Edinho Silva dá o tom da campanha do segundo turno: diálogo com quem não aceita um Brasil “entregue às milícias”

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Por otero — Fundação Perseu Abramo

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu para definir os rumos da disputa no segundo turno, e o tom escolhido é o do confronto direto de projetos. Para o presidente nacional do PT e coordenador político da campanha, Edinho Silva, a partir de agora a diferença entre os dois campos ficará mais evidente ao eleitor, e o PT vai procurar conversar com todos os grupos políticos que não aceitem o projeto representado por Flávio Bolsonaro (PL) — a quem atribui “ligações e elos com grupos milicianos”.

“O [Flávio] Bolsonaro é a incerteza, é a insegurança, é alguém que nesse momento tem mais ligações com a milícia do que com o povo brasileiro. Agora é confronto de projetos. Qual é a história do Flávio Bolsonaro?”, indagou Edinho. Segundo ele, as mudanças pedidas pela população precisam ser feitas com segurança — algo que, na sua avaliação, o adversário não tem condições de oferecer diante da biografia que carrega. “Nós vamos conversar com todas as lideranças que queiram construir um Brasil que não se entregue às milícias e que queiram discutir futuro, mas discutir com uma liderança que o povo brasileiro conhece. Portanto, é fazer mudanças sim, mas fazer mudança com segurança.”

Disputa global e o “projeto de mundo” de Trump

Edinho Silva situou o resultado do primeiro turno também como reflexo de uma disputa de rumos em escala mundial. De um lado, disse, está um polo de extrema direita liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem indentificou como sendo “o maior líder fascista do mundo” na atualidade. “Nós estamos vendo o que o Trump está fazendo com o mundo. São guerras, é ocupação de territórios, é violência, desrespeito, os imigrantes sendo tratados de forma desumana. Esse é um projeto de mundo.”Do outro lado, afirmou, está o projeto representado por Lula: humanista, de respeito às pessoas e à natureza, de combate ao desmatamento e de desenvolvimento sustentável: “são dois projetos distintos”, reforçou ele.

O dirigente petista disse ainda que a campanha vai detalhar ao eleitor o que considera ser o conteúdo do projeto adversário. “A ligação dele com a milícia, o histórico dele de comprar imóveis com recursos nunca explicados, o legado do pai, onde o Brasil abriu 714.000 covas [na pandemia de covid-19], o desmatamento, o Brasil no mapa da fome, o Brasil submisso aos interesses do governo Trump, a entrega das riquezas naturais do nosso país ao governo Trump”. Em contraponto, afirmou que Lula tem biografia conhecida e é “o candidato que sempre implementou mudanças importantes no Brasil”, enquanto Flávio seria “uma aventura”. “O povo sabe o que ele faz, porque ele já mudou, foi o presidente que mais mudou a história do povo brasileiro.”

Descrença no Judiciário e reforma do sistema político

Edinho Silva admitiu que a crise no Judiciário e o descrédito com o sistema político tiveram reflexo na votação do primeiro turno. “Evidente que o povo brasileiro carrega consigo hoje a vontade de mudar a estrutura política, a estrutura do Judiciário. Nós reconhecemos isso, mas são 2% de diferença. É muito pouco, né? E o presidente Lula, de fato, ele é a única autoridade, a única liderança com capacidade de mudar o Brasil, de fazer reformas que o povo brasileiro precisa”. Ele destacou que o presidente defendeu durante toda a campanha a reforma do sistema de Justiça e do sistema político. “O presidente Lula quer fazer mudanças no Poder Judiciário, porque esse Judiciário que está aí não nos serve, e mudanças no poder Legislativo. O modelo político brasileiro, como disse o presidente Lula, apodreceu”, concluiu.

(Com informações da Agência PT)

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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