Daniella Marques é cotada para comandar área social em eventual governo Flávio Bolsonaro
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques é considerada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para comandar uma estrutura ministerial ampliada na área social caso o candidato vença o segundo turno da eleição presidencial. O desenho em discussão prevê que a pasta também concentre políticas voltadas às mulheres e, possivelmente, parte das obras federais. As informações são da Folha de São Paulo, que ouviu integrantes da campanha de Flávio.
A possibilidade de Daniella assumir a área social ganhou força nos últimos meses e tende a afastá-la da disputa pelo Ministério da Fazenda em um eventual governo do candidato do PL. Daniella, que atua como uma das principais porta-vozes da campanha, presidiu a Caixa no último ano do governo de Jair Bolsonaro. Foi durante a passagem pelo banco público que ela ampliou sua atuação em programas sociais e iniciativas direcionadas às mulheres.
Apesar de ter se destacado inicialmente como uma das principais referências econômicas de Flávio, Daniella já não conduz as pautas econômicas cotidianas da campanha. Essa função passou a ser desempenhada principalmente por Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica e ex-ministro de Minas e Energia durante o governo Jair Bolsonaro.
De acordo com a Folha, Daniella já afirmou a interlocutores que considera a possibilidade de assumir a área social um caminho interessante e, ao mesmo tempo, um desafio. Ela também teria iniciado conversas nos bastidores para buscar colaboradores, inclusive no meio acadêmico, para discutir propostas destinadas à pasta.
A ex-presidente da Caixa ganhou maior espaço na campanha de Flávio ao longo deste ano e tem aparecido com frequência ao lado do candidato em compromissos eleitorais.
Fundo com ativos da União
Uma das propostas estudadas por Daniella é a criação de um fundo formado por ativos da União para financiar políticas sociais, combater o endividamento das famílias e promover a inclusão econômica de pessoas de baixa renda.
A ideia foi apresentada recentemente por ela no videocast C-Level Entrevista, da Folha. O fundo poderia reunir imóveis pertencentes à União, créditos inscritos em dívida ativa, participações em empresas estatais, contratos relacionados à exploração de petróleo e outros recebíveis federais.
Daniella estimou o volume potencial desses bens e direitos em mais de R$ 5 trilhões.
“São mais de R$ 5 trilhões em ativos”, afirmou.
Pelo modelo em discussão, aproximadamente um terço dos recursos obtidos com a realização desses ativos seria destinado a medidas voltadas à ascensão econômica das famílias de baixa renda.
A proposta guarda semelhanças com uma iniciativa defendida pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes durante o governo Jair Bolsonaro. À época, Guedes propôs o chamado Fundo Brasil, que usaria receitas de privatizações e dividendos pagos por empresas estatais para financiar uma espécie de dividendo social e também reduzir a dívida pública. O projeto não avançou.
Em manifestações anteriores durante a campanha, Daniella também afirmou que um eventual governo Flávio Bolsonaro pretende preservar os principais programas sociais, embora proponha mudanças na gestão e uma revisão dos gastos públicos.
Fazenda permanece indefinida
A possibilidade de Daniella migrar definitivamente para a área social amplia as especulações sobre quem comandaria o Ministério da Fazenda caso Flávio seja eleito.
A campanha, entretanto, tem evitado divulgar antecipadamente os nomes de possíveis ministros. Segundo interlocutores ouvidos pela Folha, existe o receio de que o anúncio durante a disputa eleitoral exponha os escolhidos a ataques políticos e provoque disputas entre aliados interessados em ocupar postos no primeiro escalão.
Um integrante da campanha ouvido pelo jornal resumiu a orientação adotada pela equipe: é necessário “ganhar primeiro as eleições” antes de tratar da distribuição dos ministérios.
A avaliação também foi influenciada pelas repercussões ocorridas após a indicação antecipada do médico Claudio Lottenberg como possível ministro da Saúde.
Entre os nomes mencionados para a Fazenda estão o financista Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse; Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional e atual economista-chefe do BTG Pactual; Alexandre Bettamio, ligado ao Bank of America; e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
Adolfo Sachsida, por sua vez, é citado no mercado como uma possibilidade para o Ministério do Planejamento. Pessoas próximas ao economista, porém, afirmam que ele também teria interesse em comandar a Fazenda.
Fonte: Brasil 247