América Latina e Caribe respondem por só 1,2% do investimento global em IA, diz chanceler do Uruguai

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Por Victoria Lacerda — JOTA

O chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, afirmou durante o JOTA Global , realizado em Nova York na última quarta-feira (23/9), que a América Latina e o Caribe concentram apenas 1,2% do investimento e da capacidade humana mundial em inteligência artificial (IA), apesar de representarem 6,6% do PIB global e 8,8% da população mundial. Segundo ele, esse descompasso evidencia tanto um atraso quanto uma oportunidade de crescimento para a região. Lubetkin falou na condição de presidente pro tempore do Mercosul, da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC, que reúne 33 países) e do G77, bloco que representa 134 países em desenvolvimento.

“Não podemos ser meros usuários ou consumidores. Precisamos produzir e adaptar a tecnologia à nossa própria realidade para evitar cair em novas dependências e vieses”, afirmou o chanceler, defendendo que a região passe de estratégias nacionais fragmentadas para uma arquitetura regional unificada em IA. Como exemplo desse movimento, ele citou o projeto LatamGPT, que reúne mais de 40 instituições em 12 países para desenvolver um modelo de linguagem aberto, demonstrando que a soberania digital compartilhada é viável.

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Além do desenvolvimento de tecnologias próprias, Lubetkin destacou a necessidade de a região aproveitar as vantagens em infraestrutura para se posicionar como destino para investimentos em inteligência artificial. Nesse sentido, o Uruguai tem na matriz elétrica –100% proveniente de fontes renováveis, uma característica que desvincula o consumo de eletricidade do consumo de água. O chanceler considera esse um diferencial competitivo para atrair data centers, cujo funcionamento costuma gerar grande impacto hídrico e energético. O tema foi discutido em reuniões recentes com representantes de empresas de tecnologia e outros países interessados no modelo, como Índia e Suíça.

Essa independência energética também faz com que conflitos internacionais recentes, como a guerra no Oriente Médio, não representem hoje risco ao programa energético uruguaio, diferentemente do que teria ocorrido duas décadas atrás.

Governança global não deve ser ditada por quem concentra capital tecnológico

Lubetkin afirmou que, na manhã do mesmo dia do painel, havia participado de uma reunião entre os 33 países da CELAC e os 27 países da União Europeia para acordar um novo roteiro de cooperação que inclui inteligência artificial. De acordo com ele, essa articulação é um modelo do tipo de governança que a região defende. “A formulação desses objetivos não pode ficar apenas nas mãos de quem concentra o capital tecnológico”, afirmou, acrescentando que, no dia anterior ao evento, também havia se reunido com representantes de países africanos para discutir uma possível parceria entre a América Latina, o Caribe e o continente africano no desenvolvimento de inteligência artificial.

Na fala de encerramento, o chanceler sustentou que a região tem uma oportunidade histórica de construir um modelo próprio de inteligência artificial, centrado nas pessoas e vinculado ao desenvolvimento produtivo, ao fortalecimento democrático e à sustentabilidade. “Essa será a nossa política, e não vamos mudar”, afirmou.

O JOTA Global teve realização do JOTA , com patrocínio de ApexBrasil, DLA Piper e Vale, suporte especial do Einstein Hospital Israelita e parceria institucional da Dinâmica.

Fonte: JOTA

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