aí de que tem muita gente que não conseguiu se deslocar, que não tinha recurso suficiente para se deslocar. Precisamos resolver esse problema, da importância de votar. Nós precisamos conversar muito com os aposentados, porque quem defende a valorização do salário mínimo, o aumento real do salário mínimo, é o presidente Lula. Se o Flávio ganha a eleição é o fim. O fim da correção do salário mínimo acima da inflação, e isso pega muito forte nos nossos aposentados, nos pensionistas do INSS. Nós precisamos conversar com esse povo hoje que trabalha na escala 6×1, que são milhões e milhões de brasileiros que estão nessa escala e que, como sabemos, é com o presidente Lula que vamos viabilizar essa conquista histórica. Então, é conversar.

Agora, as campanhas do presidente Lula sempre foram alegres, sempre teve muita multidão. Espero que continue assim. Sua ida aos estados leva muita gente para as ruas. É muito importante a mobilização numa campanha. Tem que ser uma campanha alegre, solta, como foram todas as campanhas.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *