Javier Milei se vangloria por votos de Flávio Bolsonaro enquanto pobreza cresce na Argentina
Por Leonardo Fernandes — Brasil de Fato
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O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil parece ter servido como uma injeção de ânimos no presidente da Argentina, Javier Milei. Em uma reunião de gabinete realizada na Casa Rosada na última segunda-feira (5), o chefe de Estado portenho chegou a reivindicar importância para si sobre a vitória eleitoral da extrema direita no primeiro turno das eleições brasileiras.
Diante de seus ministros, Milei teria afirmado que a vantagem conquistada pelo candidato da extrema direita brasileira, Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seria fruto direto do seu apoio. Segundo a lógica do argentino, quando ele decidiu manifestar seu entusiasmo pelo herdeiro do bolsonarismo, o candidato estaria dez pontos atrás do atual presidente do Brasil.
Embalado por essa ilusão de protagonismo internacional, Milei prepara uma nova viagem para os Estados Unidos no dia 14 de outubro. O compromisso, marcado para a capital Washington a apenas 11 dias do segundo turno brasileiro, poderá dar lugar a um encontro entre o argentino e o presidenciável Flávio Bolsonaro. Javier Milei participará de uma gala conservadora ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão e articulador do candidato brasileiro.
Ao Brasil de Fato, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o candidato não pretende participar do encontro na capital estadunidense.
A euforia de Milei com os votos alheios contrasta com o apoio interno do presidente argentino. Levantamentos mostram que 58,1% dos argentinos desaprovam o governo “libertário”, índice que chega a quase 70% entre as parcelas de menor renda. O quadro fica ainda mais vexatório para o mandatário portenho quando a comparação cruza a fronteira.
Segundo pesquisa da consultoria Analogías, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é muito mais popular na Argentina do que o próprio Milei. Enquanto o argentino amarga índices murchos de aprovação na casa dos 36,9%, Lula ostenta 58,5% de imagem positiva entre os eleitores portenhos.
A escassa popularidade do atual governo argentino é resultado de uma política econômica que tem empurrado o país a um forte abismo social. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos mostram que a pobreza no país vizinho voltou a subir no primeiro semestre de 2026, atingindo 32,3% da população. Trata-se de 9,7 milhões de pessoas vivendo sem condições mínimas de subsistência.
A indigência também avançou para 7,5%, afetando 2,2 milhões de argentinos. O choque ultraliberal da motosserra já provocou o fechamento de cerca de 30 mil empresas, empurrou o desemprego para 7,9% e fez a atividade econômica despencar 2,9% em julho.
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Fonte: Brasil de Fato