“O cabelo cai de 80 a 100 fios por dia”: médico explica quando a queda vira sinal de alerta
Por Raunner Vinícius Soares — Jornal Opção

A queda de cabelo é uma preocupação comum entre homens e mulheres e, muitas vezes, hábitos diários podem contribuir para o agravamento do problema sem que a pessoa perceba.
Ao Jornal Opção, o cirurgião plástico e especialista em transplante capilar, Dr. Cleber Stuque, explicou, nesta terça-feira, 2, quais são os principais erros relacionados à saúde capilar, os sinais de alerta para procurar ajuda especializada e os cuidados que podem ajudar a retardar o avanço da calvície.
Segundo o especialista, um dos erros mais frequentes é adiar a busca por atendimento médico especializado. Ele afirmou que muitas pessoas deixam o problema para depois e acabam perdendo o momento ideal para intervenção. “O primeiro deles é não procurar o atendimento médico ideal, especializado, e sempre deixando para depois, porque pode chegar um momento que já não teremos mais como resgatar os fios”, apontou.

Um fator importante está relacionado ao estilo de vida, o médico explicou que alimentação inadequada e privação de sono interferem diretamente na saúde dos cabelos. “O segundo deles é claro que sempre vem bater na tecla da má alimentação e sono. Má alimentação, privações de sono. Isso é lei. A gente não pode deixar de falar isso”, afirmou.
A automedicação também foi apontada como um comportamento de risco. Segundo ele, o uso de medicamentos ou suplementos sem orientação adequada pode trazer consequências para a saúde. “O terceiro é a automedicação. A gente, às vezes, usar medicações erradas e até dosagens erradas de medicações, que pode até afetar outras áreas do organismo”, disse.
Um dos erros mais comuns, é a crença de que pessoas com queda de cabelo devem evitar lavar os fios. Para ele, a prática correta é justamente manter o couro cabeludo limpo. “Às vezes a gente acha que é errado, para quem já está tendo queda de cabelo, lavar o cabelo. E não, é o contrário. Você tem que manter sempre um couro cabeludo limpo, para diminuir a oleosidade e até em consultas periódicas, às vezes pode até ter fungos, etc. e tal, que a gente precisa cuidar”, alertou.
Um hábito que também merece atenção é o uso frequente de procedimentos químicos e fontes de calor. O uso constante de química, chapinha e secador. “Esses produtos químicos, principalmente os que contêm amônia e formol, a gente tem que evitar, ainda mais pacientes que possuem alopecia androgenética. Então, produtos para alisamento capilar contendo amônia e formol são muito prejudiciais”, disse.
Ao ser questionado sobre o momento em que a queda de cabelo deixa de ser considerada normal, o médico explicou que alterações visíveis já servem como sinal de alerta. “É quando você olha no espelho e começa a perceber falhas no couro cabeludo, baixa densidade em certas regiões, começa a perceber um cabelo mais fino e você começa a comparar com fotos anteriores”, apontou.
Ele também explicou que existe uma quantidade diária considerada fisiológica. “O nosso cabelo cai de 80 a 100 fios por dia, isso é o normal”, afirmou.
O especialista explicou que quando esse número aumenta significativamente, a recomendação é procurar ajuda. “A partir do momento que você faz uma estimativa ali que está caindo mais do que isso na média diária, 150, 200 fios por dia, está na hora de procurar um especialista porque algo está errado”, disse.
Ao comentar a influência do estresse, da alimentação inadequada e da falta de sono, o especialista explicou que esses fatores afetam diretamente mecanismos biológicos ligados ao crescimento capilar. “A má alimentação e a privação do sono podem aumentar um hormônio chamado cortisol, que aumenta a queda capilar”, apontou.
Segundo ele, também há aumento dos radicais livres, fenômeno associado à oxidação do bulbo capilar e dos fios. “Pode aumentar os famosos radicais livres, que aumentam a oxidação tanto do bulbo capilar quanto do fio”, afirmou.
A deficiência nutricional também foi destacada. “O nosso cabelo é pura proteína.” Para manter a vitalidade dos fios, ele ressaltou a necessidade de nutrientes específicos. “Ele precisa de zinco, magnésio, vitamina D para que ele tenha vitalidade e força, para ele resistir às várias doenças”, explicou.
Em resumo, o médico associou a saúde capilar à suplementação adequada quando indicada, à boa alimentação, ao sono de qualidade e ao controle dos fatores que elevam o cortisol.
Sobre o uso de vitaminas, shampoos e soluções comercializadas na internet, o médico alertou para os riscos dos tratamentos sem comprovação científica. “A primeira coisa é não dar certo, você comprar, gastar dinheiro com um produto que não funciona, não é cientificamente comprovado”, disse.
Além da possibilidade de ineficácia, ele destacou o risco de efeitos adversos causados pelo uso incorreto de substâncias. “A segunda coisa é você tomar em doses excessivas, doses erradas, que podem atrapalhar e dar efeitos colaterais, como hipervitaminose, sobrecarga de rins, fígado, alguns efeitos colaterais como hipotensão”, explicou.
Ao ser questionado sobre diferenças entre homens e mulheres na prevenção da calvície, o especialista afirmou que os erros costumam ser semelhantes. “Acho que o ser humano em si comete os erros semelhantes”, disse.
Ele observou, no entanto, que as mulheres geralmente possuem uma rotina de cuidados distinta. “É lógico que a mulher lava menos cabelo. O cabelo é maior, é mais difícil de cuidar, é mais difícil de secar. Então acho que a mulher tem um cuidado a mais no trato capilar do dia a dia”, alertou.
Mesmo assim, segundo ele, o comportamento de postergar a procura por atendimento é parecido entre os dois públicos. “Em matéria de esperar o tempo correto, ideal ou não, ou deixar passar, é meio semelhante”, afirmou.
Uma das atitudes que podem ajudar a preservar a saúde dos cabelos e retardar o avanço da calvície, ele voltou a destacar hábitos básicos. “Boa alimentação, bom sono e procurar um especialista assim que perceber que tem algum problema”, disse
O médico também recomendou atenção ao histórico familiar. “Sempre ficar de olho nos antepassados. Porque, se você tem um familiar que já é calvo, sofre com calvície, fique de olho nesses aspectos todos que eu falei, que a qualquer sinal de diferença procure o especialista”, apontou.
Ao final da entrevista, especialista comentou sobre a importância de buscar profissionais devidamente especializados. “O mais importante é o seguinte. Procure o especialista, de preferência um médico que possui RQE [Registro de Qualificação de Especialista]. RQE é o título de especialidade, é alguém que fez residência médica em Cirurgia Plástica ou Dermatologia”, disse.
Segundo ele, pacientes devem verificar não apenas a existência do registro, mas também a especialidade à qual ele está vinculado. “Hoje está cheio de médicos que não são cirurgiões plásticos ou dermatologistas fazendo transplante capilar. E aí o resultado é catastrófico”, apontou.
O especialista acrescentou que muitos casos acabam exigindo correções posteriores. “A gente precisa fazer uma correção capilar de um transplante mal feito e sempre é mais difícil corrigir do que fazer de primeira”, afirmou.
O médico também chamou atenção para a necessidade de conferir a área de atuação informada pelo profissional. “Existem médicos até que têm o seu RQE, mas é RQE de Cirurgia Geral, é RQE de Cardiologia, e eles não explicam isso no Instagram, eles só colocam RQE”, disse.
Por esse motivo, o médico recomendou que o paciente busque profissionais especializados em doenças capilares e transplante capilar. “Você precisa sempre procurar um bom especialista que seja especialista nessa área, cirurgião plástico ou dermatologista, e ficar de olho há quanto tempo ele está trabalhando nessa área”, apontou.
Por fim, o especialista disse que cada caso de queda de cabelo possui características próprias e exige avaliação individualizada. “Por isso que existem as especializações. Por isso que existe a residência médica, para você focar naquela área lá”, afirmou.
Ele concluiu afirmando que a popularização dos procedimentos capilares não elimina a necessidade de formação específica. “Não é porque virou um boom de transplante capilar que qualquer médico pode sair fazendo”, finalizou.
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Fonte: Jornal Opção