Perícia vê queda de 40,5% no estoque e redução de 4,6 mil pessoas no quadro da Casas Bahia

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – Um laudo da perícia judicial na Casas Bahia apontou queda de 40,5% no valor dos estoques entre abril e agosto e redução de 4.647 pessoas no quadro de funcionários entre 3 e 28 de agosto. A perícia, determinada pela Justiça de São Paulo, também identificou áreas ociosas em parte da estrutura da varejista.

O estoque da companhia passou de R$ 3,18 bilhões em abril para R$ 1,89 bilhão em agosto. Em número de itens, a redução foi de 25,2%, para 4,3 milhões de unidades. O valor médio de cada produto armazenado recuou 20,5% no mesmo período.

O quadro de funcionários caiu de 29.737 pessoas em 3 de agosto para 25.090 no dia 28, uma redução de 15,6%. O laudo ressalva que os dados disponíveis não permitem determinar quanto dessa diferença decorre de desligamentos, transferências ou outras movimentações internas.

As visitas realizadas pela ACFB Administração Judicial também mostraram diferenças entre as unidades logísticas. No centro de distribuição de Ribeirão Preto, foram encontradas áreas desabastecidas, baixo nível de estoque e poucos funcionários. A unidade representou cerca de 0,01% dos itens movimentados pelos centros de distribuição no período analisado.

A situação era diferente em Jundiaí, onde está o principal centro de distribuição do grupo. A perícia registrou estoque elevado e movimentação intensa no local, responsável por cerca de um terço dos itens movimentados e por quase 30% da demanda mensal da companhia. O centro atende 264 lojas.

A perícia também identificou pressão sobre a liquidez da Casas Bahia. O menor saldo estimado como disponível em agosto foi de R$ 29 milhões, enquanto a companhia projetava desembolsos médios de R$ 34,5 milhões por dia útil. Nesse ponto, segundo o laudo, o caixa disponível não seria suficiente para cobrir um dia de pagamentos.

Dois dias antes do pedido de recuperação judicial, apresentado em 16 de agosto, transferências realizadas a partir de uma conta vinculada fizeram o saldo analisado pela perícia cair de R$ 295,5 milhões para R$ 92,9 milhões em apenas um dia.

Em uma simulação, a ACFB estimou que, num cenário de retenção integral das entradas vinculadas, a Casas Bahia necessitaria de reforço de caixa entre R$ 212,7 milhões e R$ 257,1 milhões no momento mais crítico de um período de 30 dias.

O documento registrou ainda situações em que receitas provenientes de vendas foram destinadas diretamente a credores. Entre 25 e 31 de agosto, R$ 74,4 milhões deixaram uma conta vinculada e foram repassados à Whirlpool. Mesmo depois de o saldo dessa conta chegar a zero, novos recursos recebidos continuaram sendo transferidos à fornecedora.

A ACFB avaliou que esses repasses tiveram impacto relevante sobre a liquidez. Apesar da pressão sobre o caixa, da redução do estoque e das mudanças observadas no quadro de pessoal, a perícia constatou que lojas físicas, centros de distribuição e canais digitais da Casas Bahia continuavam em operação.

Fonte: Brasil 247

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