Dia das Crianças terá presentes 5,9% mais caros e consumidor mais seletivo

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Por Aquiles Lins — Brasil 247

247 – Os consumidores que pretendem comprar presentes para o Dia das Crianças neste ano deverão encontrar preços mais altos e adotar maior cautela antes de fechar as compras. A cesta de 23 produtos tradicionalmente procurados para a data acumula alta de 5,9% em 12 meses, percentual superior à inflação média nacional de 4,47% no mesmo período.

Os dados são de levantamento da FecomercioSP divulgado pelo Sincomercio Araraquara, que avalia que a combinação entre preços elevados, custo do crédito e endividamento das famílias deve estimular maior pesquisa de preços e busca por alternativas mais acessíveis em 2026.

Entre os produtos com os maiores reajustes estão os videogames. Os consoles ficaram 13,52% mais caros em 12 meses. Chocolates em barra e bombons aparecem logo depois, com aumento de 12,22%, ainda sob impacto das cotações internacionais do cacau.

Computadores pessoais tiveram alta de 10,33%, enquanto perfumes avançaram 10,02%. Os agasalhos infantis ficaram 8,13% mais caros.

Cesta supera inflação nacional

O movimento representa uma mudança em relação ao ano passado. Em 2025, a cesta relacionada ao Dia das Crianças registrava alta de 3,49%, abaixo da inflação geral de 5,32%. Agora, os preços dos produtos ligados à data avançam acima do índice médio nacional.

A pressão, porém, não atinge todas as categorias na mesma intensidade. Os brinquedos acumulam reajuste de 4,02%, abaixo da média da cesta.

Alguns itens ficaram mais baratos. Os preços dos aparelhos telefônicos recuaram 0,2% em 12 meses, enquanto as bicicletas tiveram queda de 1,79%. Aparelhos de som registraram redução ainda maior, de 8,52%.

Consumidor deve comparar mais antes de comprar

Apesar da elevação dos preços, a expectativa é que o caráter afetivo da data continue sustentando a procura por presentes. O Sincomercio Araraquara, porém, projeta um consumidor mais seletivo, especialmente diante de compras de maior valor.

Segundo a economista da entidade Maria Clara Kirsh, o cenário de emprego e renda ajuda a preservar a demanda, mas o encarecimento dos produtos tende a modificar a forma como as famílias escolhem os presentes.

“A data mantém uma força importante para o varejo por seu caráter afetivo e familiar, e o cenário de emprego e renda contribui para sustentar a demanda. Ao mesmo tempo, temos um consumidor mais seletivo, que encontra uma cesta de presentes 5,9% mais cara do que há um ano. Isso tende a aumentar a pesquisa de preços e a busca por alternativas que caibam no orçamento”, afirma.

Além dos preços mais altos, o custo do crédito, o endividamento das famílias, a concorrência do comércio eletrônico e as incertezas econômicas devem pesar sobre as decisões de consumo.

Descontos e parcelamento podem influenciar vendas

Nesse cenário, condições de pagamento podem se transformar em um dos principais diferenciais para o comércio. Entre as estratégias citadas pelo Sincomercio estão descontos para pagamentos via PIX, parcelamento no cartão e integração entre lojas físicas e canais digitais.

“Existe disposição para presentear, mas a decisão de compra tende a ser mais racional. O consumidor provavelmente vai comparar preços, avaliar formas de pagamento e eventualmente substituir produtos mais caros por opções que preservem o presente sem comprometer tanto o orçamento familiar. Para o varejo, entender esse comportamento será fundamental”, complementa Maria Clara.

A entidade também avalia que o emprego e a renda podem evitar uma retração mais acentuada das compras, embora as vendas devam apresentar apenas pequenas variações neste ano.

A economista ainda destaca que as compras realizadas no comércio local ajudam a manter recursos em circulação na cidade e contribuem para a atividade econômica do município.

Fonte: Brasil 247

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