Deputado bolsonarista associa avanço da extrema-direita a cenário que levou Hitler ao poder

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL), reeleito com a maior votação da Paraíba, recorreu à ascensão do nazismo na Alemanha para explicar o fortalecimento eleitoral da extrema direita no Brasil e justificar a reação do bolsonarismo contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Arapuan e divulgadas nesta terça-feira (6) pela coluna da jornalista Thais Bilenky, no UOL. Segundo o parlamentar, o resultado das urnas representaria uma resposta àquilo que classificou como “humilhação” imposta pelo Supremo aos responsáveis pela tentativa de golpe de Estado.

“As urnas disseram isso”, afirmou Cabo Gilberto.

O deputado defendeu que uma das principais ações da direita no novo cenário político seja trabalhar pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

“A gente quer fazer justiça e a justiça é cassar o ministro Xandão, para ele pagar pelos seus crimes. Mas sem ultrapassar a questão da humilhação. A gente tem que respeitar”, declarou.

Comparação com a Alemanha

Ao desenvolver seu argumento, Cabo Gilberto comparou a situação política brasileira ao período posterior à Primeira Guerra Mundial e relacionou as condições impostas à Alemanha ao posterior fortalecimento de Adolf Hitler.

“Eu gosto muito de história e no final da Primeira Guerra Mundial, Winston Churchill e os vencedores humilharam a Alemanha nazista. Antes de ser Alemanha nazista. Então, a Suprema Corte vem humilhando o povo brasileiro, a liberdade do povo brasileiro, junto nesse conluio com o PT. Então, a população está vendo isso. Tem um certo limite”, disse Cabo Gilberto à emissora.

A referência histórica feita pelo deputado associa o crescimento da extrema direita brasileira a um contexto que, em sua interpretação, teria contribuído para a ascensão do nazismo na Alemanha.

Questionado durante a entrevista pelo jornalista Luis Torres se estaria comparando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a Hitler, Cabo Gilberto negou.

“Não, comandante, não. Não tem nada a ver uma coisa com a outra, comandante. Nada, zero. É só um fato histórico que ocorreu, que hoje a população está mostrando de forma democrática, diferentemente do da Suprema Corte, que trabalha de forma ditadora, a ditadura do Judiciário”, respondeu.

Deputado diz que “humilhação” fortaleceu Hitler

Cabo Gilberto voltou ao episódio histórico para sustentar que as condições impostas à Alemanha após a Primeira Guerra Mundial teriam sido determinantes para o fortalecimento de Hitler.

“Se os aliados tivessem vencido a guerra, como venceram, e não tivessem humilhado o país, eles não teriam Segunda Guerra, porque Hitler não ficaria forte o suficiente com o apoio da população por conta disso. A gente não teria a Segunda Guerra Mundial”, declarou.

A interpretação apresentada pelo parlamentar simplifica um processo histórico marcado por múltiplos fatores políticos, econômicos e sociais. A ascensão do nazismo ocorreu em meio à crise da República de Weimar, aos efeitos da Grande Depressão, ao crescimento do antissemitismo e do ultranacionalismo e à atuação organizada do Partido Nazista, além das consequências do Tratado de Versalhes.

O uso de referências ao nazismo não é inédito entre integrantes do bolsonarismo. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o então secretário especial da Cultura Roberto Alvim foi demitido depois de divulgar um vídeo no qual reproduziu trechos semelhantes a um discurso do ministro da Propaganda nazista Joseph Goebbels. Procurado pelo UOL para comentar as declarações, Cabo Gilberto Silva não respondeu.

Fonte: Brasil 247

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