OEA aponta “ativismo político internacional” na eleição brasileira

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – A Organização dos Estados Americanos (OEA) identificou o que classificou como “ativismo político internacional” durante as eleições gerais brasileiras de 2026 e afirmou que esse movimento chegou ao ponto de incluir insultos contra uma das candidaturas. Apesar da ressalva, a missão internacional concluiu que a votação de domingo (4) ocorreu de maneira pacífica, organizada e “sem incidentes de maior gravidade”.

As conclusões constam do relatório “Missão de Observação da OEA – Eleições gerais de 2026 no Brasil”, divulgado nesta terça-feira (6). Segundo o G1, o documento não identifica os chefes de Estado envolvidos nem especifica qual candidatura teria sido alvo dos insultos.

A OEA afirmou que declarações de líderes estrangeiros sobre eleições em outros países vêm se tornando mais frequentes no continente.

“Assim como já foi observado pelas Moes [missões] da OEA em outras ocasiões, verifica-se uma tendência cada vez mais frequente de chefes de Estado fazerem declarações públicas sobre processos eleitorais em andamento em outros países do continente”, diz o relatório.

A missão acrescentou que esse comportamento também foi identificado durante a disputa eleitoral brasileira.

“A OEA observou que as eleições no Brasil não ficaram isentas desse ativismo político internacional e, inclusive, que, neste caso específico, esse ativismo chegou ao extremo de se proferirem insultos contra uma das candidaturas”, afirma o documento.

Relatório não identifica autoridades estrangeiras

Apesar da referência ao “ativismo político internacional”, a OEA não apresenta casos específicos nem atribui as manifestações a autoridades determinadas.

Integrantes do governo brasileiro, no entanto, vêm atribuindo aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, movimentos destinados a interferir politicamente no processo eleitoral brasileiro em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a eleição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A missão da OEA acompanhou o processo eleitoral em seções localizadas em 21 estados e no Distrito Federal. A entidade esteve entre as organizações internacionais convidadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para observar o pleito. Instituições ligadas à União Europeia e ao Mercosul também participaram do acompanhamento.

OEA destaca caráter pacífico das eleições

Embora tenha chamado a atenção para a atuação política internacional, a avaliação da OEA sobre a realização das eleições foi positiva.

“A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos […] parabeniza o povo brasileiro por sua participação nas eleições gerais realizadas no último domingo, 4 de outubro, em uma jornada cívica e pacífica”, afirma o documento.

A organização também destacou a atuação da Justiça Eleitoral, dos mesários, das forças de segurança e das demais instituições envolvidas na realização da votação.

“[A missão da OEA] reconhece também o trabalho profissional da Justiça Eleitoral, dos membros das mesas receptoras de votos, das forças de segurança e das demais instituições do Estado, que permitiu que 158.745.502 eleitores habilitados elegessem, no território nacional e no exterior, 1.790 cargos de maneira organizada e sem incidentes de maior gravidade”, registra o relatório.

Atraso na divulgação não afetou totalização

A missão internacional também analisou a interrupção temporária na atualização pública dos resultados pelo sistema do TSE na noite de domingo.

Entre 19h06 e 20h06, parte dos resultados deixou de ser atualizada na plataforma de divulgação da Justiça Eleitoral. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que houve um congestionamento no sistema, sem impacto sobre a contagem dos votos.

A OEA ressaltou que os sistemas utilizados para apuração e divulgação são separados e concluiu que o episódio não comprometeu a totalização.

“O sistema de apuração continuou funcionando sem contratempos. De tal maneira, os sistemas de apuração e divulgação são separados, estabelecendo uma medida de segurança e boa prática.[…] Os engenheiros especialistas da Missão que testemunharam a divulgação dos resultados puderam observar que esse exercício não comprometeu o processo de totalização dos votos”, afirma o documento.

Fonte: Brasil 247

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