Celina Leão nega privatização do BRB e fala em recuperar banco

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – Candidata à reeleição como governadora do Distrito Federal, Celina Leão negou que exista plano de privatização ou venda do BRB. O governo trabalha para recuperar o banco. A chefe do Executivo distrital afirmou que a divulgação de notícias sobre eventual privatização do BRB tem como finalidade gerar insegurança entre servidores públicos e clientes da instituição.

“Desde a eleição passada, desde o primeiro turno, eles falam isso, tentando desestabilizar o banco. Isso é criminoso o que eles fazem contra o banco. Não tem nada disso”, afirmou a governadora, que recebeu 49,93% (825 mil) dos votos e disputará o segundo turno contra Leandro Grass, do PT (569 mil/34,47%).

De acordo com a avaliação feita por Celina, o governo busca alternativas para fortalecer o BRB e mantém conversas com organismos internacionais para viabilizar recursos. Ela disse que o objetivo é substituir uma operação que, segundo seu relato, seria feita com um sindicato de bancos.

“O que a gente está fazendo é tentando recuperar o banco. Estamos conversando, inclusive, com organismos internacionais para fazer o provimento desse empréstimo que o banco ia fazer com o próprio sindicato de bancos que foi proposto pelo Ministério da Economia, que não cumpriram, mas não tem nada disso”, declarou.

Questionada se a privatização estava descartada, Celina respondeu: “Está descartado”. Celina também negou que haja negociação para venda do BRB ao BTG Pactual.

Ela classificou a informação como falsa e voltou a dizer que não existe processo de alienação do banco. “É fake. Não tem nada de venda. Não tem nada, não tem nenhuma venda em curso sobre o banco BRB. Nós estamos tentando recuperar o banco”, disse.

A política afirmou que recebeu uma comissão de servidores no Palácio e tratou do tema com transparência. Segundo ela, uma operação desse tipo não poderia ocorrer sem documentação interna.

“Eu recebi uma comissão de servidores lá no Palácio. Conversei muito com eles. É tudo muito transparente. Não tem como você fazer isso sem ter documentação interna”, afirmou.

Celina também associou os rumores sobre o BRB a outras informações que, segundo ela, adversários teriam divulgado durante a campanha. Ela citou mensagens em grupos ligados à educação e disse que os ataques buscam criar preocupação entre servidores.

“Eles fizeram isso no primeiro turno. Estão fazendo novamente. Para vocês terem noção, eles falaram dentro de grupos de educação que eu ia privatizar uma carreira hoje, que é a PPGE. Então, assim, são coisas loucas, né? Que soltam em grupos para fazer justamente esse tipo de situação”, afirmou.

Nomeações e artigo 167A

Na entrevista, Celina também tratou de nomeações no serviço público e afirmou que o governo equilibrou as contas em relação ao artigo 167A, que impunha restrições para novas contratações. “Só de professores eu nomeei mais de 4 mil professores. Então, a gente equilibrou o 167A, que era isso que proibia a gente de nomear novos servidores”, disse.

Ela afirmou que o governo apresentou os dados do último quadrimestre à Câmara e que o cumprimento das regras abriu espaço para novas nomeações. “Então, a gente já chegou, a gente já está cumprindo o artigo 167A. É isso que me possibilita fazer nomeações”, declarou.

Celina também contestou a versão de que não poderia chamar novos servidores. Segundo ela, o governo já nomeou mais de mil pessoas na saúde e quase 4 mil na educação.

“E com mais uma notícia também errada, que foi divulgada pelos opositores, que a gente não ia poder nomear ninguém. Já nomeamos só da saúde, foram mais de mil pessoas. Educação, quase 4 mil pessoas. Vários casos”, disse.

Debates no segundo turno

Questionada sobre participação em debates, Celina afirmou que a equipe de comunicação avalia os convites, mas disse estar disposta a falar e debater. “Eu estou sempre disposta a falar, estou sempre disposta a falar, a debater. Eu não tenho problema nenhum de falar do projeto do PT”, afirmou.

Ela disse que sua campanha passará a adotar mais critério na escolha de sabatinas e debates por causa da duração curta do segundo turno.

“Não dá para mim ir em toda sabatina, em todo lugar, lugares que eu já fui, entendeu? Então, a gente está tendo um pouco mais criterioso, prestigiando mais os grandes veículos, porque você não dá conta de uma campanha de 21 dias, não vou ter sabatina todo dia em vez de ir para a rua”, declarou.

Celina também comentou o resultado do primeiro turno e disse que a campanha identificou dificuldade de parte do eleitorado em registrar corretamente o número de sua candidatura.

“Aí, quando você abre as urnas e ainda vê 26 mil votos para o número 22, a gente fica triste, não há como falar que não ficou triste. E aí, a gente reforça que comunicamos errado o nosso número”, afirmou.

Segundo ela, a campanha passou a priorizar a divulgação do número 11 no segundo turno.

“E a nossa meta número 1 é divulgar o nosso número, número 11, né? O 22 é do Flávio. Então, a gente está tentando fazer isso agora, comunicar isso na nossa propaganda eleitoral. Para informar isso melhor para o eleitor”, disse.

Compliance Zero e fraudes financeiras

O Banco Central vetou a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), segundo comunicado divulgado pelo BRB em 3 de setembro de 2025.

O Master, do empresário Daniel Vorcaro, foi alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada em 2024. Investigadores apuram a emissão de títulos de crédito falsos por instituições ligadas ao Sistema Financeiro Nacional.

A suspeita é de que essas instituições tenham criado operações de crédito sem lastro real, simulando empréstimos e outros valores a receber. Depois da aprovação contábil pelo Banco Central, os créditos fraudulentos e títulos de dívida eram trocados por outros ativos, sem análise técnica adequada.

O Master emitia Certificados de Depósitos Bancários, os CDBs, modalidade de investimento de renda fixa com rendimento definido previamente. Esse tipo de aplicação costuma ser considerado seguro porque conta com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC.

A instituição de Vorcaro oferecia ganhos acima dos padrões praticados no mercado. Enquanto bancos normalmente pagam CDBs equivalentes a 100% da taxa de juros, o Master prometia rentabilidade de até 140%. A estratégia elevava o risco para os credores e transferia parte do custo potencial ao FGC.

Na prática, quem compra um CDB empresta dinheiro ao banco e recebe, depois, o valor investido mais juros. O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs com promessa de remuneração superior à média do mercado, sem demonstrar liquidez para honrar esses títulos no futuro.

Para sustentar uma imagem de solidez, o banco teria registrado investimentos em ativos inexistentes e adquirido “créditos” de uma empresa sem capacidade de pagamento. Em seguida, teria revendido esses créditos ao BRB, que pagou R$ 12,2 bilhões sem documentação adequada, em uma operação que, segundo as investigações, ajudou a reforçar artificialmente o caixa do Master.

Fonte: Brasil 247

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