Pequenos negócios usam remessas expressas para ampliar presença no comércio exterior

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – Micro e pequenas empresas brasileiras encontram nas remessas expressas uma alternativa para reduzir parte das dificuldades logísticas enfrentadas na importação de insumos e na venda de produtos ao exterior. A modalidade permite realizar operações de menor escala, acompanhar encomendas e concentrar etapas de transporte e procedimentos aduaneiros em um mesmo serviço.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (ABRAEC), pequenos negócios representam cerca de 40% das empresas brasileiras exportadoras, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Apesar da presença expressiva entre os exportadores, empresas de menor porte ainda enfrentam obstáculos como custos elevados, burocracia e dificuldades para prever prazos e despesas das operações internacionais.

“As remessas expressas conectam pequenos negócios a fornecedores e clientes internacionais por meio de um serviço que integra transporte, acompanhamento da encomenda e procedimentos aduaneiros. Na importação, facilitam o acesso a peças de reposição, componentes e insumos necessários à atividade empresarial”, afirma Lara Gurgel, diretora-executiva da ABRAEC.

Operações menores permitem testar novos mercados

Na avaliação da entidade, a possibilidade de movimentar volumes menores permite que empresas iniciem sua atuação internacional de forma gradual, sem precisar estruturar desde o início operações de maior porte.

Na exportação, o modelo pode ser utilizado para o envio de amostras, atendimento dos primeiros pedidos e comercialização de produtos em mercados ainda não explorados pela empresa.

“Em ambas as situações, essa logística contribui para a continuidade das atividades e amplia as oportunidades de crescimento e inserção internacional das pequenas empresas. Em um contexto de mudanças geopolíticas, é fundamental que os pequenos negócios possam ter acesso rápido e facilitado a um número diverso de destinos”, acrescenta Lara.

A estratégia pode ser particularmente relevante para empresas que ainda estão avaliando a demanda por seus produtos no exterior. Com operações menores, o empreendedor consegue testar mercados antes de assumir custos relacionados à ampliação de estoque, produção e estrutura logística.

“As remessas expressas têm um papel importante na expansão internacional das micro, pequenas e médias empresas porque oferecem uma estrutura logística que pode ser utilizada conforme a demanda de cada negócio, inclusive para pequenos envios”, diz a executiva.

Burocracia dificulta planejamento de pequenos negócios

O planejamento de uma operação internacional exige conhecimento sobre documentação, normas aplicáveis aos produtos, tributos, custos logísticos e prazos para entrega e liberação das mercadorias.

Para empresas com equipes reduzidas, reunir essas informações pode consumir tempo e recursos que representam parcela relevante da estrutura disponível.

“Para importar ou exportar, o empreendedor precisa saber quais documentos apresentar, quais exigências se aplicam ao produto, quanto a operação custará e com quais prazos poderá contar. Reunir essas informações exige tempo e conhecimento especializado, mas é essencial para avaliar a viabilidade do negócio e assumir compromissos com fornecedores e clientes”, explica Lara.

A falta de clareza sobre procedimentos pode dificultar a formação de preços e a definição de prazos comerciais. Uma empresa que não sabe quanto tempo uma mercadoria ficará em processo de liberação, por exemplo, enfrenta maior dificuldade para informar ao cliente quando conseguirá concluir uma entrega.

Na importação, atrasos também podem comprometer a disponibilidade de peças, componentes e matérias-primas necessários ao funcionamento da empresa.

Segundo Lara, a previsibilidade na chegada de insumos ajuda a diminuir o risco de interrupções na produção. Na exportação, permite melhorar o cumprimento dos prazos acertados com compradores internacionais.

Custos pesam proporcionalmente mais nas pequenas empresas

A Organização Mundial do Comércio (OMC) aponta que empresas de menor porte enfrentam dificuldades adicionais para ingressar no comércio internacional. Entre elas estão barreiras não tarifárias, exigências regulatórias e procedimentos de fronteira considerados complexos.

Outro problema é a incidência de custos fixos relacionados às operações internacionais. Como esses gastos não variam necessariamente na mesma proporção do valor comercializado, podem representar uma parcela maior da receita em negócios de pequeno porte.

“A preparação de documentos, o cumprimento de exigências e a contratação de serviços podem consumir uma parcela significativa do valor negociado, comprometendo a margem e até a viabilidade da operação”, afirma Lara.

A situação se torna mais difícil quando atrasos ou alterações regulatórias aumentam a incerteza sobre custos e prazos.

“A imprevisibilidade agrava esse cenário. Na importação, um atraso pode deixar recursos imobilizados e interromper a produção pela falta de um único componente. Na exportação, pode comprometer uma entrega e a confiança de um cliente que a empresa acabou de conquistar”, diz a diretora-executiva.

ABRAEC defende simplificação das regras

A entidade considera que a redução de burocracia pode favorecer a entrada de mais micro, pequenas e médias empresas no comércio exterior.

Entre as medidas defendidas estão maior integração entre sistemas públicos envolvidos nas operações, eliminação da necessidade de repetir informações em diferentes etapas e adoção de regras específicas para as características das remessas expressas.

“O Brasil precisa tornar as operações internacionais mais simples de executar e mais previsíveis em termos de custos, prazos e processos. Para isso, é fundamental integrar os sistemas dos órgãos envolvidos, eliminar a repetição de informações e gerar regulações proporcionais e específicas ao modelo expresso”, afirma Lara.

A executiva também menciona o uso antecipado de informações e a adoção de mecanismos de fiscalização baseados em análise de risco como formas de aumentar a eficiência dos controles sem gerar atrasos desnecessários.

Para a associação, mudanças regulatórias também precisam considerar a capacidade de adaptação de estruturas empresariais menores.

“Por isso, simplificação e previsibilidade são condições importantes para que essas empresas consigam entrar e permanecer no comércio internacional”, acrescenta Lara.

Entidade pede redução de entraves para operações de baixo valor

A ABRAEC defende que o modelo de remessas expressas faça parte de uma política mais ampla de facilitação do comércio voltada às micro, pequenas e médias empresas.

“Nesse esforço, as remessas expressas devem ser reconhecidas como um instrumento de facilitação do comércio e de acesso das MPMEs aos mercados internacionais. Precisamos preservar a simplicidade dos procedimentos dessa modalidade e rever custos tributários e administrativos que possam inviabilizar operações de menor valor”, afirma Lara.

A entidade também considera necessário combinar simplificação regulatória com capacitação para os empresários, especialmente na formação de preços, cumprimento de exigências alfandegárias e escolha de serviços logísticos.

“Essa agenda deve ser acompanhada de capacitação prática e acesso a serviços logísticos, para que o empreendedor consiga calcular seus custos, cumprir as exigências e realizar suas operações com segurança. O objetivo é criar condições para que mais empresas brasileiras possam comprar, produzir e vender internacionalmente, ampliando sua competitividade e suas oportunidades de crescimento”, conclui Lara.

Fonte: Brasil 247

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