Mais do mesmo no 2º turno endereça a derrota maior do que a de domingo

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Por Marco Damiani — Brasil 247

Alguém poderia dizer ao presidente Lula, que conheço desde os tempos das assembleias históricas de Vila Euclides, na virada dos anos 1970/80, que ele não precisa comentar, um a um, todos os dias, os assuntos que integram a pauta da mídia tradicional. Isso gera mais mais desgaste do que ganho.

Lula é candidato à reeleição, não tem de ser um analista político, econômico, comercial, social, esportivo etc etc. Ao se posicionar sobre cada assunto polêmico do momento nacional, ele, como se diz no futebol, entra em bola dividida, acirra opiniões e fica mais distante da conquista necessária de novos eleitores.

A pauta de Lula, nesta fase derradeira da disputa, deveria ser bem mais resumida do que foi no 1º turno. O eixo seria propagandear as fortalezas de seu governo, explicitar as fragilidades de seu adversário de extrema-direita, alertar sobre os riscos de quebra de sua política econômica e defender a soberania nacional. Não é preciso ir muito além.

Quando o presidente deriva a assuntar sobre a crise no STF, por exemplo, acaba, aos olhos da multidão, se misturando ao próprio imbróglio. Isso ficou claro no discurso proferido na noite do último domingo, após receber o resultado do 1º turno. “Estamos carregando nas costas a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”, disse, em frase espalhada à profusão nas redes sociais. É, claramente, uma admissão de dificuldade, quando o melhor seria nem ter mencionado essa agenda negativa. Ele não é obrigado a fazer isso, basta evitar.

Pelo mundo, grandes campanhas políticas costumam contar com um porta-voz para, declaradamente, servir de anteparo ao candidato para não deixar assuntos polêmicos sem resposta. Essa figura não existe na estrutura da campanha da coligação pela reeleição, o que é uma pena. Tudo bate diretamente no ‘peito’ do presidente, que deveria ser muito mais preservado.

O dirigente comunista Luiz Tenório de Lima, que voltou ao Brasil nas asas da anistia, em 1979, e elegeu-se vereador em São Paulo na década de 1980, tinha um bordão que recai a perfeição para o que Lula precisa fazer agora: “Vamos ao que nos une”. É isso.

O presidente terá mais chances de capturar votos entre os 33 milhões de brasileiros que se abstiveram em 4 de outubro quanto melhor definir seus temas. Entrar em questões institucionais complexas, que não irão ser solucionadas em frases soltas, dificilmente vai sensibilizar esse contingente. Há ministros, líderes partidários e apoiadores políticos que podem assumir o papel de comentarista que o presidente tem desempenhado. Se passar a falar muito mais de suas próprias qualidades e do bom governo que vem realizando nos últimos quatros anos, Lula estará mais perto de conquistar novos eleitores. Mais do mesmo não vai virar.

Fonte: Brasil 247

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