CIA planta histórias pró-Flávio para influenciar eleição, diz ex-agente dos EUA
Por Jamil Chade — ICL Notícias
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
A CIA estaria agindo nos bastidores da eleição no Brasil, plantando histórias para favorecer Flávio Bolsonaro e criar uma narrativa positiva para o senador.
As revelações são de John Kiriakou, ex-agente da CIA e que se tornou uma espécie de celebridade nos últimos anos. No começo da semana, ele foi às redes sociais para denunciar o que ele aponta ser um indício “crível” do envolvimento da agência de espionagem na eleição brasileira.
Nesta terça-feira, em seu podcast, ele deu mais detalhes. “Ouvi um rumor de um ex-colega meu da CIA, neste fim de semana, que a agência está ativamente trabalhando nos bastidores para apoiar Bolsonaro”, afirmou.
“E a forma que estão agindo é plantando histórias pro-Bolsonaro tanto na imprensa brasileira como imprensa internacional”, alegou.
Sem apresentar provas, ele foi cuidadoso em dizer que “não sabe” se essa versão é verdadeira. Mas pondera que a atitude vai na linha da atuação da agência ao longo de anos.
“Há uma longa história do envolvimento da CIA em eleições no exterior, controlando a narrativa midiática”, disse.
Ele destaca que muitos na imprensa brasileira saíram ao apoio de Bolsonaro. “Isso apesar do fato de que a presidência de Jair Bolsonaro ter sido um erro atrás de erro”, afirmou.
O ex-agente destacou como o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão, citando supostamente uma atitude “incrivelmente corrupta”.
Para Kiriakou, as projeções para o segundo turno não são favoráveis para Luiz Inácio Lula da Silva e indicou que a direita já obteve uma das maiores vitórias de sua história no Brasil. “Lula deve perder a eleição e acho que o jovem Bolsonaro vai perdoar o pai”, estimou.
Ele também destacou como Donald Trump já endossou a candidatura de Flávio e admitiu como isso seria uma “violação das regras internacionais”.
No início da semana, ele escreveu nas redes sociais que esteve com Lula há três anos. Nesta terça-feira, ele explicou que foi um assessor do presidente que entrou em contato, para que Lula pudesse conversar sobre transparência no governo.
Na conversa, segundo o ex-agente, um dos temas foi a violência policial no governo de Jair Bolsonaro. O americano afirmou que sugeriu que Lula lidasse com essa realidade e que isso teria levado o setor policial a se voltar contra ele.
Em 2013, o ex-agente da CIA declarou-se culpado por revelar o nome de um agente infiltrado, no primeiro processo desse tipo em 27 anos. Kiriakou trabalhou para a CIA entre 1990 e 2004, foi condenado a 30 meses de prisão em um tribunal federal, como parte de um acordo de confissão.
Ele admitiu ter revelado a um repórter a identidade de um oficial infiltrado que participou de interrogatórios rigorosos de supostos membros da Al-Qaeda, mantidos em centros de detenção secretos da CIA.
Kiriakou ganhou destaque na mídia em 2007, durante a presidência de George W. Bush, ao afirmar em uma entrevista à rede de TV ABC que o *waterboarding* — uma técnica que simula o afogamento — havia sido utilizado contra um detento de Guantánamo chamado Abu Zubaida.
O diretor da CIA, David Petraeus, divulgou um comunicado saudando o acordo de confissão com Kiriakou, embora outras quatro acusações tenham sido retiradas. O caso “representa uma vitória importante para a nossa agência, para a nossa comunidade de inteligência e para o nosso país”, disse Petraeus.
Aquela foi foi a primeira vez em 27 anos que alguém foi considerado culpado por revelar o nome de um agente infiltrado.
Eu comecei como terceirizado. Meu jaleco era cinza. O azul pertencia aos funcionários da firma, aos que haviam atravessado uma fronteira invisível dentro da própria fábrica
Fonte: ICL Notícias